Vale Deve Trazer 4T Com Minério a Preços Melhores

Vale Deve Trazer 4T Com Minério a Preços Melhores

Vale (VALE3) deve apresentar 4T25 com preços melhores para minério, mas com volumes inferiores

A Vale (VALE3) se encaminha para divulgar seus resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) em um cenário misto. Enquanto os preços do minério de ferro sobem, impulsionados principalmente pelos metais usados na transição energética, a empresa enfrenta um recuo esperado nos volumes, devido a fatores sazonais.

O relatório de produção e vendas referente ao período será divulgado nesta segunda-feira (27), após o fechamento do pregão. Analistas apontam que o destaque desse trimestre estará mais centrado na evolução dos preços do minério do que no crescimento dos volumes.

Perspectiva para minério de ferro

De acordo com estimativas da Genial e do Santander, a produção de minério de ferro deve ficar entre 89 e 90 milhões de toneladas no trimestre, representando uma queda trimestral de cerca de 5%. Essa redução está alinhada com a desaceleração típica do período chuvoso que ocorre no final do ano. Mesmo assim, esse volume deve ser suficiente para a companhia cumprir sua meta anual de produção próxima a 335 milhões de toneladas.

Quanto às vendas, a expectativa é de um desempenho um pouco melhor do que a produção, sustentado pela conversão dos estoques acumulados ao longo do ano. A Genial projeta embarques de 76,2 milhões de toneladas no trimestre, o que corresponde a um crescimento de 1,6%. Por outro lado, o Santander estima 83,8 milhões de toneladas considerando minério e pelotas, mantendo-se estável em relação ao trimestre anterior. Essa melhora indica uma aproximação maior entre produção e vendas no período.

Destaque para os preços ao invés dos volumes

Apesar da redução nos volumes de produção em comparação ao trimestre anterior, o ambiente de preços permanece favorável. O Santander avalia que este será um trimestre positivo para o minério de ferro, devido a preços mais altos e uma demanda sólida. Do mesmo modo, a Genial destaca que o preço médio realizado deve se situar entre US$ 95 e US$ 96 por tonelada, impulsionado pela valorização do benchmark 62% Fe ao longo do trimestre.

No segmento de pelotas, a abordagem é mais cautelosa. Ambos os bancos ressaltam que os prêmios continuam historicamente baixos, restringindo a atratividade desse produto. A Genial observa que a Vale segue uma estratégia disciplinada na oferta de pelotas, focando em preservar margens e realocando parte do pellet feed para o mercado de finos, diante da demanda ainda fraca em regiões como Europa e Japão.

Metais para transição energética devem apresentar melhora

Em relação aos metais utilizados na transição energética, a perspectiva é mais positiva. Projeções de Santander e Genial indicam que a produção de cobre no 4T25 ficará entre 98 mil e 101 mil toneladas, representando crescimentos trimestrais de 8% e 11%, respectivamente.

Quanto ao preço do cobre, a Genial estima que será realizado em torno de US$ 10.663 por tonelada, o que equivale a um aumento de aproximadamente 8,6% em relação ao trimestre anterior e 16,1% no comparativo anual. Já o Santander projeta o metal operando na faixa de US$ 11.000 por tonelada.

O Santander avalia que “o cobre deve ser o principal impulsionador da melhora sequencial do Ebitda, beneficiado tanto pela elevação dos volumes quanto pelos preços mais altos”.

Para o níquel, a expectativa é de produção na faixa de 44 mil a 45 mil toneladas, com vendas ligeiramente superiores à produção, refletindo a redução de estoques no final do ano. Mesmo assim, os analistas destacam que o segmento ainda está pressionado pelo excesso de oferta global, o que mantém as margens sob pressão.

De forma consolidada, a leitura compartilhada pelos bancos Santander e Genial é que o último trimestre de 2025 da Vale será marcado por volumes menores em produtos ferrosos — conforme previsto —, preços mais elevados e uma maior contribuição dos metais vinculados à transição energética.

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