Brasil se torna o segundo maior mercado da BRP, superando Canadá e Austrália, destaca CEO da empresa
A Sea-Doo, marca canadense de motos aquáticas pertencente ao grupo BRP, tem o Brasil como um dos seus mercados mais expressivos. Atualmente, o país é responsável pelo segundo maior volume de vendas da companhia globalmente, ficando atrás apenas dos Estados Unidos.
Michael Codd, CEO da BRP para a América Latina, informou em entrevista que, há cerca de quatro anos, o Brasil estava na quarta colocação em vendas globais, atrás de Austrália e Canadá. Hoje, a posição brasileira ultrapassou esses mercados, ocupando o segundo lugar no ranking mundial da empresa. Esta evolução foi comentada durante o Sea-Doo Social Club, evento realizado em Ilhabela, São Paulo, voltado para a experiência de motos aquáticas, que atraiu 70 mulheres para atividades no mar.
De acordo com Codd, esse crescimento está ligado à consolidação de um estilo de vida focado em lazer náutico no país. Ele ressalta que o brasileiro valoriza atividades recreativas nos finais de semana, o que impulsiona a procura por produtos de powersports.
O Brasil representa cerca de 70% das vendas da divisão liderada por Codd na América Latina, enquanto o Canadá fica com os restantes 30%. Globalmente, a BRP tem um faturamento da ordem de US$ 8 bilhões, reunindo suas diferentes marcas como Sea-Doo, Can-Am e Ski-Doo. No mercado brasileiro, o faturamento alcançou R$ 2 bilhões, com a Sea-Doo dominando 90% das vendas de motos aquáticas no país.
Expectativas de crescimento para 2026
A empresa projeta continuidade na expansão do negócio no Brasil ao longo deste ano. Mesmo num cenário marcado por eventos relevantes, como a Copa do Mundo, e muitos feriados prolongados que criam uma maior concorrência pelo poder de consumo, a BRP enxerga isso com otimismo, estimando um aumento anual de cerca de 10% nas vendas.
Codd enfatiza que o aumento do tempo disponível para lazer e viagens contribui para elevar a demanda por experiências, o que favorece o setor de turismo náutico e, consequentemente, as vendas dos jets aquáticos.
Facilitando o acesso com financiamento e experiências
Reconhecendo que o jet aquático possui um preço elevado, a BRP prepara uma estratégia para ampliar o público com a implementação de um modelo de financiamento. Este sistema permitirá parcelamentos semelhantes aos oferecidos na compra de automóveis, com prazo de pagamento que pode chegar a 60 meses, tornando o produto mais acessível.
Além disso, a marca tem investido em uma experiência prévia para os consumidores por meio do projeto “Sea-Doo Experience”, que oferece passeios guiados em parceria com marinas e operadores turísticos. Nesses passeios, o público pode pilotar os jets após um treinamento breve, mesmo sem possuir a carteira náutica exigida no Brasil para conduzir esse tipo de embarcação.
Atualmente, existem oito operações desse tipo no país, localizadas em regiões como Guarujá, Santa Catarina e São Paulo, e a expectativa é ampliar essa rede de parcerias. Essa iniciativa também tem como objetivo promover o turismo náutico de forma responsável.
Transformando a marca em um estilo de vida
A Sea-Doo quer expandir sua atuação para além da comercialização de motos aquáticas e se consolidar como uma marca lifestyle. A empresa pretende comercializar acessórios como óculos, roupas técnicas e calçados que levem sua identidade, atingindo públicos que não necessariamente possuem o equipamento.
O CEO da BRP destaca que a ideia é criar uma conexão maior com os consumidores, tornando o uso dos produtos Sea-Doo um ativo de marketing e fortalecendo o diálogo com o público. Parcerias com marcas brasileiras para desenvolver co-criações também fazem parte desse plano, citando a possibilidade, por exemplo, de lançar uma linha de Havaianas personalizada com a marca Sea-Doo.
Investimento em tecnologia e força de trabalho no Brasil
A operação brasileira da BRP ganhou destaque tecnológico ao sediar em Campinas (SP) uma unidade global da empresa focada em dados e tecnologia, que emprega cerca de 150 profissionais. Somando a equipe dedicada ao mercado nacional, a empresa conta com aproximadamente 200 funcionários no país.
Codd ressalta que o escritório foi instalado no Brasil devido à qualidade do talento local na área de tecnologia e continua expandindo sua atuação para atender ao mercado mundial.
Participação feminina e produção dos produtos
O CEO observa um crescimento acima de 20% na participação das mulheres no mercado náutico, o que influencia as estratégias da BRP para ampliar a inclusão de público feminino. Ele destaca que o setor, antes predominantemente masculino, agora celebra a presença ativa das mulheres como capitãs das embarcações.
Quanto à produção, todos os jets aquáticos vendidos no Brasil são fabricados no México, onde a BRP concentra sua produção global, após investimento feito há cerca de 12 anos. Os acessórios e roupas da marca são produzidos por fornecedores localizados em diferentes países, inclusive no Brasil, onde itens como coletes são produzidos localmente.
Apesar do crescimento do comércio eletrônico em vários segmentos, as vendas das motos aquáticas ainda ocorrem principalmente por meio de lojas físicas, especialmente concessionárias. O e-commerce ainda não desempenha papel significante neste tipo de produto.
A BRP segue apostando no desenvolvimento da cultura do jet aquático no Brasil e planeja ampliar sua presença por meio de experiências, parcerias e formas facilitadas de acesso, transformando os equipamentos em símbolos de um estilo de vida voltado ao lazer náutico.



