Como Minotauro planeja usar sua fama no UFC para competir no mercado bilionário de energéticos
O ex-campeão do UFC, Rodrigo Nogueira, conhecido como Minotauro, aposta em uma estratégia que envolve produção própria, preço competitivo e o reconhecimento conquistado no mundo do MMA para expandir sua marca de energético por todo o Brasil.
O mercado de bebidas energéticas no país se tornou uma das disputas mais intensas dentro da indústria de bebidas. Inicialmente consumidos em festas e baladas, esses produtos passaram a integrar a rotina diária das pessoas em atividades como treinos, estudos e trabalho, o que favoreceu o surgimento e crescimento de diversas marcas nacionais que disputam espaço com grandes empresas internacionais.
É neste ambiente que Rodrigo Nogueira e seu irmão Rógerio Nogueira, o Minotouro, apostam em transformar sua imagem e notoriedade em um negócio promissor. O Minotauro Energy Drink está sendo relançado com um investimento inicial de cerca de 2 milhões de reais, contando com uma fábrica própria localizada em São Paulo e um plano ambicioso de crescimento no maior mercado consumidor do país.
Estratégia para crescer no mercado
Enquanto o setor passa por mudanças rápidas e marcas brasileiras conquistam participação significativa no mercado, com preços competitivos e celebridades atuando diretamente como canais de marketing e distribuição, o projeto do ex-lutador já vem sendo planejado há alguns anos.
Rodrigo relembra uma inspiração que teve no Japão, em 1999, quando percebeu prateleiras lotadas de produtos associados a lutadores, como barras de proteína e sucos, e decidiu que um dia gostaria de estar presente nessas gôndolas.
Atualmente, somando as operações licenciadas, o faturamento da marca está por volta de 2 milhões de reais mensais, com a meta de alcançar 10 milhões mensais através da atuação direta em São Paulo e expansão para Minas Gerais.
O recomeço com foco na expansão
O Minotauro Energy Drink foi registrado como marca no segmento de bebidas em 2011, após a conclusão de um contrato dos irmãos Nogueira com a TNT Energy Drink. Inicialmente, a marca foi criada no Rio de Janeiro e operava por licenciamento regional, alcançando rapidamente boa escala.
Em 2015 e 2016, por exemplo, o energético chegou a vender mensalmente 68 mil pacotes de seis unidades de dois litros em atacarejos da região metropolitana do Rio de Janeiro. Segundo Rodrigo, para cada grupo de dez pessoas, uma consumia o energético pelo menos uma vez por mês.
Entretanto, a operação ruiu em 2020 após o término da parceria com o fabricante local. A marca passou então por reformulações, incluindo novos parceiros, redesign das embalagens e ampliação regional.
Hoje, a operação está dividida entre duas frentes: no Sul do país, a produção funciona por meio de licenciamento para a empresa Água da Serra e, em Pernambuco, a fabricação é feita pela Rochedo, que planeja expandir para Maranhão e Região Norte. Já em São Paulo, acontece a primeira operação com produção e distribuição próprias, um movimento que exige mais investimento e infraestrutura.
Rodrigo destaca que a entrada em São Paulo não é um desafio para amadores, pois demanda maior esforço em marketing, logística e distribuição – um aprendizado extraído de uma tentativa anterior durante o início da pandemia.
A fábrica paulista está localizada em Leme, interior do estado, numa unidade que também atende outras marcas do setor, com distribuição planejada a partir de Sorocaba, um polo logístico estratégico para abranger a capital, o litoral e o interior.
A previsão inicial é produzir 400 mil litros mensais em São Paulo, volume aproximadamente cinco vezes maior que o atual no Rio de Janeiro.
Considerando que São Paulo é responsável por cerca de um terço do PIB brasileiro, ele se torna uma área fundamental para qualquer marca que busca expansão nacional.
Além disso, a empresa já está em contato com grandes redes como Assaí e Roldão, e projeta dividir o estado em áreas operadas por distribuidores independentes, enquanto o Pão de Açúcar está previsto para fases posteriores.
O preço da bebida também faz parte da estratégia de penetração, pois será comercializado abaixo de 10 reais no atacado, buscando rapidamente ganhar uma base expressiva de consumidores.
Competição acirrada no setor de energéticos
Nos últimos anos, o mercado brasileiro de energéticos sofreu uma mudança significativa, deixando de ser exclusivo de consumo noturno para ocupar espaço no dia a dia das pessoas, em busca de energia, melhor desempenho e interação social.
Essa nova realidade abriu caminho para marcas brasileiras, que apostam em preços agressivos e distribuição regional, crescerem em meio à concorrência com gigantes internacionais. Um exemplo disso é a Baly, empresa de Santa Catarina que liderou o mercado brasileiro em 2025.
Rodrigo acredita que o crescimento dessas marcas nacionais alterou a dinâmica do setor, destacando que o consumidor jovem procura energia, performance e socialização, necessidades que os energéticos passam a suprir.
Para ele, o diferencial do Minotauro Energy Drink não está necessariamente na fórmula, mas sim na força da marca e na capacidade de usar sua notoriedade para conquistar os pontos de venda.
O lutador como ativo comercial
Rodrigo participa pessoalmente das negociações com supermercados, atacadistas e distribuidores, empregando a fama conquistada no MMA como ferramenta nas negociações.
Ele destaca situações em que sua presença facilitou encontros e conversas decisivas, com gerentes e presidentes das redes comerciais, que se mostraram receptivos ao solicitar fotos e interações.
Além da carreira nos octógonos, Rodrigo também acumula mais de 280 palestras corporativas e atua como embaixador do UFC no Brasil, o que reforça o valor da sua imagem como componente central da estratégia de negócio.
Para ele, “a marca Minotauro é viva: ela fala, anda, tira foto e assina autógrafo”, enfatizando a importância de seu reconhecimento pessoal para o sucesso da empresa.
Modelo de crescimento e perspectivas
A estratégia financeira da empresa combina operações próprias e modelos de licenciamento regional, nos quais fabricantes locais ficam responsáveis pela produção e distribuição, enquanto a marca recebe royalties sobre o volume comercializado, que devem ser reinvestidos em marketing e promoções nos pontos de venda.
Em São Paulo, por outro lado, a operação própria requer maior capital, estrutura logística própria e controle direto da distribuição, assumindo maiores riscos, mas com potencial para ganhos maiores.
O lançamento no estado deve ser alavancado pela contribuição da Copa do Mundo de 2026, que a empresa espera que aumente a demanda por bebidas energéticas.
Além da expansão física, a marca prepara também o lançamento de um canal oficial de vendas online, previsto para começar a operar em junho.
Atualmente, a equipe central da empresa conta com oito colaboradores, mas a perspectiva é triplicar esse número para 35 funcionários à medida que o faturamento se aproximar dos 10 milhões de reais mensais previstos.
Assim, o projeto que nasceu da inspiração numa prateleira japonesa em 1999 abre agora um novo capítulo para competir com grandes marcas globais e emergentes brasileiras, com o desafio de não apenas entrar na gôndola, mas principalmente de alcançar escala.



