Toyota RAV4 abandona tecnologia plug-in para competir com marcas chinesas e busca dobrar vendas
A Toyota lançou no Brasil o novo RAV4, que deixa de oferecer a versão híbrida plug-in, introduzida em 2024, para focar exclusivamente em modelos híbridos convencionais. O objetivo da marca é disponibilizar duas versões do SUV com preços mais acessíveis, a versão de entrada S partindo de R$ 317.190 e a topo SX custando R$ 349.290, buscando uma oferta competitiva frente aos concorrentes chineses que apresentam veículos híbridos e elétricos com preços agressivos.
A ausência do sistema plug-in significa que a nova geração do RAV4 não permite o carregamento da bateria por meio de tomada elétrica, embora o conjunto híbrido tenha ganho potência e melhor desempenho.
Estratégia para enfrentar marcas chinesas no mercado brasileiro
A decisão da Toyota está relacionada à forte presença de fabricantes chineses no Brasil que oferecem SUVs híbridos plug-in e elétricos com preços abaixo de R$ 300 mil, acompanhados de garantias ampliadas e rede de concessionárias já consolidada. O modelo plug-in do RAV4, lançado há dois anos, tinha preço em torno de R$ 400 mil, posicionamento pouco competitivo diante deste cenário.
Além disso, para atestar sua estratégia voltada ao custo-benefício, a Toyota reduziu significativamente o valor da primeira revisão do veículo. Mantendo revisões anuais, o custo da manutenção por mês durante cinco anos será de apenas R$ 85.
Meta audaciosa para o novo RAV4
Executivos da Toyota declararam publicamente o objetivo de duplicar as vendas do RAV4 no Brasil em 2026, uma manifestação incomum no setor automotivo. Em 2025, foram emplacadas 2.981 unidades do SUV; para este ano, a expectativa é alcançar 6 mil veículos comercializados.
Para efeito de comparação, apenas nos primeiros três meses de 2026, a chinesa BYD vendeu 1.546 unidades do Song Plus Premium DM-i, um SUV híbrido plug-in avaliado em R$ 299 mil, demonstrando a forte concorrência no segmento.
Equipamentos e tecnologias presentes
O novo RAV4 surge com um bom conjunto de itens na versão topo de linha, que adiciona recursos como bancos traseiros com aquecimento, head-up display e teto solar panorâmico. Embora alguns desses elementos possam não justificar o preço de R$ 350 mil, os avanços na segurança e tecnologia chamam atenção, com câmera 360 graus, farol alto adaptativo e sensor de chuva disponíveis.
Design e interior com foco na simplicidade e funcionalidade
Internamente, o RAV4 privilegia a usabilidade e sensação de segurança, evitando tendências de design exageradas. O painel central possui comandos grandes e intuitivos que controlam modos de condução, câmeras e assistente de descida. Apesar de manter uma alavanca tradicional para o câmbio, o volante inclui botões simples e práticos para o motorista.
O sistema de ar-condicionado é ajustável via tela, cujos controles permanecem visíveis constantemente, enquanto a versão SX conta com GPS integrado e display maior. O espaço para passageiros no banco traseiro é satisfatório, com saídas de ar e boa visibilidade, mas não há opção de sete lugares, o que pode desagradar alguns compradores.
O porta-malas inclui abertura elétrica e, na versão topo, o mecanismo autoabre ao detectar o movimento do pé sob o para-choque.
Visual externo com linhas angulares e esportivas
O design do novo RAV4 passa por uma renovação com traços mais marcantes e agressivos, contrastando com o modelo anterior, que tinha aparência mais arredondada. O capô apresenta vincos pronunciados, o para-choque dianteiro exibe cortes acentuados e a grade frontal parece perfurada com golpes precisos, conforme a linguagem visual descrita pela Toyota como “hammerhead” (cabeça de martelo).
Nas laterais, o visual continua afiado, complementado por rodas de 20 polegadas que reforçam seu caráter esportivo. A traseira mantém uma estética mais discreta, com lanternas internas recortadas. As dimensões do SUV quase não mudaram, apenas a altura aumentou em 1 cm.
Desempenho e tecnologia híbrida aprimorada
O veículo mantém o excelente entrosamento entre motor a combustão, câmbio e motores elétricos em um sistema híbrido full que atinge agora 239 cavalos de potência combinada, um aumento em relação aos 222 cv anteriores. Essa é a quinta geração do sistema híbrido da Toyota. Conforme o Inmetro, o consumo em estrada é de 14,1 km/l, mas em testes realizados, o RAV4 conseguiu média próxima a 16 km/l.
A cabine é bem isolada acusticamente, a direção transmite as informações necessárias sem hesitar diante dos sistemas de assistência, como controle de faixa e alerta de ponto cego. A condução mostra a maturidade adquirida pela Toyota após anos refinando este modelo.
Capacidade off-road com assistência eletrônica
Em uma experiência de uso, o SUV enfrentou uma descida íngreme e escorregadia, semelhante a uma trilha lamacenta, na qual as rodas começaram a perder aderência e o veículo começou a desviar da trajetória. O motorista agiu com delicadeza ao frear; o assistente de descida, controlado por um botão acessível, entrou em ação, freando cada roda individualmente.
Com isso, o RAV4 conseguiu descer suavemente a ladeira em torno de 10 km/h, mantendo o alinhamento e estabilidade. Esse tipo de tecnologia é valorizado por oferecer auxílio sem interferências indesejadas quando não necessária.
Conclusão
Com um conjunto robusto, boa relação custo-benefício e uma estratégia clara para se posicionar frente ao avanço das marcas chinesas, a Toyota mostra confiança em dobrar as vendas do RAV4 no Brasil, mesmo abrindo mão da tecnologia plug-in. A marca confia que seu público-alvo continuará preferindo o SUV, devido à combinação de qualidade, tecnologia e estilo oferecidos.



