Preço de serviços por aplicativos como Uber e 99 registra queda de 17,23% em janeiro após alta recorde em 2025
Após ter apresentado a maior alta já registrada na história em 2025, com um aumento de 56,08% no valor do serviço, os preços do transporte por aplicativos, como Uber e 99, tiveram redução expressiva no primeiro mês deste ano. Dados divulgados no dia 10 de fevereiro indicam que em janeiro houve uma diminuição de 17,23% nos preços, revertendo a alta de 13,79% observada em dezembro.
Essa queda se deu em um cenário de menor demanda, já que janeiro é um mês de férias, o que impactou diretamente a quantidade de corridas solicitadas nas principais cidades do país. As plataformas de transporte por aplicativo costumam elevar os valores quando a demanda supera a oferta de motoristas, adotando a chamada tarifa dinâmica, que ajusta os preços conforme o equilíbrio entre pedidos e veículos disponíveis. Com a maior disponibilidade de motoristas, o custo das corridas foi ajustado para baixo.
Em São Paulo, a retração foi de 17,18%, enquanto Porto Alegre teve um recuo ainda maior, de 22,22%. Salvador apresentou a menor diminuição, com 10,99%. Para efeito de comparação, o índice geral de inflação naquele mês foi de 0,33%.
A redução no preço das corridas também refletiu nas demais vertentes de transporte: a passagem aérea teve queda de 8,9%, enquanto o preço da gasolina subiu 2,06%, influenciando de forma distinta o conjunto dos custos relacionados à mobilidade.
A visão das plataformas e a metodologia do IBGE
A Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa empresas como Uber e 99, afirmou em comunicado que os preços das corridas são afetados por vários fatores, incluindo distância percorrida, tempo e demanda local, além de estratégias comerciais adotadas pelas plataformas. A entidade destaca o esforço na busca de equilíbrio entre os interesses dos usuários e dos motoristas parceiros.
Entretanto, a Amobitec questiona a metodologia utilizada pelo IBGE para calcular o impacto dos preços no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A associação aponta que não há informações claras sobre quais empresas são consideradas na pesquisa e a participação de cada uma no cálculo dos índices.
Mesmo assim, a entidade ressalta que o subitem referente ao transporte por aplicativo respondeu por apenas 0,13 ponto percentual no IPCA de 2025, valor inferior ao impacto de outros componentes como energia residencial (0,48 p.p.) e planos de saúde (0,26 p.p.).
Contexto econômico e fatores da alta histórica
Especialistas consultados pela época da alta recorde atribuíram o aumento dos preços em 2025 à introdução da tarifa dinâmica na metodologia usada pelo IBGE, combinado à alta demanda pelos serviços e aos elevados custos operacionais enfrentados pelos motoristas, como combustível e manutenção.
Com a atualização dos preços em janeiro, observa-se uma correção decorrente da redução do trânsito intenso e da menor procura em um período típico de férias, impactando significativamente o custo das corridas.



