Tarifaço de Trump causa queda de 18,7% nas exportações brasileiras para os EUA no 1º trimestre
Fluxo comercial entre Brasil e Estados Unidos diminui 14,8%
As exportações do Brasil para os Estados Unidos apresentaram uma redução de 18,7% no primeiro trimestre de 2026, somando US$ 7,78 bilhões, conforme dados publicados na terça-feira, 7, pela Secretaria de Comércio Exterior.
No mesmo período, as importações provenientes dos EUA também caíram, registrando uma retração de 11,1% e totalizando US$ 9,17 bilhões, o que gerou um déficit comercial bilateral de US$ 1,39 bilhão. A corrente de comércio entre as duas nações sofreu uma queda de 14,8%, indicando um desaquecimento nas relações comerciais.
Essa diminuição foi influenciada pela implementação de tarifas adicionais pelos Estados Unidos no último ano. Durante o aumento da tensão comercial, o ex-presidente Donald Trump impôs sobretaxas sobre vários parceiros comerciais, incluindo o Brasil, onde algumas exportações chegaram a ser taxadas em até 40%.
Mesmo após a decisão da Suprema Corte dos EUA, em fevereiro, que declarou ilegais algumas dessas tarifas mais altas, o comércio bilateral permanece afetado. A tarifa emergencial remanescente de 10%, juntamente com o cenário de incertezas jurídicas, continuam impactando negativamente as relações comerciais.
O impacto foi especialmente notório nos setores de aço, alimentos e produtos industrializados, que perderam competitividade diante do mercado americano.
Dados de março reforçam tendência
Em março, as exportações brasileiras destinadas aos EUA foram de US$ 2,89 bilhões, uma queda de 9,1% na comparação anual. As importações dos EUA totalizaram US$ 3,31 bilhões, caindo 6,3%, o que resultou num déficit mensal de US$ 420 milhões. A corrente de comércio naquele mês foi de US$ 6,21 bilhões, com redução de 7,6%.
Empresas buscam novos mercados
Frente às barreiras comerciais impostas, exportadores brasileiros começaram a buscar outras oportunidades internacionais para compensar a queda nas vendas para os Estados Unidos. Esses desvio dos embarques ajudou a manter o crescimento constante das exportações totais do Brasil.
Apesar da diminuição parcial das tarifas após o julgamento judicial, as empresas ainda manifestam preocupações quanto à estabilidade e previsibilidade das normas comerciais, o que limita a recuperação plena do comércio com os EUA.
Apesar do enfraquecimento nas relações comerciais com os Estados Unidos, a balança comercial brasileira apresentou superávit de US$ 6,4 bilhões em março, com exportações totais de US$ 31,6 bilhões e importações somando US$ 25,2 bilhões.
Na comparação com o mesmo período do ano anterior, as exportações tiveram crescimento de 10%, enquanto as importações avançaram 20,1%. Esse desempenho foi impulsionado principalmente pela indústria extrativa, com destaque para petróleo e minério de ferro, bem como avanços na indústria de transformação e na agropecuária.



