Ibovespa fecha em baixa de 0,88% entre cautela global após novas tarifas dos EUA; dólar recua para R$ 5,16

Na segunda-feira (23), o Ibovespa apresentou recuo diante do cenário de incertezas no mercado internacional, impulsionadas pelas recentes medidas tarifárias anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O índice, que na última sexta-feira havia ultrapassado a marca de 190 mil pontos pela primeira vez, fechou em 188.853,49 pontos, equivalente a uma queda de 0,88%.

O motivo principal para o clima de precaução entre os investidores foi a divulgação por Trump de uma elevação para 15% das tarifas sobre produtos importados. Na sexta-feira anterior (20), após a Suprema Corte dos EUA derrubar parte das tarifas impostas anteriormente pelo governo federal, Trump havia imposto uma taxa de 10% sobre todos os itens importados.

Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, comentou que a decisão da Suprema Corte destaca uma política econômica inconsistente na maior economia mundial, aumentando a imprevisibilidade e riscos para o crescimento global.

Durante o pregão, o Ibovespa chegou a atingir máximas históricas intradiárias acima de 191 mil pontos, porém fechou em queda. Entre as ações que obtiveram valorização, destacaram-se Petrobras, beneficiada pelo aumento do preço do petróleo; Vale, impulsionada por um acordo para estabelecimento de hub de minério na Índia; e Telefônica Brasil (VIVT3), após apresentação dos resultados financeiros do 4º trimestre de 2025.

Além disso, o Boletim Focus indicou redução nas projeções para inflação e a taxa básica de juros para o final de 2026. A expectativa para o IPCA caiu para 3,91%, contra 3,95% estimado na semana anterior, enquanto a taxa Selic passou a ser prevista em 12,13%, abaixo dos 12,25% anteriormente projetados.

Desempenho do Ibovespa no dia

Na sessão, o índice oscilou entre 188.525,73 pontos no piso e 191.002,54 pontos no topo intradiário. O volume financeiro movimentado na B3 totalizou R$ 31,8 bilhões.

Principais valorizadas:

  • RAIZ4: +5,00% (R$ 0,63)
  • MBRF3: +3,88% (R$ 19,53)
  • VIVT3: +3,27% (R$ 42,03)
  • BRAP4: +2,15% (R$ 24,27)
  • SMTO3: +1,99% (R$ 16,41)

Maiores declínios:

  • SANB11: -5,69% (R$ 34,61)
  • HAPV3: -5,05% (R$ 9,97)
  • VBBR3: -4,87% (R$ 30,28)
  • MGLU3: -3,98% (R$ 10,37)
  • ITUB4: -3,62% (R$ 47,45)

Comportamento do dólar

O real valorizou-se pelo terceiro pregão consecutivo frente ao dólar, reagindo às novidades sobre tarifas dos EUA. No fechamento, o dólar comercial recuou 0,16%, cotado a R$ 5,16.

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, explicou que o recuo da moeda americana reflete as crescentes incertezas envolvendo política comercial norte-americana após a imposição da nova tarifa global de 15% por Trump, uma atitude tomada após a Suprema Corte considerar ilegais parte das tarifas anteriores. Isso aumentou o ruído político e jurídico, contribuindo para a queda dos rendimentos dos títulos (yields) e do dólar no mercado internacional.

Mercados de Nova York

Os principais índices da bolsa de Nova York também foram impactados pelas dúvidas sobre a política econômica e comercial dos EUA. O Dow Jones caiu 1,66%, o S&P 500 recuou 1,04%, e o Nasdaq teve baixa de 1,13%.

Fonte

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