{"id":3767,"date":"2026-02-04T07:26:14","date_gmt":"2026-02-04T10:26:14","guid":{"rendered":"https:\/\/startrico.com.br\/noticias\/milei-busca-dolares-secretos\/"},"modified":"2026-02-04T07:26:14","modified_gmt":"2026-02-04T10:26:14","slug":"milei-busca-dolares-secretos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/startrico.com.br\/noticias\/milei-busca-dolares-secretos\/","title":{"rendered":"Milei Busca D\u00f3lares Secretos De Argentinos Para Reformas Econ\u00f4micas"},"content":{"rendered":"<h2>Milei busca US$ 250 bilh\u00f5es que argentinos mant\u00eam escondidos em segredo<\/h2>\n<p>O presidente argentino est\u00e1 empenhado em recuperar os d\u00f3lares americanos h\u00e1 muito guardados em locais inusitados, como ursos de pel\u00facia e cofres caseiros, com o intuito de avan\u00e7ar em sua agenda de reformas econ\u00f4micas pr\u00f3-mercado.<\/p>\n<p>Javier Milei, l\u00edder libert\u00e1rio da Argentina, que j\u00e1 conquistou apoio do ex-presidente dos EUA, Donald Trump, e atraiu investidores internacionais, agora enfrenta o desafio de persuadir os argentinos, cansados de crises econ\u00f4micas, a deixarem de esconder d\u00f3lares em suas resid\u00eancias.<\/p>\n<p>Estima-se que os argentinos guardem mais de US$ 250 bilh\u00f5es em dinheiro vivo ocultos em casa, contas no exterior e cofres particulares \u2014 um montante aproximadamente seis vezes maior que as reservas do Banco Central do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Dois anos ap\u00f3s o in\u00edcio do governo de Milei, observa-se que a popula\u00e7\u00e3o est\u00e1 gradualmente relaxando sua forte reten\u00e7\u00e3o dessas economias em d\u00f3lar.<\/p>\n<p>O volume de d\u00f3lares mantidos em bancos argentinos por investidores privados atingiu, ao final do ano passado, um recorde de quase US$ 37 bilh\u00f5es, representando um aumento de 160% desde que Milei assumiu a presid\u00eancia em dezembro de 2023, conforme dados oficiais do Banco Central.<\/p>\n<p>Nas avenidas arborizadas de Buenos Aires, cresce o otimismo \u00e0 medida que o governo reduz restri\u00e7\u00f5es financeiras, estimulando os cidad\u00e3os a investirem, at\u00e9 ent\u00e3o, recursos n\u00e3o declarados em bens diversos, como autom\u00f3veis e im\u00f3veis.<\/p>\n<p>\u201cOs clientes est\u00e3o mais confiantes e sentem menos necessidade de esconder seu dinheiro\u201d, relatou Fabian Luciani, vendedor de carros com 25 anos de experi\u00eancia na cidade. Ele mencionou que mais da metade de seus compradores utiliza dinheiro em esp\u00e9cie, frequentemente com d\u00f3lares que suas fam\u00edlias guardaram em esconderijos por anos.<\/p>\n<p>Luciani aponta que as c\u00e9dulas muitas vezes exibem manchas amareladas ou marrons, consequ\u00eancia do contato com a umidade t\u00edpica dos locais onde ficaram armazenadas.<\/p>\n<p>Guardar d\u00f3lares \u201cdebaixo do colch\u00e3o\u201d ou fora do sistema financeiro formal \u00e9 uma pr\u00e1tica arraigada na Argentina, fruto das fortes oscila\u00e7\u00f5es do peso, bloqueios banc\u00e1rios e controles de capital que abalaram a confian\u00e7a no sistema banc\u00e1rio durante d\u00e9cadas.<\/p>\n<p>Mesmo assim, esconder dinheiro literalmente debaixo do colch\u00e3o \u00e9 arriscado, pois \u00e9 o primeiro lugar que criminosos costumam procurar.<\/p>\n<p>H\u00e9ctor Orsenigo exemplifica a criatividade das pessoas ao contar que guardava seus d\u00f3lares dentro do tubo met\u00e1lico do p\u00e9 de uma cadeira. Ele come\u00e7ou a acumular a moeda americana logo ap\u00f3s a crise financeira de 2001, quando o governo congelou dep\u00f3sitos, bloqueando saques e eliminando as economias pessoais de muitos argentinos, gerando protestos e consequ\u00eancias graves.<\/p>\n<p>Outros relatos de esconderijos incluem tetos falsos, caixas de descarga e at\u00e9 dentro de eletrodom\u00e9sticos, criando um folclore que reflete o trauma de repetidas crises econ\u00f4micas.<\/p>\n<p>Trazer esses d\u00f3lares ocultos de volta ao sistema banc\u00e1rio, ainda que temporariamente, representaria um avan\u00e7o significativo para Milei e seu plano de reformar profundamente a segunda maior economia da Am\u00e9rica do Sul. Mais d\u00f3lares dispon\u00edveis nos bancos poderiam ampliar o cr\u00e9dito e o financiamento \u00e0s exporta\u00e7\u00f5es, favorecendo o crescimento e atenuando os impactos das medidas de austeridade.<\/p>\n<p>\u201cDeposite seus d\u00f3lares no banco&#8230; assim como em qualquer outro lugar do mundo!\u201d, declarou recentemente o ministro da Economia, Luis Caputo.<\/p>\n<p>Anteriormente, retirar dinheiro dessas reservas ocultas envolvia riscos legais, pois o uso de valores n\u00e3o declarados poderia resultar em processos fiscais. Muitos preferiam perder o dinheiro a enfrentar a burocracia e penalidades, segundo Juan Truffa, diretor da consultoria Outlier.<\/p>\n<p>Ele relembra que, no in\u00edcio de sua carreira banc\u00e1ria, uma enchente quase destruiu os cofres subterr\u00e2neos onde estavam guardados milh\u00f5es de d\u00f3lares em esp\u00e9cie, que seus donos continuavam a manter fora do sistema financeiro formal.<\/p>\n<p>Contudo, o governo de Milei est\u00e1 alterando o cen\u00e1rio fiscal. Em dezembro, o Congresso aprovou uma lei que eleva o limite para crimes de evas\u00e3o fiscal, permitindo que argentinos usem at\u00e9 US$ 70 mil, em alguns casos, sem a necessidade de declarar a origem do dinheiro \u2014 uma mudan\u00e7a significativa em rela\u00e7\u00e3o ao limite anterior de US$ 1 mil.<\/p>\n<p>Embora a implementa\u00e7\u00e3o da lei leve meses, uma anistia fiscal promovida em 2024 j\u00e1 havia retornado cerca de US$ 24 bilh\u00f5es ao sistema financeiro e incentivado a declara\u00e7\u00e3o de aproximadamente 55 mil im\u00f3veis, conforme informa\u00e7\u00f5es oficiais.<\/p>\n<p>Um exemplo foi o caso de uma resid\u00eancia no Uruguai, pertencente a um cliente do arquiteto e incorporador Gerardo Keselman, que, gra\u00e7as \u00e0 anistia, conseguiu vender o im\u00f3vel e transferir os recursos para a Argentina, investindo em novos empreendimentos residenciais.<\/p>\n<p>Keselman espera que a nova legisla\u00e7\u00e3o aumente ainda mais os investimentos no mercado imobili\u00e1rio, ressaltando que quem guarda dinheiro prefere investir em bens tang\u00edveis, como im\u00f3veis, em vez de confiar totalmente nos bancos.<\/p>\n<p>A expans\u00e3o do emergente mercado hipotec\u00e1rio argentino tamb\u00e9m deve favorecer essas tend\u00eancias.<\/p>\n<p>Ao longo dos anos, a Argentina j\u00e1 promoveu diversas anistias fiscais, mas muitas vezes as regras eram revertidas pelos governos posteriores, que voltavam a perseguir os contribuintes que declaravam seus bens e valores anteriormente escondidos.<\/p>\n<p>No entanto, a legisla\u00e7\u00e3o atual, apoiada por Milei, promete mudan\u00e7as mais profundas. Segundo Truffa, a nova regra transfere o \u00f4nus da prova \u00e0 autoridade fiscal para demonstrar irregularidades, liberando o poupador da obriga\u00e7\u00e3o de comprovar a licitude dos recursos, o que tem incentivado um novo clima de confian\u00e7a.<\/p>\n<p>Por outro lado, nem todos compartilham deste otimismo. Alguns argentinos ainda mant\u00eam h\u00e1bitos de economizar em casa devido ao trauma hist\u00f3rico e \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o familiar transmitida por gera\u00e7\u00f5es, conforme destaca Gustavo Lazzari, economista e empres\u00e1rio no setor aliment\u00edcio.<\/p>\n<p>Milagros Gavil\u00e1n, uma jovem de 19 anos que trabalha em um bar no centro de Buenos Aires, relata que, embora raramente tenha dinheiro para poupar, quando consegue, costuma esconder algumas c\u00e9dulas entre as roupas, pr\u00e1tica aprendida com sua av\u00f3, que guardava notas dentro de uma B\u00edblia.<\/p>\n<p>Muitos argentinos guardam lembran\u00e7as de quando, ainda crian\u00e7as, descobriam os segredos financeiros dos seus pais, como Patricia Fern\u00e1ndez, funcion\u00e1ria p\u00fablica, que se recorda de encontrar uma bolsa escondida atr\u00e1s da persiana em casa.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, algumas fam\u00edlias ainda mant\u00eam d\u00f3lares em objetos passados por parentes falecidos h\u00e1 muito tempo.<\/p>\n<p>Na regi\u00e3o central de Buenos Aires, o servi\u00e7o de aluguel de cofres de seguran\u00e7a da empresa Ingot \u00e9 um indicativo da confian\u00e7a no governo. Juan Piantoni, diretor-executivo da empresa, conta que neg\u00f3cios prosperaram na \u00faltima d\u00e9cada devido \u00e0 desconfian\u00e7a generalizada nas institui\u00e7\u00f5es banc\u00e1rias, mas agora prev\u00ea uma queda de at\u00e9 15% na demanda por cofres neste ano.<\/p>\n<p>A Ingot tem buscado incentivar os argentinos a utilizarem os cofres para guardar outros itens pessoais, como cartas e fotografias, ao inv\u00e9s de mant\u00ea-los em casa, evitando riscos desnecess\u00e1rios.<\/p>\n<p><i>Contato: Samantha Pearson &#8211; samantha.pearson@wsj.com<\/i><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/investnews.com.br\/the-wall-street-journal\/milei-caca-us-250-bilhoes-que-argentinos-guardam-em-esconderijos-secretos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fonte<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>D\u00f3lares secretos de argentinos somam US$ 250 bilh\u00f5es escondidos, que Milei busca captar para fortalecer a economia e aliviar crises financeiras 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