Reality show para PMEs: BEE4 foca em uma bolsa “de empresário para empresário”
A iniciativa da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), conhecida como Regime Fácil, tem como objetivo simplificar o acesso de pequenas e médias empresas (PMEs) ao mercado de capitais, com implementação prevista para março deste ano. Em sintonia com essa medida, a BEE4, plataforma que facilita a negociação de ações por meio de tokens, está desenvolvendo um reality show voltado para ajudar essas empresas.
Em dezembro, a BEE4 anunciou os 15 finalistas do programa Rota Fácil, que visa apoiar financeiramente a listagem e preparar 10 companhias a tornarem-se sociedades anônimas de capital aberto. O processo conta com a avaliação de um painel de grandes especialistas do mercado, incluindo Renata Vichi, CEO do Grupo CRM; Gustavo Cerbasi, renomado educador financeiro; Luciana Wodzik, ex-CEO da Arezzo&Co; e Rogério Salume, fundador da Wine.
As 10 empresas vencedoras do programa receberão suporte jurídico especializado, auditoria independente referente ao último exercício fiscal, isenção completa das taxas para listagem e dispensa pelo período de dois anos dos custos relativos à escrituração da primeira operação.
Entre as finalistas estão Santa Angela (construtora), Kinase – Stoque (automação de documentos e processos), Escad (aluguel de máquinas pesadas), Vapza Alimentos (produtos cozidos a vapor embalados a vácuo), Habitare (setor imobiliário), Arrazantty (vestuário fitness), Vellore (iluminação, ferramentas e materiais elétricos), Plastiflour (produtos técnicos para vedação de equipamentos), Safertrip (plataforma de mobilidade), Grupo RAO (franquias de delivery), 3E Eficiência Energética (serviços de energia), Sementes Esperança (agroindústria), Wittel Comunicações (consultoria tecnológica em experiência do cliente), Glux (projetos de arquitetura, engenharia e consultoria técnica) e Tuttors (mercado de investimentos, câmbio, consórcios, seguros e crédito estruturado).
As filmagens da competição Rota Fácil começam em fevereiro, e o público poderá acompanhar o conteúdo pelo canal BM&C News.
BEE4 e o modelo “de empresário para empresário”
Diante da chegada do Regime Fácil, que também tem o apoio da B3 com divulgação e orientações, a BEE4 se apresenta como uma alternativa diferenciada, voltada para os empresários, e não apenas para executivos. Rodrigo Fiszman, cofundador e chairman da BEE4, declarou que a empresa busca estar próxima da realidade dos empreendedores de menor porte, estruturando um ecossistema que favoreça o crescimento dessas organizações com suporte no mercado de capitais.
A BEE4 não se limita a registrar as companhias ou conduzir suas ofertas de valores mobiliários. O objetivo, segundo Fiszman, é acompanhar e suportar essas companhias ao longo de todo seu desenvolvimento, onde o mercado de capitais desempenha papel fundamental.
Entre os diferenciais da BEE4 destaca-se a construção de uma rede próxima de empresários e a introdução da figura do consultor de listagem, inspirado no modelo Nominated Advisor, utilizado no mercado londrino. Esse profissional orienta as empresas não apenas no pedido formal de entrada no mercado, mas também na adaptação às normas de governança e transparência exigidas para a captação de recursos.
Detalhes do Regime Fácil para pequenas empresas
O Regime Fácil contempla empresas com faturamento anual bruto de até R$ 500 milhões e oferece regras simplificadas para listagem. Em vez do Formulário de Referência tradicional, as companhias devem utilizar o Formulário Fácil, que é uma versão simplificada do documento. Além disso, a publicação dos resultados será semestral, ao inverso dos ciclos trimestrais habituais, e elas estarão dispensadas de apresentar o relatório de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade exigido pela Resolução CVM 193.
As organizações enquadradas no Regime Fácil poderão optar entre realizar ofertas públicas tradicionais, beneficiadas por facilidades adicionais, ou utilizar a Oferta Direta, um novo formato criado para este programa que permite a oferta direta no mercado organizado sem necessidade de registro na CVM ou contratação de intermediários como coordenadores.
Considerando a flexibilização de regras, a BEE4 observa que os ativos ligados ao Regime Fácil apresentam maior risco em comparação a papéis tradicionais, motivo pelo qual terão o selo de Companhia de Menor Porte (CMP) para identificação clara.
Patricia Stille, CEO da BEE4, ressaltou que os distribuidores desses ativos terão papel essencial ao garantir que os investidores tenham ciência do risco envolvido e que esses investimentos se encaixem adequadamente em seus perfis de risco. Ela também reforçou que, naturalmente, esse tipo de investimento deve representar uma parcela menor da carteira, em comparação a ações de empresas maiores e mais consolidadas.



