Petróleo alcança US$ 100 por conflito no Irã e aumenta especulações sobre pausa nos cortes da Selic
Probabilidade de manutenção dos juros sobe para 35% em meio à pressão do petróleo e deterioração do cenário externo
O prolongamento da guerra no Irã diminuiu as expectativas de novo corte na taxa Selic, elevando a probabilidade de que os juros sejam mantidos na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Conforme os contratos de Opções de Copom negociados na B3, que refletem as apostas dos investidores sobre a decisão do Banco Central, atualmente 59% preveem uma redução de 0,25 ponto percentual.
Esse percentual sofreu redução nos últimos dias, já que chegou a alcançar 66% para a mesma queda.
Elevação das apostas na manutenção da taxa Selic
Simultaneamente, a chance de que a taxa de juros permaneça inalterada elevou-se de 21,5% para 35%, refletindo a piora das condições externas e a pressão exercida pela alta do petróleo.
Essa mudança demonstra a percepção de que o conflito no Oriente Médio pode restringir o espaço para novas reduções da Selic no Brasil.
Recentemente, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o governo iraniano aumentaram a tensão, afastando a possibilidade de um acordo para um cessar-fogo permanente.
Na última ata, o Copom reafirmou a postura cautelosa, destacando que os próximos passos dependerão de novas informações econômicas e do impacto direto e indireto da guerra no comportamento dos preços.
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, enfatizou durante a abertura da Conferência Anual da instituição, em Brasília, que a autoridade monetária deve atuar com ainda mais vigilância diante das consequências econômicas do conflito no Oriente Médio.
O Boletim Focus divulgado recentemente apontou o nono aumento consecutivo na estimativa da inflação para curto prazo. No entanto, a projeção para o final de 2027 permaneceu estável em 4%, um valor relevante para as decisões do Banco Central.
A taxa Selic está atualmente em 14,50% ao ano, após um corte de 0,25 ponto percentual na reunião anterior.
Impactos para o cenário futuro dos juros
Andrea Bastos Damico, CEO da Buysidebrazil, explicou que sua instituição ainda trabalha com a expectativa de que a Selic encerrará o ano em 13%, mas essa previsão depende de uma estabilização do preço do petróleo.
Segundo Damico, esse cenário corresponde a um petróleo em torno de US$ 85 a US$ 90 por barril, assumindo que haja uma solução rápida para o conflito.
Caso o preço do barril se mantenha próximo a US$ 100, a perspectiva para a Selic ao final do ano pode se elevar para cerca de 14%, o que indicaria uma possível suspensão no atual ciclo de cortes na taxa básica de juros.
Petróleo assume papel decisivo para as decisões do Copom
O preço do petróleo tornou-se um fator central nas projeções sobre a condução da política monetária devido ao seu impacto direto sobre os preços dos combustíveis, o câmbio e as expectativas de inflação. Essa conjuntura tende a levar o Banco Central a adotar postura mais cautelosa em relação a novos cortes na Selic.
De acordo com Andrea Damico, a Buysidebrazil está preparada para revisar suas projeções caso surjam indicações firmes de que o preço do barril permanecerá na faixa dos US$ 100.
A economista destacou que, antes do conflito, a projeção da taxa de juros para o fim do ano era de 12%, que já foi ajustada para 13% após o início da guerra, mas agora está sendo calibrada diante das oscilações do preço do petróleo.
Ela ressalta que, enquanto não houver sinais claros de diminuição da tensão entre os países envolvidos, o cenário mais conservador tende a se consolidar, especialmente se os encontros diplomáticos entre Trump e Xi não produzirem avanços.



