Quatro trabalhadores morrem em duas semanas durante colheita no Espírito Santo
O início do período de colheita no Espírito Santo tem sido marcado por um aumento nos acidentes no campo, aumentando o número de fatalidades. Em apenas duas semanas deste mês, quatro trabalhadores perderam a vida em incidentes relacionados ao trabalho agrícola, envolvendo desde explosões até quedas.
Incidentes fatais recentes
Três trabalhadores baianos morreram em consequência de um incêndio provocado por uma explosão em um alojamento de uma fazenda de café localizada em Vila Valério, região Noroeste do estado. Gildeson Gama Leite, de 30 anos, Ilmar Gama de Souza, 31 anos, e Aldino Alves Almeida, 28 anos, sofreram queimaduras em até 90% do corpo durante a madrugada do dia 4 de maio. Outros feridos ficaram internados no Hospital Jayme dos Santos Neves, na Serra, próximo à Grande Vitória.
Segundo a administradora da fazenda, Fernanda Kefler, acredita-se que o incêndio tenha começado por um curto-circuito em uma tomada, onde celulares estavam conectados para carregamento, destruindo completamente o quarto, incluindo colchões e parte do telhado.
Outra fatalidade ocorreu em Jaguaré, no Norte capixaba, onde o produtor rural José Albino, de 56 anos, caiu de uma escada enquanto abastecia um secador de pimenta e sofreu traumatismo craniano. Ele foi hospitalizado por seis dias, mas não resistiu e faleceu em 5 de maio.
Prevenção e cuidados indispensáveis
Diante desses acidentes, torna-se ainda mais evidente a necessidade de atenção redobrada e o uso rigoroso dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) durante o trabalho na lavoura. O tenente do Corpo de Bombeiros Leonardo Cazzotto revela que, só em São Mateus, acontecem até duas ocorrências de acidentes por semana relacionadas ao manejo de maquinário e atividades agrícolas.
Os riscos incluem desde quedas e cortes até atropelamentos por tratores e caminhões, que possuem pontos cegos. Também são frequentes lesões causadas por projéteis como galhos ou grãos que atingem os olhos, além da inalação de poeira orgânica gerada pelo café, que pode acarretar problemas respiratórios.
Para mitigar esses perigos, é fundamental o uso de EPIs como luvas, máscaras, óculos de proteção, aventais e botinas, além de estar atento à movimentação de veículos e condições do terreno, que podem esconder elementos cortantes ou animais peçonhentos.
As luvas são essenciais para evitar contaminações químicas, os aventais protegem contra vazamentos e respingos, e as botinas oferecem estabilidade e proteção contra picadas e ferimentos nos pés.
Responsabilidades dos empregadores
Além dos cuidados pessoais, os proprietários das propriedades agrícolas também têm papel fundamental na garantia de segurança e cumprimento das normas trabalhistas para preservar a integridade dos trabalhadores. O atual Pacto do Café estabelece diretrizes de combate ao trabalho escravo e infantil no setor cafeeiro, mas outras condições inadequadas de trabalho devem ser igualmente combatidas.
Alcimar Candeias, superintendente do Ministério do Trabalho no Espírito Santo, ressalta que todas as medidas relacionadas à segurança, saúde ocupacional e garantia dos direitos previdenciários são dever do empregador.
Imagens relacionadas

![]()
![]()



