Projeto para revitalização do cais de Porto Alegre inclui nova área gastronômica após sucesso do Embarcadero
Está em desenvolvimento um ambicioso plano para transformar o Cais Mauá, antiga região portuária da capital gaúcha. Em contraposição ao já estabelecido Cais Embarcadero, o consórcio Pulsa RS propõe a criação de um grande espaço gastronômico voltado para atender o público do Centro da cidade.
A proposta é converter antigos armazéns em um food hall inspirado em modelos internacionais, contando com um investimento estimado em R$ 50 milhões. O local deve abrigar restaurantes, produtores locais e experiências gastronômicas focadas na culinária típica do Rio Grande do Sul, com uma abordagem mais popular e voltada para o uso cotidiano.
Inspirações e conceito do novo Cais Mauá
O projeto se inspira em referências como o Time Out Market de Lisboa, reconhecido exemplo de requalificação urbana por meio da gastronomia. A ideia é adaptar este conceito à realidade porto-alegrense, valorizando produtos regionais e estimulando uma cadeia integrada que vai da matéria-prima até o prato para o consumidor.
A futura área contará com uma variedade de produtos típicos, como carnes, vinhos, azeites e embutidos sul-riograndenses, combinando com uma oferta ampla e diversificada de operações gastronômicas. Também está previsto o envolvimento de instituições voltadas à formação profissional e escolas de gastronomia.
O espaço deve ocupar dois armazéns com cerca de 4 mil metros quadrados, somando mezaninos que ampliam a área para 6 mil metros quadrados. A operação será implementada de forma modular, possibilitando ampliação de acordo com a demanda.
Segundo o arquiteto Sérgio Stein, representante do consórcio, “o que houver de melhor na produção local estará ali, com o objetivo de fortalecer a economia regional e criar um ambiente ativo durante todo o dia”.
Diferenças em relação ao Embarcadero e público-alvo
Enquanto o Embarcadero se firmou como um polo gastronômico e turístico recebendo cerca de 3 milhões de visitantes anualmente, o novo espaço do Cais Mauá surge com uma proposta distinta: focar nas pessoas que já frequentam o Centro de Porto Alegre.
Localizado próximo ao Mercado Público, o food hall deverá ter um ticket médio entre R$ 60 e R$ 70 por pessoa, visando atrair os trabalhadores da região e garantir um fluxo constante no decorrer do dia. A intenção é que o espaço funcione como um ponto prático para refeições e lazer cotidianos.
Stein ressalta que o lugar será pensado como uma “sala de estar” da cidade, onde as pessoas possam sair do trabalho, almoçar, caminhar pela orla do rio e retornar, integrando lazer, cultura, gastronomia e negócios num mesmo local.
Além disso, o projeto contempla conexões com a mobilidade urbana, incluindo acessos subterrâneos diretos ao cais.
Dimensão e futuro do projeto
O polo gastronômico é parte de um plano maior para a revitalização do Cais Mauá, que abrange transformação em um complexo multifuncional de entretenimento, cultura, eventos e serviços.
O empreendimento envolve 12 armazéns, três docas e cerca de 3 quilômetros de área, com previsão de investimentos que somam aproximadamente R$ 353 milhões ao longo da concessão.
Destaques do projeto incluem uma casa de espetáculos com capacidade para até 4 mil pessoas, espaços para feiras e congressos, além de áreas públicas para convivência. A estratégia é garantir atividade contínua na região, atraindo públicos variados em diferentes horários, desde eventos corporativos durante o dia até atrações e lazer noturno.
“Quando um público sai, outro chega. O objetivo é manter o cais sempre movimentado”, ressalta Stein.
Etapas e cronograma previstos
Se o cronograma for seguido, a nova área gastronômica deve fazer parte do primeiro conjunto de entregas, incluindo outros armazéns próximos ao Centro, com previsão de conclusão em até dois anos após o início das construções.
Antes, serão realizadas etapas importantes como projetos executivos, obtenção de liberações e obras estruturais, que também contemplarão intervenções contra enchentes, especialmente após os impactos sofridos em 2024.
Situação atual e próximos passos
Embora o plano esteja avançado, a revitalização do Cais Mauá ainda não foi oficialmente iniciada. O consórcio Pulsa RS apresentou ao governo do Rio Grande do Sul a proposta para assinatura do contrato de concessão, prevista para maio. Somente após essa formalização o cronograma poderá realmente ser colocado em prática.
A enchente ocorrida em 2024 exigiu adaptações no projeto e ajustes financeiros na concessão. O consórcio afirma ter se reestruturado, contando com novos parceiros e a criação de uma empresa dedicada para a gestão do projeto.
“Nosso empenho é devolver este espaço para a população, para que o cais volte a pulsar de vida e movimento”, finaliza Stein.



