Rating Do Brasil: O Que A Fitch Considera Para Elevar

Rating Do Brasil: O Que A Fitch Considera Para Elevar

Principais pontos da Fitch para possível elevação do rating do Brasil e razões para não ocorrer em 2026

A agência Fitch Ratings reconhece que a economia brasileira teve um desempenho positivo em 2025, com o Produto Interno Bruto (PIB) crescendo 2,3%. Embora este índice tenha sido inferior aos 3,4% registrados em 2024, ainda assim é considerado um resultado satisfatório, tendo em vista a política monetária restritiva e a ausência de estímulos fiscais relevantes.

Apesar desse cenário relativamente favorável, o Brasil permanece com seu rating soberano classificado como ‘BB’, com perspectiva estável. Todd Martinez, co-líder da área de ratings soberanos para a América Latina na Fitch, declarou que uma elevação da nota antes do último trimestre de 2026 não está prevista.

Martinez destaca que qualquer avanço fiscal é fundamental para que haja uma possível melhora na classificação do país. Contudo, a proximidade das eleições de 2026 torna o momento delicado, exigindo atenção redobrada de investidores e mercados. Segundo o executivo, “uma elevação do rating antes das eleições de 2026 parece difícil, porque depende tanto do anúncio de medidas de consolidação fiscal quanto da efetiva implementação dessas ações”. Ele ainda acrescenta que, em qualquer nação, é complexo que ocorram tais avanços significativos em um ano eleitoral.

Déficit e dívida: os principais desafios fiscais

O que mais empecilha a melhoria do rating é o cenário fiscal do Brasil. Em 2025, o déficit do governo geral alcançou 8,1% do PIB, mantendo a dívida bruta em 78,7% do PIB, patamar bastante superior à mediana para a categoria ‘BB’, situada em torno de 51%.

Martinez ressalta que, mesmo com uma eventual queda na taxa Selic, será necessário melhorar o resultado primário em aproximadamente 2 a 2,5 pontos percentuais do PIB para garantir a estabilidade da dívida pública.

O executivo enfatiza que o país não precisa necessariamente completar um ajuste fiscal dessa magnitude para obter um upgrade, porém é indispensável estar avançando em um plano convincente que vise esse objetivo.

Perspectiva para o endividamento em 2026

A Fitch projeta que em 2026 o Brasil será o maior mercado emergente em termos de endividamento, superando até a Índia. Apesar disso, o Brasil consegue conviver com esse nível elevado de dívida devido a um mercado de capitais doméstico desenvolvido e menor dependência de financiamento externo.

Para considerar um aumento do rating para BB+, a agência deseja observar sinais de que a dívida se estabilizará em torno de 80% do PIB. Para uma elevação ainda maior, inclusive até grau de investimento, seria necessário que a trajetória da dívida fosse de queda consistente.

Medidas fiscais e desafios na consolidação

No relatório mais recente, a Fitch ressaltou avanços fiscais do Brasil. Em 2025, o governo federal obteve déficit primário de 0,5% do PIB, inferior ao teto da regra fiscal de 0,6%. Para 2026, o orçamento prevê melhoria para 0,2% do PIB, ainda dentro da faixa de tolerância que permite até 0,4%.

Além disso, o país aprovou medidas que devem aumentar a arrecadação em cerca de R$ 140 bilhões, equivalentes a 1,1% do PIB. Essas medidas incluem aumento de tributos sobre fintechs, jogos de azar, juros sobre capital próprio, além de corte em isenções e majoração do IOF financeiro.

Contudo, o esforço para ampliar as receitas não se traduz em consolidação fiscal proporcional, devido ao crescimento das despesas obrigatórias, que representam 91% das despesas primárias e englobam folha de pagamento, pensões e outros benefícios sociais com índice de correção rígido e generoso. As despesas discricionárias restantes também têm alguma vinculação a receitas.

Martinez ressalta que, dado que a maior parte dos gastos primários são obrigatórios, conter despesas exigirá mudanças nos mecanismos de indexação que determinam seu aumento, atualmente muito permissivos.

Segundo ele, “a consolidação fiscal vai depender principalmente de controle nos gastos, uma vez que, após diversos esforços para aumentar receitas, a disposição para novas medidas tributárias pode estar limitada”.

Um novo superciclo de commodities ou reformas estruturais poderiam impulsionar as receitas, mas também podem pressionar despesas devido aos atuais mecanismos de correção. Assim, para que o plano de consolidação seja crível, será necessário associar contenção de gastos com crescimento econômico sustentável.

Por outro lado, um quadro negativo para o rating seria um ciclo vicioso na dinâmica da dívida pública, caracterizado pela ausência de progresso na consolidação fiscal ou uma piora nesse cenário, elevando juros reais e comprometendo o crescimento econômica.

Cenário eleitoral e político

A aproximação das eleições de 2026 eleva o nível de incerteza. Independentemente do resultado eleitoral, Martinez observa que há pouca disposição política para novas elevações de impostos, fazendo com que ajustes fiquem restritos ao controle das despesas.

Ele avalia que um governo de direita poderia ser mais ambicioso nesse sentido, embora isso não seja garantido. O atual Legislativo, inclinado à direita, já reduziu medidas de contenção propostas pelo governo Lula e apresentou propostas para ampliar despesas.

Por sua vez, autoridades ligadas ao governo Lula reconhecem a necessidade do controle dos gastos obrigatórios, porém a implementação dessas medidas enfrenta dificuldades, especialmente diante de pressões para ampliar os investimentos em outras áreas.

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