Resultados históricos da Riachuelo refletem transformação e decisões estratégicas, destaca CFO
A Riachuelo atribui seu expressivo desempenho no quarto trimestre de 2025 a um processo contínuo de transformação, decisões bem fundamentadas e ao fortalecimento das suas principais competências. Segundo Miguel Cafruni, diretor financeiro da empresa, esse sucesso não é fruto de uma iniciativa recente, mas sim de um trabalho consistente ao longo do tempo.
O lucro líquido consolidado da companhia no 4T25 alcançou R$ 321,9 milhões, representando um crescimento de 28,8% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já no acumulado do ano, a Riachuelo registrou o melhor resultado de sua história, totalizando um lucro líquido de R$ 512,1 milhões e um Ebitda recorde de R$ 1,8 bilhão.
Durante o último trimestre de 2025, o Ebitda consolidado atingiu R$ 659,8 milhões, com margem Ebitda de 20,6%, um aumento de 1,9 ponto percentual na comparação anual, marcando o melhor desempenho dos últimos cinco anos. Para Cafruni, esses resultados são resultado da combinação de foco, disciplina e clareza na estratégia, com prioridade no aumento das margens.
O CFO ressalta que o ano de 2025 consolida mais um estágio da transformação iniciada em 2023 com a chegada do atual CEO, André. A empresa mantém pilares sólidos nesse processo, evitando mudanças abruptas e reestruturações radicais, priorizando o aprimoramento gradual e sustentável da companhia.
De acordo com Cafruni, três pilares fundamentais são o foco da Riachuelo: a força da marca, a produção em fábrica própria e o braço financeiro atuando através da Midway. A empresa desenvolveu estratégias específicas para explorar esses três vetores, mantendo clareza sobre o potencial da marca, a entrega ao consumidor e a eficiência operacional, o que resulta em uma maior margem bruta.
O executivo reforça que a companhia está apenas no início dessa jornada, ciente do muito que ainda pode ser feito. A postura adotada permanece disciplinada e realista, baseada na convicção de estar dando passos firmes rumo a um crescimento sustentável.
Planos para 2026
Para o ano de 2026, a Riachuelo pretende investir na expansão de sua rede de lojas, planejando abrir entre 15 e 20 novas unidades. Para efeito de comparação, em 2024 foi aberta apenas uma loja na cidade de Cascavel, no Paraná, enquanto em 2025 foram inauguradas oito novas lojas.
Um estudo aprofundado realizado pela empresa identificou a possibilidade de expansão para entre 150 e 200 lojas em todo o Brasil, objetivo que será alcançado ao longo do processo de transformação da empresa, e não de forma imediata no próximo ano.
Além da expansão física, há foco na melhoria do modelo operacional da fábrica própria situada no Rio Grande do Norte. No setor financeiro, a estratégia é ampliar ainda mais a atuação da Midway, diversificando produtos para além do crédito de consumo no varejo, buscando gerar retorno até maior do que o atual.
Gestão diante da alta da Selic
A elevada taxa básica de juros, atualmente em 15%, é geralmente vista como um desafio para o varejo. No entanto, a Riachuelo conseguiu entregar resultados sólidos mesmo nesse cenário, chamando atenção no mercado. Um relatório do Itaú BBA apontou que a empresa possui um diferencial competitivo forte, baseado em forças internas que potencializam seu valor acima da média do setor.
Cafruni explica que a empresa conduz seus negócios com responsabilidade, diligência e consistência, características que ajudam a navegar eficientemente mesmo diante dos juros elevados. Ele aponta que o alívio no endividamento das famílias e no consumo tende a acontecer com a eventual redução da Selic, mas destaca que a Riachuelo já atua há vários trimestres em condições de juros altos, crescendo em vendas e margens, e mais que dobrando seu lucro em comparação com o ano anterior.
O CFO deixa claro que, apesar dos bons resultados, a empresa não pretende relaxar sua disciplina operacional nem adotar estratégias de risco. O objetivo é manter consistência e evitar ciclos de altos e baixos. Para Cafruni, a empresa quer evitar “ciclos de bonança seguidos de períodos difíceis”.
Ele acrescenta que a Riachuelo está preparada para crescer caso o cenário macroeconômico melhore, mas também aposta em estabilidade e bons resultados mesmo se as condições permanecerem constantes, reafirmando o compromisso com uma gestão prudente e focada na sustentabilidade de longo prazo.



