{"id":5205,"date":"2026-04-15T07:36:10","date_gmt":"2026-04-15T10:36:10","guid":{"rendered":"https:\/\/startrico.com.br\/noticias\/cfo-pare-de-ganhar\/"},"modified":"2026-04-15T07:36:10","modified_gmt":"2026-04-15T10:36:10","slug":"cfo-pare-de-ganhar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/startrico.com.br\/noticias\/cfo-pare-de-ganhar\/","title":{"rendered":"CFO Pare De Ganhar Dinheiro Com O Caixa Da Empresa"},"content":{"rendered":"<h2>Diretor Financeiro, pare de tentar ganhar dinheiro com o caixa da empresa<\/h2>\n<h3>Caixa da empresa deve estar em ativos de renda fixa, altamente l\u00edquidos, com m\u00ednimo risco de cr\u00e9dito e controle rigoroso do risco de mercado<\/h3>\n<p>Por Hugo Daniel Azevedo \u2014 S\u00e3o Paulo<\/p>\n<p>15\/04\/2026 06h56 Atualizado agora<\/p>\n<p>Um conselho que repito h\u00e1 muitos anos, mas que ainda \u00e9 frequentemente ignorado \u00e9: o caixa da empresa n\u00e3o serve para gerar retorno financeiro, mas sim para garantir sua seguran\u00e7a. Se essa ideia parece estranha, \u00e9 importante continuar lendo e entender o porqu\u00ea.<\/p>\n<p>Durante minha trajet\u00f3ria profissional, testemunhei muitos CFOs, diretores e gerentes financeiros, de organiza\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios portes, inclusive de companhias listadas na Bolsa, cometendo erros na administra\u00e7\u00e3o do caixa. Alguns desses erros eram sofisticados e outros mais elementares, mas quase todos tinham a mesma origem: tratar o caixa da empresa como se fosse uma carteira de investimentos. Isso n\u00e3o \u00e9 correto, nunca foi, e geralmente indica o caminho errado.<\/p>\n<p>O problema geralmente come\u00e7a com uma pergunta aparentemente inocente: \u201cquanto estamos rendendo acima do CDI?\u201d. Quando essa quest\u00e3o passa a direcionar as decis\u00f5es, o foco desloca-se da prote\u00e7\u00e3o para o retorno. E, como em quase tudo nas finan\u00e7as, essa mudan\u00e7a de foco tem um custo \u2014 que muitas vezes n\u00e3o \u00e9 imediatamente percebido.<\/p>\n<p>\u00c9 nesse ponto que surgem os desvios mais perigosos. Empresas que deveriam manter seu caixa em ativos l\u00edquidos e previs\u00edveis come\u00e7am a alocar recursos em produtos estruturados, como COEs, muitas vezes sem as contrapartidas adequadas. Em algumas situa\u00e7\u00f5es, at\u00e9 destinam parte do caixa para a\u00e7\u00f5es ou fundos de a\u00e7\u00f5es como se estivessem gerenciando um portf\u00f3lio de longo prazo. N\u00e3o h\u00e1 muito espa\u00e7o para an\u00e1lises sofisticadas: isso n\u00e3o \u00e9 gest\u00e3o de caixa corporativo, \u00e9 um erro grave.<\/p>\n<p>O caixa corporativo n\u00e3o precisa \u2014 e nem deve \u2014 assumir esse tipo de risco. N\u00e3o importa se o produto \u00e9 bom ou ruim. Um COE pode fazer sentido para um investidor espec\u00edfico que tem total compreens\u00e3o do ativo. Uma a\u00e7\u00e3o pode ser um \u00f3timo investimento no longo prazo. Um fundo de a\u00e7\u00f5es pode apresentar bons resultados sustent\u00e1veis no tempo. No entanto, nenhuma dessas op\u00e7\u00f5es combina com a necessidade e finalidade do caixa empresarial.<\/p>\n<p>Existe uma regra muito simples \u2014 at\u00e9 inc\u00f4moda pela sua evidente obviedade \u2014 que deve nortear qualquer decis\u00e3o da tesouraria: o caixa da empresa precisa estar alocado em ativos de renda fixa, com liquidez muito alta, risco de cr\u00e9dito quase inexistente e risco de mercado controlado. Qualquer desvio dessa regra deveria ser uma exce\u00e7\u00e3o justificada com muito cuidado.<\/p>\n<p>Basicamente, toda aplica\u00e7\u00e3o do caixa envolve quatro tipos simult\u00e2neos de risco: liquidez, cr\u00e9dito, mercado e operacional. Eles s\u00e3o inerentes e insepar\u00e1veis ao investimento. Quando uma empresa se distancia dessa premissa fundamental, ao investir caixa em ativos inadequados, ela est\u00e1, na pr\u00e1tica, aumentando todos esses riscos de forma simult\u00e2nea.<\/p>\n<p>O conceito de liquidez, por exemplo, costuma ser mal interpretado e simplificado de maneira perigosa. Liquidez n\u00e3o \u00e9 apenas o prazo para resgatar o investimento. Liquidez \u00e9 realmente a capacidade de converter o ativo em dinheiro sem que o pre\u00e7o seja afetado de forma significativa. Pode parecer \u00f3bvio, mas passa a ser um problema quando a empresa precisa do dinheiro e percebe que aquilo que parecia l\u00edquido na teoria n\u00e3o se confirma na pr\u00e1tica \u2014 especialmente quando o ativo n\u00e3o conta com um mercado profundo.<\/p>\n<p>O risco de cr\u00e9dito \u00e9 ainda mais sutil. Existe uma cren\u00e7a disseminada de que certas opera\u00e7\u00f5es s\u00e3o \u201cseguras por natureza\u201d. Isso inclui opera\u00e7\u00f5es compromissadas. Entretanto, h\u00e1 um aspecto t\u00e9cnico que raramente \u00e9 discutido: mesmo em opera\u00e7\u00f5es compromissadas, apesar de existir colateral, h\u00e1 exposi\u00e7\u00e3o ao risco de cr\u00e9dito do emissor do lastro. Enquanto o papel estiver na carteira da empresa, essa exposi\u00e7\u00e3o existe. O prazo para recompra n\u00e3o elimina o risco. Ignorar isso n\u00e3o reduz o risco, apenas faz com que a empresa o desconhe\u00e7a.<\/p>\n<p>O risco de mercado geralmente surge de maneira despercebida. A cren\u00e7a de que ativos p\u00f3s-fixados n\u00e3o apresentam risco \u00e9 confort\u00e1vel, por\u00e9m equivocada. Dependendo das condi\u00e7\u00f5es econ\u00f4micas, a marca\u00e7\u00e3o a mercado pode gerar impactos significativos, tanto em t\u00edtulos p\u00fablicos quanto privados, seja de forma direta ou atrav\u00e9s de fundos.<\/p>\n<p>O risco operacional talvez seja o mais negligenciado. Falta de controles adequados, aus\u00eancia de processos eficientes, erros humanos, falhas tecnol\u00f3gicas ou at\u00e9 mesmo m\u00e1 f\u00e9 podem ocasionar perdas consider\u00e1veis. A hist\u00f3ria do mercado financeiro est\u00e1 cheia de epis\u00f3dios em que preju\u00edzos n\u00e3o decorreram da m\u00e1 decis\u00e3o de investimento, mas sim de falhas operacionais. N\u00e3o existe nenhum motivo para acreditar que empresas estejam livres desses riscos.<\/p>\n<p>No fim, o maior erro que engloba todos os outros \u00e9 investir sem entender exatamente onde est\u00e1 colocando o dinheiro. N\u00e3o ler o regulamento dos produtos, desconhecer o portf\u00f3lio de um fundo, aceitar recomenda\u00e7\u00f5es sem questionar, n\u00e3o saber onde o capital est\u00e1 efetivamente aplicado. Isso acontece com frequ\u00eancia em problemas relacionados \u00e0 gest\u00e3o do caixa corporativo \u2014 e pode ser evitado completamente.<\/p>\n<p>Por isso, a melhor orienta\u00e7\u00e3o, embora simples e paradoxalmente a menos seguida, permanece sendo: n\u00e3o invente. O caixa da empresa deve ser mantido em ativos que ofere\u00e7am alt\u00edssima liquidez, risco m\u00ednimo de cr\u00e9dito e risco de mercado controlado. Qualquer tentativa de \u201cmelhorar\u201d essa estrutura geralmente traz resultados piores.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea ainda tem d\u00favidas, deixo uma \u00faltima reflex\u00e3o: caso o caixa da sua empresa esteja rendendo muito acima do CDI, a quest\u00e3o n\u00e3o deveria ser se isso \u00e9 positivo, mas sim: qual risco oculto est\u00e1 sendo assumido sem que voc\u00ea perceba?<\/p>\n<p><em>Hugo Daniel Azevedo<\/em> \u00e9 gestor de patrim\u00f4nio, consultor CVM, autor de quatro livros sobre finan\u00e7as, professor e s\u00f3cio da MFS Capital.<\/p>\n<p>Instagram: <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/dinheirodescomplica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"> @dinheirodescomplica<\/a><\/p>\n<p><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/s2-valor-investe.glbimg.com\/wrDWApG_w8KfCq1MGdWTtCzMMYU=\/0x0:1103x619\/984x0\/smart\/filters:strip_icc()\/i.s3.glbimg.com\/v1\/AUTH_f035dd6fd91c438fa04ab718d608bbaa\/internal_photos\/bs\/2025\/r\/O\/XG53CWSE6OL0TPdZXg5Q\/hugo-daniel-azevedo.jpg\" alt=\"Hugo Daniel Azevedo \u2014 Foto: Arte\/Valor\"\/><\/p>\n<h3>Quer fazer escolhas melhores em investimentos?<\/h3>\n<p>A plataforma Valor One re\u00fane em um \u00fanico espa\u00e7o diversas ferramentas de an\u00e1lise, pain\u00e9is de fundos, cota\u00e7\u00f5es de a\u00e7\u00f5es, indicadores fundamentalistas, recomenda\u00e7\u00f5es de analistas certificados, cursos e um consolidador de carteira inteligente, tudo com a credibilidade de uma refer\u00eancia em economia e finan\u00e7as no Brasil.<\/p>\n<p>O Valor One oferece uma vers\u00e3o gratuita e planos com recursos avan\u00e7ados para ajudar voc\u00ea a investir com mais seguran\u00e7a e efici\u00eancia.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/assine.valorone.globo.com\/?utm_source=valorinveste.globo.com&#038;utm_medium=referral_globo&#038;utm_campaign=vi_materias_150426\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Conhe\u00e7a o Valor One e comece a usar gratuitamente.<\/a><a 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