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Risco De Ficar Para Trás Na América Latina Com IA

Risco De Ficar Para Trás Na América Latina Com IA

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WEF alerta que maior desafio da América Latina é não ficar atrás na adoção da inteligência artificial

Enquanto o debate global foca frequentemente na ameaça da inteligência artificial (IA) substituir trabalhadores, Agustina Callegari, especialista em governança tecnológica do Fórum Econômico Mundial (WEF) para a América Latina, destaca que o verdadeiro risco para a região não está na perda de empregos para a IA, mas sim na lentidão em absorver essa tecnologia e nos benefícios econômicos que ela pode trazer.

Callegari, que lidera a Coalizão Global do WEF, afirmou em entrevista que o temor comum é de que a IA aumente a desigualdade ao eliminar vagas. No entanto, a questão crucial é o perigo de ser deixado para trás no processo de transformação tecnológica.

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Potencial econômico da IA para a América Latina

Conforme um estudo realizado pelo WEF em parceria com a consultoria McKinsey, a incorporação da IA poderia impulsionar a economia latino-americana de maneira inédita. A especialista explica que a produtividade na região poderia aumentar entre 1,9% e 2,3% ao ano, resultando em um acréscimo estimado entre US$ 1,1 trilhão e US$ 1,7 trilhão ao PIB da América Latina.

Porém, a realidade atual apresenta entraves: somente 23% das organizações que responderam à pesquisa estão realmente gerando valor econômico com a aplicação da IA, e apenas 6% perceberam impactos econômicos diretos atribuíveis à tecnologia.

Infraestrutura e recursos naturais como diferenciais competitivos do Brasil e da região

De acordo com o WEF, a América Latina dispõe de algumas vantagens importantes para disputar a corrida da inteligência artificial global, principalmente em setores ligados a recursos naturais, como mineração, energia, turismo e serviços financeiros. A especialista ressalta que para aproveitar esse potencial é imprescindível investir em infraestrutura, principalmente em capacidade computacional, apoiada em recursos renováveis de energia e água abundantes na região.

Entretanto, sem essa base física essencial, o desenvolvimento da IA pode ser prejudicado.

No cotidiano da região, Callegari observa que há interesse em avançar com IA, mas falta clareza sobre quais prioridades estabelecer ou como estruturar as estratégias para implementação, tanto por governos quanto pelas empresas.

Complexidade do panorama geopolítico e a necessidade de interoperabilidade

Além dos desafios internos, a especialista chama a atenção para o contexto global em que modelos regulatórios distintos para IA estão sendo estabelecidos simultaneamente nos Estados Unidos, Europa e China, criando um cenário fragmentado. O grande desafio, segundo ela, é desenvolver um grau de interoperabilidade internacional para que empresas e governos não precisem lidar com sistemas incompatíveis entre as diferentes jurisdições.

Esse tema tem ganhado destaque dentro do Fórum Econômico Mundial, que tem promovido iniciativas globais voltadas à governança tecnológica junto a atores governamentais e do setor privado.

Desenvolvimento da IA deve ser acompanhado por políticas públicas para evitar aumento das desigualdades

Embora haja otimismo quanto ao impacto econômico positivo da inteligência artificial, Callegari ressalta que sua expansão não gerará benefícios automaticamente. É fundamental que o avanço da tecnologia seja acompanhado de políticas públicas adequadas, programas de educação e esforços para requalificação profissional.

Ela destaca que a questão não é frear o progresso da IA, mas sim refletir para quem essa tecnologia está sendo desenvolvida e quem irá se beneficiar dela, para evitar que o desenvolvimento aprofunde desigualdades sociais já existentes.

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