XP Inc. Supera R$ 2 Tri Em Ativos Totais Com Crescimento Sólido

XP Inc. Supera R$ 2 Tri Em Ativos Totais Com Crescimento Sólido

XP Inc. ultrapassa R$ 2 trilhões em ativos totais e projeta cenário positivo para 2026

Em uma participação no Morning Call XP, o diretor financeiro da empresa, Victor Mansur, apresentou um balanço do desempenho de 2025 e compartilhou as perspectivas da companhia para o ano de 2026.

Resultados operacionais e crescimento em 2025

Apesar de um ambiente econômico desafiador, marcado por juros elevados e incertezas políticas no Brasil e nos Estados Unidos, a XP conseguiu manter sua trajetória de crescimento. Mansur definiu o ano como “muito diferente do que o mercado esperava”, ressaltando que a empresa superou essas adversidades sem maiores impactos negativos.

Os principais números operacionais de 2025 foram:

  • Base de ativos totais dos clientes ultrapassando R$ 2,1 trilhões (considerando AUC, AUM e AUA), atingindo esse patamar pela primeira vez;
  • Aproximadamente 5 milhões de clientes ativos;
  • Rede de cerca de 18 mil assessores de investimento;
  • Mais de 800 centros de investimentos distribuídos pelo Brasil.

O executivo destacou que a XP se firmou como a primeira corretora com modelo de atendimento agnóstico, oferecendo múltiplas modalidades, desde o atendimento transacional até consultoria e gestão de patrimônio. A prioridade da empresa é proporcionar ao cliente total liberdade para escolher seu formato de atendimento, enquanto aposta no fortalecimento do planejamento financeiro, diversificação de carteira (asset allocation) e aprimoramento da qualidade do serviço.

Crescimento financeiro e indicadores positivos

No âmbito financeiro, a XP fechou 2025 registrando:

  • Receita total de R$ 19,5 bilhões, com crescimento anual de 8%;
  • Receita de aproximadamente R$ 5,5 bilhões no quarto trimestre, avanço de 12% em relação ao mesmo período anterior;
  • Lucro antes de impostos de R$ 1,5 bilhão no último trimestre do ano;
  • Lucro líquido de R$ 1,3 bilhão no quarto trimestre.

Mansur ressaltou que, desde a abertura de capital em 2019, o lucro por ação da XP tem crescido na média de 29% ao ano. Esse desempenho é potencializado pelas recompras de ações, que aceleram a valorização do lucro por papel na comparação ao lucro contábil geral.

Outro destaque foi o retorno sobre o patrimônio líquido (ROE), que atingiu 23,9% em 2025, um dos níveis mais elevados do setor financeiro brasileiro. O CFO acrescentou que a XP está entre as instituições financeiras com maior capitalização no país, ostentando um índice de Basileia superior a 20%, o mais alto entre grandes players. Caso operasse com um índice de capital próximo à média do mercado, o ROE ajustado da empresa poderia ultrapassar 30%.

Captação de recursos e fluxo no varejo

A captação manteve-se robusta, alinhada com as expectativas de analistas externos, atingindo fluxo de cerca de R$ 20 bilhões por trimestre no segmento de pessoas físicas. No último trimestre de 2025, os dados consolidados foram:

  • Entradas de R$ 23 bilhões vindas do público de varejo;
  • Saída de aproximadamente R$ 3 bilhões das pequenas e médias empresas (PMEs);
  • Fluxo líquido (net new money) de R$ 20 bilhões no varejo;
  • NNM de R$ 12 bilhões no segmento corporativo;
  • Total de R$ 32 bilhões em fluxo líquido de recursos no trimestre.

O executivo observou que a retirada de recursos das PMEs está parcialmente associada a debates tributários, sobretudo relacionados à taxação de dividendos e impactos da reforma fiscal. Contudo, manteve a confiança na continuidade da forte entrada de recursos no varejo.

Perspectivas para 2026: ambiente externo e oportunidades

Victor Mansur dedicou boa parte da apresentação às projeções para 2026, destacando os seguintes aspectos iniciais do ano:

  • O mercado acionário brasileiro tem apresentado forte valorização, alimentado principalmente pela participação de investidores estrangeiros;
  • Investidores internacionais injetaram quase R$ 20 bilhões em ações;
  • O real se fortaleceu frente ao dólar, acompanhando uma tendência global de moedas emergentes valorizadas;
  • Esse cenário cambial favorável contribui para conter a inflação e cria espaço para a redução das taxas de juros pelo Banco Central.

O CFO acredita que a maior probabilidade é de início do ciclo de cortes na Selic em 50 pontos-base, ao invés de 25, com uma duração do ciclo potencialmente mais longa do que as estimativas do final de 2025. Mesmo com o ano eleitoral, o ambiente macroeconômico tende a ser mais propício para ativos de risco em comparação aos anos anteriores.

Se consolidado, esse contexto favorecerá diretamente:

  • Aumentos nos volumes negociados e nas operações de trading;
  • Incremento nas receitas provenientes de corretagem e distribuição de produtos financeiros;
  • Transição gradual de recursos de renda fixa de prazos muito curtos para prazos mais longos e para investimentos em ativos de maior risco.

Mansur também pontuou uma questão técnica relevante: atualmente, a taxa Selic de curto prazo está acima das taxas de juros de longo prazo, cenário incomum que pode se reverter com os cortes do Banco Central, normalizando a curva de juros e incentivando investidores a optar por aplicações com prazos mais longos. Essa mudança tende a impulsionar a demanda por produtos variados e prazos estendidos, área em que a XP geralmente se destaca.

Resumindo, o CFO declarou: “Pela primeira vez desde 2022, identificamos um efeito positivo: o risco macroeconômico está mais a favor do desempenho da XP do que contra.”

Saúde financeira e política de retorno aos acionistas

Além dos resultados operacionais, a XP reforçou sua política voltada para o retorno àqueles que investem na companhia. Em 2025, alcançou:

  • Lucro superior a R$ 5 bilhões;
  • Distribuição de R$ 2,4 bilhões aos acionistas, sendo cerca de R$ 2 bilhões direcionados à recompra de ações;
  • Nos últimos três a quatro anos, a empresa devolveu ao mercado mais de R$ 10 bilhões somando dividendos e recompras.

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