Seis a cada dez empresas brasileiras investiram em inovação nos últimos três anos, aponta CNI
Uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revela que a maioria das indústrias do Brasil adotou iniciativas de inovação nos últimos três anos. O levantamento ouviu mais de mil empresários para compreender melhor os esforços para fomentar processos inovativos no setor.
De acordo com a pesquisa, 60% das empresas industriais brasileiras implementaram algum tipo de inovação. Entre elas, 25% relataram que esse investimento foi contínuo, enquanto 36% afirmaram que realizaram inovações pontuais. Já 11% informaram que tiveram intenção de investir, mas não conseguiram, e 28% não promoveram inovação nesse período.
A pesquisa abrangeu um total de 1.002 empresas do setor industrial, divididas entre pequenos negócios (502) e médias e grandes organizações (500).
Prioridades na inovação
O estudo aponta que o principal foco das empresas tem sido a modernização interna. Cerca de 69% dos entrevistados buscaram aprimorar processos internos com o objetivo de aumentar a produtividade e diminuir custos, mesmo enfrentando entraves burocráticos e complexidade nos editais públicos para obtenção de recursos para inovação.
Entre as que investiram na melhoria de processos, 38% observaram aumento na produtividade, 21% conquistaram acesso a novos mercados e 19% conseguiram reduzir despesas operacionais.
Outros aspectos importantes nas estratégias de inovação incluem:
- 53% focaram em desenvolvimento de produtos;
- 41% direcionaram esforços para digitalização e automação;
- 28% investiram em economia circular ou gestão de resíduos;
- 28% deram atenção à sustentabilidade e descarbonização;
- 18% apostaram em novos modelos de negócio;
- 1% focaram na aquisição de maquinário novo.
Dificuldades enfrentadas para inovar
O levantamento da CNI destaca que 36% dos empresários consideram o excesso de burocracia o maior obstáculo para acessar programas públicos de fomento à inovação. A percepção é mais acentuada em empresas do Nordeste, onde 48% relatam dificuldades, enquanto no Sudeste apenas 32% expressaram essa preocupação.
Além disso, outros problemas mencionados incluem o receio de penalidades futuras (5%), dificuldade em compreender as regras dos programas (5%), lentidão na análise dos processos (5%) e baixa previsibilidade (3%). Aproximadamente 40% dos empresários não tentaram nem mesmo acessar os benefícios públicos devido a esses empecilhos.
Para aprimorar o cenário e estimular a inovação, metade dos entrevistados defende a simplificação documental como medida essencial.
Metodologia da pesquisa
O estudo foi encomendado pela CNI e conduzido pelo instituto Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, do grupo FSB Holding. As entrevistas foram feitas via telefone entre 3 e 25 de fevereiro de 2026, garantindo abrangência e representatividade de diferentes portes de empresas industriais no Brasil.



