Queda No Petróleo Com Avaliação De Impactos Da Guerra

Queda No Petróleo Com Avaliação De Impactos Da Guerra

Petróleo registra queda após início estável enquanto mercado avalia impactos da guerra

Os preços do petróleo começaram a cair nesta segunda-feira (6), após uma abertura de mercado com poucas variações, em meio à expectativa dos investidores por mais informações sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã. Além disso, o mercado mantém cautela diante do risco de cortes prolongados na oferta devido a interrupções no transporte marítimo.

Por volta das 6h10 (horário de Brasília), os contratos futuros do petróleo do tipo Brent registravam queda de 1,05%, ou US$ 1,14, cotados a US$ 107,90 por barril. Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos Estados Unidos apresentava baixa de 1,71%, ou US$ 1,91, negociado a US$ 109,60 por barril.

Na sessão anterior, realizada na quinta-feira (2), o WTI e o Brent tiveram fortes altas de 11% e 8%, respectivamente, marcando o maior avanço percentual do preço do petróleo desde 2020. No entanto, as movimentações no começo desta segunda foram limitadas, com o mercado aguardando desdobramentos.

No domingo (5), o ex-presidente Donald Trump intensificou sua pressão sobre Teerã ao divulgar uma mensagem nas redes sociais contendo termos agressivos, ameaçando atacar usinas de energia e pontes no Irã em 7 de abril caso o estratégico Estreito de Ormuz não seja reaberto. Apesar do tom contundente, os preços do petróleo permaneceram majoritariamente estáveis nas negociações desta segunda-feira.

Fontes próximas às negociações revelaram que os governos do Irã e dos Estados Unidos receberam uma proposta para encerrar as hostilidades, que poderia entrar em vigor ainda nesta segunda, com a reabertura do Estreito de Ormuz como primeira medida.

Vale destacar que o Estreito de Ormuz é uma rota crucial por onde transitam petróleo e derivados provenientes de importantes produtores como Iraque, Arábia Saudita, Catar, Kuwait e Emirados Árabes Unidos. Ele encontra-se quase totalmente bloqueado devido a ataques iranianos a embarcações desde o início do conflito, em 28 de fevereiro.

Segundo Mukesh Sahdev, fundador e CEO da consultoria XAnalysts, a permanência do Estreito fechado tem mais a ver com uma questão política do que com questões logísticas ou técnicas.

Enquanto a interrupção no fornecimento no Oriente Médio persiste, refinarias estão procurando fontes alternativas de petróleo, focando especialmente em cargas físicas destinadas aos Estados Unidos e ao Mar do Norte britânico.

Dados de transporte marítimo indicam que desde quinta-feira alguns navios — entre eles um petroleiro operado por Omã, um porta-contêiner francês e um transportador de gás japonês — conseguiram atravessar o Estreito de Ormuz, refletindo a política iraniana que permite a passagem de embarcações de países considerados aliados.

As tensões no conflito podem se estender, pois o Irã formalmente comunicou aos mediadores que não pretende se reunir com representantes dos EUA em Islamabad nos próximos dias. Segundo reportagem do The Wall Street Journal, as tentativas de um cessar-fogo chegaram a um ponto morto na última sexta-feira.

Em relação à produção, a OPEP+, que inclui membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados como a Rússia, acordou um aumento modesto de 206 mil barris por dia para o mês de maio. Contudo, a maior parte dessa elevação deve permanecer no papel, já que vários produtores importantes enfrentam dificuldades para ampliar a oferta por conta do conflito.

A Rússia também sofreu impactos recentes na oferta, após ataques de drones ucranianos contra seus terminais de exportação no Mar Báltico. No entanto, reportagens indicaram que o terminal de Ust-Luga retomou as operações de carregamento no sábado, depois de dias com interrupções.

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