Riscos do Bitcoin Para Investidores de Varejo Após Impulso Trump

Riscos do Bitcoin Para Investidores de Varejo Após Impulso Trump

Queda do bitcoin revela perigos para investidores de varejo após impulso ligado a Trump

Desde que o bitcoin atingiu seu auge, a criptomoeda teve uma queda de cerca de 50%, colocando em dúvida a estratégia do governo Trump de transformar os Estados Unidos em um centro global das criptomoedas. Após o entusiasmo gerado pelos fundos negociados em bolsa (ETFs) aprovados em Wall Street, investidores de varejo agora enfrentam perdas significativas, aprendendo de forma dura os riscos desse mercado volátil.

O bitcoin, que chegou a ser cotado em torno de US$ 63.000 antes de se recuperar levemente para cerca de US$ 69.000 no dia 6 de fevereiro de 2026, sofreu uma desvalorização severa. Outros criptoativos menores tiveram desempenho ainda pior, com um índice que acompanha 50 tokens alternativos recuando 67% desde seu pico em outubro, fazendo o mercado perder mais de US$ 700 bilhões em valor total na última semana.

Essa queda abrupta acontece mesmo após a gestão Trump ter sinalizado prioridade para ativos digitais na infraestrutura nacional, incentivando reguladores a autorizar uma gama crescente de ETFs ligados a criptomoedas. Gestores aproveitaram para lançar fundos não apenas vinculados ao bitcoin, mas também a criptomoedas mais arriscadas, oferecendo estratégias variadas que envolvem especulação, temas específicos e geração de renda.

No entanto, para muitos investidores de varejo, a maior institucionalização do setor não tem sido um escudo contra a volatilidade. Nate Geraci, presidente da NovaDius Wealth Management, destaca que ter um governo favorável às criptomoedas não elimina as quedas bruscas do mercado, algo inevitável em qualquer classe de ativos e fora do controle de autoridades e reguladores.

Dados da empresa de análise Glassnode indicam que o preço médio pago por detentores americanos de ETFs de bitcoin à vista é de aproximadamente US$ 84.100, superior ao preço atual, o que revela que muita gente está no prejuízo. Para investidores habituados ao mercado, isso faz parte do ciclo, mas para quem entrou recentemente, atraído pela validação institucional, a decepção é maior.

A euforia vista durante o rali logo após a posse de Trump, impulsionada pelo seu apoio público às criptomoedas e pelo ambiente regulatório positivo, já deu lugar a um momento de estagnação e retração. Os fluxos de capital secaram, a liquidez diminuiu e a narrativa otimista perdeu força. Investidores agora aguardam por um novo movimento que justifique confiança ou, alternativamente, um novo ponto de capitulação.

Somente na quarta-feira, mais de US$ 740 milhões foram retirados de mais de 140 ETFs temáticos de criptoativos, totalizando quase US$ 4 bilhões em três meses, segundo a Bloomberg. Saídas significativas ocorreram tanto em produtos ligados ao bitcoin quanto em fundos com Ether, XRP, Solana e outras combinações de moedas.

Até mesmo investidores veteranos do setor foram surpreendidos pela velocidade da queda. Bruno Ver, detentor do token WLFI vinculado à World Liberty Financial, associação ligada a Trump, afirmou não esperar a ocorrência de um mercado em baixa tão rapidamente, destacando que o ciclo atual pode representar um amadurecimento do mercado.

Para ele, o golpe é mais doloroso para os investidores que compraram perto do topo, especialmente aqueles que adquiriram bitcoin a US$ 120 mil, os quais enfrentam uma frustração ainda maior. Mesmo assim, Ver considera que a culpa não deve recair sobre Trump ou políticos, e sim sobre decisões individuais de investimento.

Defensores dos ETFs de criptomoedas sustentam que perdas desse tipo fazem parte da dinâmica normal do mercado. O bitcoin enfrentou quedas históricas superiores a 70% diversas vezes, mostrando capacidade de recuperação e crescimento correto a longo prazo. Assim, veem as correções recentes não como crise, mas como oportunidades para recomprar ativos a preços mais atrativos.

Os fundos negociados em bolsa são considerados por esses especialistas como instrumentos que proporcionam acesso seguro e regulado a um mercado naturalmente volátil. Não se espera que fundos de ações protejam investidores contra colapsos de setores específicos, então o mesmo princípio se aplica ao universo cripto. Além disso, nem todos os tokens oferecem a mesma liquidez ou estabilidade; bitcoin, com maior adoção institucional, é distinto de outros ativos mais voláteis como o dogecoin.

Entretanto, as dificuldades financeiras enfrentadas por algumas grandes empresas do setor são evidentes. A Strategy, que gerencia a maior tesouraria corporativa de criptomoedas do mundo, anunciou um prejuízo líquido de US$ 12,4 bilhões no último trimestre, causado pela depreciação de seus ativos digitais.

Empresas associadas à família Trump também sofreram baixas recentes. A American Bitcoin Corp., cofundada por Eric Trump, viu suas ações despencarem novamente, enquanto o token da World Liberty Financial perdeu mais de 25% de seu valor na última semana.

Para os investidores iniciantes, que interpretaram o apoio presidencial como garantia de estabilidade e preço mínimo, esta queda serve como um alerta claro: embora o governo possa fornecer marco regulatório e legitimidade, não pode garantir proteção contra a volatilidade do mercado.

Com o enfraquecimento do impulso inicial e o desfecho do uso excessivo de alavancagem, o ciclo de alta das criptomoedas na era Trump está cedendo espaço a uma dura reavaliação, oferecendo também uma lição sobre os limites da especulação.

Segundo Peter Atwater, fundador da Financial Insyghts, a história revela que governos e reguladores frequentemente adotam políticas permissivas justamente quando o otimismo está no auge, citando exemplos como a revogação da Glass–Steagall e a consolidação entre bancos comerciais e de investimento pouco antes da crise das pontocom, assim como aconteceu antes da crise financeira global.

Ele observa que a atitude de manter o mercado em alta até o limite é comum em Washington, o que torna o atual ajuste acentuado no setor cripto algo esperado diante do padrão histórico.

Este texto contou com colaboração de Lu Wang e Denitsa Tsekova.

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