Do pico histórico ao mercado em baixa: a trajetória do bitcoin (BTC) e das criptomoedas em 2025
O encerramento de 2025 representou uma montanha-russa para os investidores do universo das criptomoedas, especialmente para o bitcoin (BTC), a principal moeda digital do mercado. No início do ano, o bitcoin estava cotado em cerca de US$ 93 mil, alcançando o pico recorde de US$ 125 mil em outubro, para depois recuar para valores próximos a US$ 90 mil em dezembro.
Essa variação resultou em uma desvalorização anual aproximada de 5% para o bitcoin. Enquanto isso, entre as maiores criptomoedas, o Binance Coin (BNB) teve destaque positivo, crescendo 22% durante o período, impulsionado pelo aumento da demanda na blockchain da Binance.
Por outro lado, moedas como Solana (SOL), Cardano (ADA) e Dogecoin (DOGE) sofreram perdas significativas, registrando quedas de 33%, 58% e 60%, respectivamente, conforme dados do Coin Market Cap.
Para quem acompanha apenas os preços, o cenário pode parecer negativo, mas 2025 foi fundamental para fortalecer e consolidar o ecossistema das criptomoedas como um todo.
Bitcoin e criptomoedas em transição no mercado
Um panorama mais aprofundado do ano mostra que o mercado de criptomoedas passou por uma verdadeira “troca de mãos”. De acordo com André Portilho, head de ativos digitais do BTG Pactual, houve uma migração do protagonismo dos investidores de varejo para os grandes investidores institucionais, demonstrando um amadurecimento e maior profissionalização do mercado.
Esse movimento foi fomentado pela chegada de novos instrumentos financeiros, como fundos especializados, fundos negociados em bolsa (ETFs) e outros produtos que demandaram volumes crescentes de compra por parte desses investidores institucionais.
Com isso, o volume de criptomoedas disponível para o varejo diminuiu, gerando uma maior escassez dessas moedas. Além disso, o crescimento das chamadas Treasury Companies, que se concentram na acumulação estratégica de criptomoedas como bitcoin e ethereum, ajudou a reduzir ainda mais a circulação no mercado de varejo, apoiando a valorização ao longo do ano.
Entretanto, essa tendência perdeu força diante da escalada da guerra comercial liderada pelo ex-presidente Donald Trump e dos sinais de desaceleração da economia dos Estados Unidos, que influenciaram as expectativas referentes a cortes nas taxas de juros, provocando um efeito dominó nos valores das criptomoedas.
Novas narrativas e avanços no mercado cripto
Mesmo com as dificuldades apresentadas em 2025, André Portilho destaca que o mercado de criptomoedas evoluiu para além das simples moedas digitais, amadurecendo outras narrativas relacionadas ao setor. Um exemplo marcante é a tokenização de ativos, que tem ganhado corpo e ganhado espaço desde 2017.
O BTG Pactual é pioneiro nesse sentido, com o lançamento do ReitBZ (RBZ), um security token — ou valor mobiliário tokenizado — emitido por um banco tradicional e que distribui dividendos, lançado em 2019.
Portilho explica que a adaptação de produtos tokenizados é um processo gradual que demanda tempo, pois envolve a modernização de toda a infraestrutura dos mercados tradicionais.
Apesar dos desafios, a tokenização de ativos do mundo real (Real World Assets – RWAs) foi uma das grandes pautas do ano. Embora difícil obter dados precisos por ser um mercado descentralizado, o site DeFi Llama indica que produtos tokenizados já somam cerca de US$ 17 bilhões em ativos.
As projeções futuras são otimistas, com iniciativas que indicam a possível tokenização de títulos públicos e ações, incentivadas pela administração Trump, que tem apoiado o desenvolvimento do segmento de ativos digitais.
Assim, 2025 foi um ano de consolidação tanto para o bitcoin como para o universo mais amplo das criptomoedas, marcado pela entrada mais robusta de investidores institucionais, inovação em produtos financeiros e uma maior evolução na digitalização de ativos.



