Preço Do Cacau Cai No Campo, Mas Chocolate Seguirá Caro Na Páscoa

Preço Do Cacau Cai No Campo, Mas Chocolate Seguirá Caro Na Páscoa

Preço do cacau cai no campo, mas chocolate continuará caro na Páscoa; saiba mais

O governo brasileiro decidiu suspender a importação de cacau proveniente da Costa do Marfim, maior produtor mundial da commodity, contudo, essa ação não deverá provocar escassez de amêndoas nem impactar os preços para o consumidor. Veja aqui o que pode influenciar o custo do chocolate.

A indústria do chocolate adquiriu o cacau com vários meses de antecedência, quando os preços internacionais ainda atingiam valores recordes. A recente redução nos preços pagos aos produtores é explicada pela recuperação das colheitas e pela queda da demanda da indústria de confeitaria.

Enquanto o valor recebido pelos agricultores diminui e o consumidor enfrenta preços elevados pelo chocolate, as indústrias do setor vêm aproveitando para ampliar suas margens de lucro.

A principal origem das amêndoas no mercado brasileiro é a produção nacional, com importações sazonais, especialmente no início do ano, na entressafra. Em caso de necessidade, o Brasil pode recorrer ao Equador, que enfrenta uma safra robusta, para suprir a demanda.

Contexto atual: por que os preços do chocolate permanecem elevados?

Apesar da queda do preço do cacau diretamente do produtor, os consumidores ainda não sentem essa redução, uma vez que as compradoras do setor já adquiriram matéria-prima com antecedência de seis a doze meses. Para a fabricação dos chocolates da Páscoa deste ano, a indústria chegou a pagar entre US$ 6 mil e US$ 10 mil por tonelada dos derivados do cacau, valor que hoje está em torno de US$ 3 mil.

A indústria do chocolate viveu anos de margens apertadas devido ao déficit mundial da produção do cacau e, agora, foca em recuperar seus ganhos antes de repassar possíveis quedas ao consumidor. A expectativa é de que o preço nas prateleiras comece a reduzir progressivamente a partir do segundo semestre de 2026.

O que ocasionou a alta dos preços em 2024?

O aumento no valor do chocolate adquire origem na queda significativa da safra de cacau no Brasil e nos principais produtores africanos, como Costa do Marfim e Gana, em 2024. Esses países enfrentaram problemas relacionados ao fenômeno climático El Niño, com secas, chuvas excessivas em momentos inoportunos, além da presença de pragas e doenças.

A demanda global aumentou especialmente em regiões com maior poder aquisitivo, como Europa e Estados Unidos, que competiram pelo limitado estoque de cacau africano disponível, agravando a escassez para outros mercados.

Em janeiro de 2025, o preço médio do cacau atingiu US$ 10 mil por tonelada na Bolsa de Nova York, ao passo que, um ano antes, girava em torno de US$ 4 mil.

Por que o preço do cacau caiu para os produtores?

Desde a segunda metade de 2025, os preços pagos ao agricultor desaceleraram, impulsionados pela melhora nas colheitas no Brasil e em países africanos, além da valorização do real frente ao dólar que favoreceu as importações.

Especialistas apontam que a principal razão para essa baixa está na redução da demanda da indústria do chocolate. Com o valor elevado do cacau, as indústrias alteraram as receitas, diminuiram o tamanho das barras e substituíram manteiga de cacau por outras gorduras, levando a uma queda nas compras dos subprodutos do cacau e, consequentemente, nas amêndoas.

Na Bahia, por exemplo, a arroba do cacau chega a custar cerca de R$ 200, valor 70% inferior ao de um ano atrás, o que tem motivado protestos dos produtores rurais, que chegaram a interditar a BR 101 para reivindicar maior controle nas importações e melhores preços.

Suspensão da importação de cacau da Costa do Marfim

O Ministério da Agricultura bloqueou temporariamente as importações de cacau provenientes da Costa do Marfim devido a riscos sanitários, relacionados à possível contaminação dos lotes com grãos vindos de países não autorizados, como Libéria e Guiné, que podem portar pragas e doenças que ameaçam a cultura cacaueira brasileira.

O ministro Carlos Fávaro ressaltou a necessidade de garantir a segurança sanitária para preservar a produção nacional. A decisão, considerada soberana, atende à pressão do setor produtivo para proteger os preços locais.

Apesar disso, o mercado enfrenta hoje um excedente de cacau na Costa do Marfim, que também enfrenta dificuldades para comercializar sua produção.

Em 2025, a produção brasileira atingiu 186.137 toneladas de cacau, enquanto as importações somaram 42.199 toneladas, sendo 81% provenientes da Costa do Marfim.

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