{"id":5632,"date":"2026-05-08T07:12:37","date_gmt":"2026-05-08T10:12:37","guid":{"rendered":"https:\/\/startrico.com.br\/noticias\/por-que-o-brasileiro\/"},"modified":"2026-05-08T07:12:37","modified_gmt":"2026-05-08T10:12:37","slug":"por-que-o-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/startrico.com.br\/noticias\/por-que-o-brasileiro\/","title":{"rendered":"Por Que O Brasileiro Segue Endividado Apesar Do Aumento De Renda"},"content":{"rendered":"<h2>Mesmo com aumento na renda e menor desemprego, brasileiros continuam com d\u00edvidas altas<\/h2>\n<p>O governo federal lan\u00e7ou recentemente a segunda edi\u00e7\u00e3o do programa Novo Desenrola Brasil, com o objetivo de aliviar a press\u00e3o financeira que muitas fam\u00edlias enfrentam devido ao endividamento. A a\u00e7\u00e3o deve alcan\u00e7ar at\u00e9 20 milh\u00f5es de pessoas, prevendo a renegocia\u00e7\u00e3o de cerca de R$ 58 bilh\u00f5es em d\u00edvidas, incluindo d\u00e9bitos antigos e recentes.<\/p>\n<p>O endividamento das fam\u00edlias brasileiras tem crescido e atingiu 80,9% em abril, o maior percentual registrado na s\u00e9rie hist\u00f3rica da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio de Bens, Servi\u00e7os e Turismo (CNC). J\u00e1 a inadimpl\u00eancia, ou seja, o atraso no pagamento dos d\u00e9bitos, permanece alta, correspondendo a 29,6% das fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Este quadro de endividamento expressivo ocorre mesmo em um cen\u00e1rio com alguns indicadores econ\u00f4micos positivos, como desemprego em n\u00edveis historicamente baixos, crescimento da renda m\u00e9dia e expans\u00e3o do Produto Interno Bruto (PIB) pelo quinto ano consecutivo. No trimestre encerrado em mar\u00e7o, a taxa de desemprego ficou em 6,1%, e o rendimento mensal m\u00e9dio ultrapassou R$ 3.722, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>Essa situa\u00e7\u00e3o paradoxal leva \u00e0 pergunta: por que o brasileiro permanece endividado apesar do aumento de emprego e renda? A resposta engloba mais do que apenas sal\u00e1rio ou disponibilidade de trabalho, envolvendo fatores como o alto custo de vida, o valor elevado do cr\u00e9dito e a depend\u00eancia de financiamentos para manter o consumo.<\/p>\n<h2>Press\u00e3o econ\u00f4mica e altas taxas de juros dificultam a recupera\u00e7\u00e3o financeira<\/h2>\n<p>Para estimular a economia ap\u00f3s a pandemia, o Brasil chegou a registrar a taxa Selic a 2% ao ano em outubro de 2020, facilitando o acesso ao cr\u00e9dito e incentivando o consumo. No entanto, com a reabertura econ\u00f4mica e a infla\u00e7\u00e3o em disparada entre 2021 e 2022, o Banco Central precisou aumentar com for\u00e7a a taxa de juros, para conter a alta dos pre\u00e7os. A Selic alcan\u00e7ou 13,75% ao ano em agosto de 2022, praticamente encarecendo o cr\u00e9dito e reduzindo o consumo.<\/p>\n<p>O programa Desenrola, iniciado em maio de 2023, conseguiu diminuir temporariamente a inadimpl\u00eancia por meio da renegocia\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas que somaram R$ 53,2 bilh\u00f5es para 15 milh\u00f5es de brasileiros. A expectativa era que a queda dos juros, descendente at\u00e9 chegar perto de 10,5% ao ano em meados de 2024, permitiria \u00e0s fam\u00edlias reorganizar as finan\u00e7as.<\/p>\n<p>Contudo, o efeito foi passageiro, j\u00e1 que fatores externos, como a instabilidade econ\u00f4mica global e eventos pol\u00edticos, provocaram novo aumento da infla\u00e7\u00e3o. Consequentemente, o Banco Central elevou novamente a Selic, alcan\u00e7ando 15% ao ano em junho de 2025, patamar recorde desde 2006.<\/p>\n<p>De acordo com o economista Fl\u00e1vio Ataliba, do FGV Ibre, a melhora recente no mercado de trabalho n\u00e3o foi suficiente para compensar o or\u00e7amento familiar, que permanece apertado devido aos custos elevados e ao peso das d\u00edvidas acumuladas, principalmente desde a pandemia.<\/p>\n<p>Dados do Banco Central mostram que o comprometimento da renda das fam\u00edlias com d\u00edvidas, em especial as banc\u00e1rias, atingiu 29,3% em janeiro deste ano, o maior n\u00edvel registrado historicamente. Portanto, mesmo com alguma renda extra, a maior parte do dinheiro \u00e9 consumida pelo pagamento de despesas b\u00e1sicas como alimenta\u00e7\u00e3o, moradia, transporte e quita\u00e7\u00e3o de d\u00edvidas, sem gerar folga financeira.<\/p>\n<p>Uma pesquisa realizada pela Quaest revelou que 71% dos brasileiros sentem que conseguem comprar menos em rela\u00e7\u00e3o a um ano atr\u00e1s, enquanto apenas 11% acreditam adquirir mais e 17% n\u00e3o notaram mudan\u00e7as.<\/p>\n<h3>Infla\u00e7\u00e3o pressionando os itens essenciais<\/h3>\n<p>O \u00cdndice Nacional de Pre\u00e7os ao Consumidor Amplo (IPCA) do IBGE confirma a alta expressiva nos pre\u00e7os dos alimentos, um dos principais componentes no or\u00e7amento das fam\u00edlias. No lan\u00e7amento do programa Desenrola em maio de 2023, a infla\u00e7\u00e3o dos alimentos acumulava 5,54% nos 12 meses anteriores, chegou a 7,81% em abril de 2025, superando a infla\u00e7\u00e3o geral, que estava em 5,53% no mesmo per\u00edodo.<\/p>\n<p>Produtos b\u00e1sicos, como arroz, tiveram aumentos muito superiores \u00e0 infla\u00e7\u00e3o geral, tendo registrado alta de 74,14% em 12 meses em janeiro de 2021. Outros itens, como feij\u00e3o, leite, frutas e hortali\u00e7as, tamb\u00e9m apresentaram aumentos superiores a 20% em alguns per\u00edodos. Mais recentemente, as carnes lideraram os reajustes dentro dos alimentos, com alta acumulada de 21,17% at\u00e9 janeiro de 2025.<\/p>\n<p>Esses aumentos, aliados \u00e0 maior participa\u00e7\u00e3o das despesas essenciais no or\u00e7amento das fam\u00edlias \u2014 que consumiam 41,8% da renda em mar\u00e7o de 2026 \u2014 tornam dif\u00edcil o aumento do poder de compra e contribuem para o ciclo de endividamento.<\/p>\n<p>Este cen\u00e1rio refor\u00e7a o impacto da infla\u00e7\u00e3o no dia a dia, especialmente para fam\u00edlias j\u00e1 endividadas. Mesmo quando a infla\u00e7\u00e3o geral desacelera, a alta dos itens b\u00e1sicos gera sensa\u00e7\u00e3o imediata de perda de poder aquisitivo, como explica Fl\u00e1vio Ataliba.<\/p>\n<h2>O papel da educa\u00e7\u00e3o financeira no controle do endividamento<\/h2>\n<p>Al\u00e9m das quest\u00f5es econ\u00f4micas, o comportamento financeiro influencia diretamente a persist\u00eancia do endividamento. A economista especialista em finan\u00e7as Ol\u00edvia Resende destaca o chamado vi\u00e9s do presente, que leva as pessoas a focar apenas no valor da parcela mensal, sem considerar o custo total da d\u00edvida.<\/p>\n<p>Ela comenta que os consumidores costumam dividir os gastos em categorias pequenas, perdendo a no\u00e7\u00e3o do conjunto, e acabam comprometendo o or\u00e7amento com presta\u00e7\u00f5es aparentemente pequenas, mas que somadas causam dificuldades.<\/p>\n<p>Ol\u00edvia salienta que o problema n\u00e3o est\u00e1 apenas no custo do cr\u00e9dito, mas em como ele \u00e9 utilizado, pois muitas vezes as pessoas continuam consumindo e recorrendo a empr\u00e9stimos mesmo com juros elevados, sem ajustar seus gastos ou buscar fontes adicionais de renda.<\/p>\n<p>Esse comportamento \u00e9 estimulado, segundo a economista, por fatores externos, como marketing, redes sociais e a facilidade de acesso ao cr\u00e9dito digital.<\/p>\n<p>Uma pesquisa realizada pela Creditas em parceria com\ta Opinion Box apontou que 59% dos brasileiros iniciaram o ano de 2026 sob press\u00e3o financeira, divididos em 34% preocupados, 14% em recupera\u00e7\u00e3o e 11% sob forte press\u00e3o, enquanto apenas 39% sentem ter controle financeiro.<\/p>\n<p>Os principais obst\u00e1culos para um planejamento eficiente apontados s\u00e3o a imprevisibilidade (32%), a falta de disciplina financeira (27%) e a limita\u00e7\u00e3o de renda (25%).<\/p>\n<p>Segundo a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio, o cart\u00e3o de cr\u00e9dito \u00e9 a modalidade de d\u00edvida predominante para 84,9% dos consumidores endividados, evidenciando o uso recorrente desse tipo de cr\u00e9dito, principalmente por meio de parcelamentos.<\/p>\n<p>Ol\u00edvia destaca que educa\u00e7\u00e3o financeira \u00e9 fundamental para reduzir a depend\u00eancia do cr\u00e9dito rumo a um padr\u00e3o de consumo mais sustent\u00e1vel. Sem compreender os limites, as renegocia\u00e7\u00f5es e redu\u00e7\u00f5es de juros t\u00eam efeito tempor\u00e1rio, pois o comportamento financeiro se mant\u00e9m.<\/p>\n<h2>A naturaliza\u00e7\u00e3o do endividamento e o desafio da mudan\u00e7a de mentalidade<\/h2>\n<p>A economista chama aten\u00e7\u00e3o para o fen\u00f4meno de \u201cnormaliza\u00e7\u00e3o do endividamento\u201d, onde a maioria das pessoas enfrenta d\u00edvidas e isso pode gerar um sentimento de conforto, levando \u00e0 perda do senso de urg\u00eancia para buscar solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Nas redes sociais, conte\u00fados que prometem solu\u00e7\u00f5es simples para reduzir d\u00edvidas t\u00eam se popularizado, mas especialistas alertam para os riscos dessas estrat\u00e9gias, pois n\u00e3o significam o cancelamento das obriga\u00e7\u00f5es e podem agravar a situa\u00e7\u00e3o financeira.<\/p>\n<p>Muitas decis\u00f5es financeiras s\u00e3o tomadas com base em impulsos ou necessidades emocionais, sem clareza sobre as condi\u00e7\u00f5es contratuais; isso dificulta o controle dos gastos e contribui para o endividamento.<\/p>\n<p>Para romper esse ciclo, a educac\u00e3o financeira precisa ser incorporada desde a escola e no ambiente familiar, estimulando uma mudan\u00e7a duradoura na maneira como as pessoas lidam com o dinheiro, conforme enfatiza Ol\u00edvia.<\/p>\n<p>Ela refor\u00e7a que, embora as renegocia\u00e7\u00f5es de d\u00edvidas sejam importantes para al\u00edvio imediato, a transforma\u00e7\u00e3o dos h\u00e1bitos \u00e9 essencial para evitar que o problema reapare\u00e7a no futuro. Organizar as finan\u00e7as pessoais envolve o entendimento dos h\u00e1bitos, controle di\u00e1rio dos gastos e redu\u00e7\u00e3o da depend\u00eancia de cr\u00e9dito caro.<\/p>\n<p>Combinar medidas que tragam al\u00edvio financeiro imediato com educa\u00e7\u00e3o cont\u00ednua e mudan\u00e7a de comportamento no longo prazo \u00e9 o caminho para evitar que o superendividamento continue sendo um problema persistente na sociedade brasileira.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/g1.globo.com\/economia\/noticia\/2026\/05\/08\/por-que-o-brasileiro-segue-endividado.ghtml\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Fonte<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Endividamento brasileiro segue alto apesar de maior renda, pressionado por infla\u00e7\u00e3o, juros e consumo consciente. Saiba por qu\u00ea.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":5631,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"site-sidebar-layout":"default","site-content-layout":"","ast-site-content-layout":"default","site-content-style":"default","site-sidebar-style":"default","ast-global-header-display":"","ast-banner-title-visibility":"","ast-main-header-display":"","ast-hfb-above-header-display":"","ast-hfb-below-header-display":"","ast-hfb-mobile-header-display":"","site-post-title":"","ast-breadcrumbs-content":"","ast-featured-img":"","footer-sml-layout":"","theme-transparent-header-meta":"","adv-header-id-meta":"","stick-header-meta":"","header-above-stick-meta":"","header-main-stick-meta":"","header-below-stick-meta":"","astra-migrate-meta-layouts":"default","ast-page-background-enabled":"default","ast-page-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-5)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"ast-content-background-meta":{"desktop":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"tablet":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""},"mobile":{"background-color":"var(--ast-global-color-4)","background-image":"","background-repeat":"repeat","background-position":"center center","background-size":"auto","background-attachment":"scroll","background-type":"","background-media":"","overlay-type":"","overlay-color":"","overlay-opacity":"","overlay-gradient":""}},"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-5632","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ultimas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/startrico.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5632","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/startrico.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/startrico.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/startrico.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/startrico.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=5632"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/startrico.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/5632\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/startrico.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media\/5631"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/startrico.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=5632"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/startrico.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=5632"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/startrico.com.br\/noticias\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=5632"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}