Reunião do Copom inicia nesta terça-feira com expectativa de novo corte de 0,25 ponto percentual
O Comitê de Política Monetária (Copom) começa nesta terça-feira, dia 28 de abril de 2026, sua reunião para decidir a taxa básica de juros, que deve ser reduzida para 14,5% ao ano, configurando a segunda diminuição consecutiva.
De acordo com especialistas consultados pela EXAME, é esperado um corte de 0,25 ponto percentual, sem mudanças relevantes na comunicação do Banco Central.
Expectativas do mercado para a decisão do Copom
As Opções de Copom da B3, que refletem as expectativas dos investidores sobre a decisão do Banco Central, indicam que 85% esperam a redução de 0,25 ponto percentual. Cerca de 10% acreditam na manutenção dos juros, enquanto uma parcela minoritária aposta em uma queda maior, de 0,5 ponto.
Contexto da última decisão e mensagem do Banco Central
Na reunião anterior, a taxa Selic foi reduzida de 15% para 14,75% ao ano. No comunicado e na ata, o Copom ressaltou que adotaria cautela diante do cenário internacional, marcado pelo conflito entre Irã, Estados Unidos e Israel, e não indicou claramente os próximos passos do ciclo de redução dos juros.
Nas últimas semanas, em palestras, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, reforçou esse tom cauteloso, destacando que o colegiado conduzirá a política monetária com prudência dado o ambiente de incertezas.
Análise de economistas sobre a reunião
Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú BBA, avaliou em relatório que o Copom deve manter o ritmo de cortes discretos e enfatizar a prudência e serenidade na condução da política monetária. Ele explicou que os futuros movimentos serão guiados pela análise contínua dos dados econômicos e pelo balanço de riscos.
Segundo Mesquita, não houve grandes mudanças nos dados de atividade econômica, o que não traz mais convicção para o diagnóstico do Banco Central. Contudo, os dados recentes de inflação foram surpreendentes e as expectativas do mercado para o IPCA aumentaram sensivelmente, consumindo parte do espaço para redução da taxa Selic, já que elevam mecanicamente os juros reais.
Nos últimos dias, as projeções de inflação do mercado foram revisadas para cima: para 2026, a estimativa subiu de 4,31% para 4,80% em quatro semanas, enquanto para o final de 2027 a expectativa está em 4%, um período importante para a política monetária.
Com esse cenário, Mesquita acredita que o Copom repetirá o comentário introduzido na última ata, reforçando que, após examinar os riscos, o comitê opta por agir com serenidade para reunir mais informações diante das incertezas elevadas.
Em consonância, Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, projeta que o Copom deverá continuar o ajuste gradual da política monetária. Ele destaca que a comunicação do Banco Central provavelmente terá um tom mais firme, buscando preservar sua credibilidade em um momento de redução marginal dos juros, aumento das expectativas de inflação e incertezas externas.
Segundo Sung, o Copom manterá uma postura cautelosa e dependente dos dados, reiterando que a atual Selic é compatível com a convergência da inflação à meta no horizonte relevante. Para os próximos passos, a tendência é conservar flexibilidade sem sinalizar explicitamente o ritmo dos ajustes.



