Anúncio
Anúncio
Ruralistas Devem Apoiar Flávio Bolsonaro Na Disputa Presidencial

Ruralistas Devem Apoiar Flávio Bolsonaro Na Disputa Presidencial

Anúncio
Anúncio

Ruralistas devem apoiar Flávio Bolsonaro com ausência de Tarcísio e Alckmin ‘no governo errado’

A relação entre a bancada ruralista e o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, tem sido marcada por tensões desde o início deste mandato. Herdando políticas mais favoráveis ao agronegócio do governo Bolsonaro, Lula nomeou Carlos Fávaro, do PSD, para o Ministério da Agricultura. No entanto, o senador de Mato Grosso acabou se mostrando sem diálogo efetivo com o Congresso e com o setor rural durante os mais de três anos no cargo, dificultando qualquer aproximação entre o campo e o governo, conforme avaliação de parlamentares ouvidos.

Em abril de 2023, em meio ao clima tenso pós-posse de Lula e aos incidentes envolvendo bolsonaristas, Fávaro foi excluído da cerimônia de abertura da Agrishow, uma das maiores feiras de agronegócios da América Latina, realizada em Ribeirão Preto (SP). Pouco depois, cortou relações com Pedro Lupion (PP-PR), presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), que representa 344 parlamentares, entre deputados e senadores. Lupion, em entrevista, sequer mencionou Fávaro como interlocutor, destacando que o único vínculo com o governo é através do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços.

Anúncio
Anúncio

“Alckmin é o único contato que temos com o governo, por ter sido governador de São Paulo e entender o setor produtivo. Infelizmente, ele é vice do governo errado”, afirmou Lupion. Ele mencionou ainda que, diante da bancada ruralista ser majoritariamente contrária ao PT e da ausência do governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos) na disputa presidencial, a tendência natural é uma aproximação do setor com Flávio Bolsonaro (PL), por sua posição de favorito.

Segundo Lupion, no Paraná, seu estado, o PP está alinhado com Ratinho Junior, do PSD. Caso este venha a concorrer à Presidência, poderá ser considerado, mas no segundo turno a bancada estará unida contra o PT.

Visão do decano da FPA

Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), deputado federal em seu quinto e último mandato e conhecido como “decano da FPA”, acredita que Tarcísio seria unanimidade como candidato do agronegócio. Com o governador paulista praticamente fora da corrida presidencial, Jardim vê Ratinho Junior como uma boa opção, mas acredita que Flávio Bolsonaro será a escolha do setor para a disputa caso a polarização entre ele e Lula se mantenha.

Ex-secretário de Agricultura do Estado de São Paulo durante o governo Alckmin, Jardim elogia o ex-governador e sua atuação, citando como exemplo recente um decreto sobre salvaguardas no acordo Mercosul-União Europeia. Contudo, ele critica a atuação de Fávaro no ministério, apontando que ele agiu contra o setor, sem defender políticas essenciais como financiamento, seguro rural e pesquisa.

Alguns deputados da bancada ruralista chegaram até a destacar que Paulo Teixeira, ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar e membro da ala mais à esquerda do PT, manteve diálogo melhor com o setor do que Fávaro.

Fávaro, procurado diversas vezes pela reportagem desde a semana anterior, não respondeu às entrevistas e pode deixar o ministério para tentar reeleição ao Senado por Mato Grosso.

Possível substituto no ministério

André de Paula, atualmente ministro da Pesca e Aquicultura, surge como nome provável para assumir a Agricultura em um eventual quarto mandato de Lula. Com seis mandatos como deputado federal e histórico político mais alinhado com o campo rural, ele é visto como o oposto de Fávaro pelos ruralistas. Pedro Lupion elogia André, destacando sua preocupação clara em defender o setor agropecuário, enquanto Jardim ressalta que ele demonstra muito mais diálogo com a bancada ruralista. Até auxiliares do governo veem André de Paula como uma grande alternativa para o cargo.

Tanto André de Paula quanto Guilherme Campos Júnior, secretário de Política Agrícola e ex-deputado federal, planejam deixar seus cargos ainda em abril para disputar eleições, possivelmente para deputado estadual em São Paulo.

Reação tardia do governo Lula

No setor privado, a avaliação é que o governo Lula passou a buscar, embora tardiamente, uma aproximação com o agronegócio — especialmente com os exportadores. Essa reconexão ganhou força após a chegada de Sidônio Palmeira à Secretaria de Comunicação da Presidência, no início de 2025.

Destaque para a participação de representantes do agronegócio na comitiva presidencial durante visitas à Índia e Coreia do Sul, em fevereiro. Após esse roteiro, a comunicação colocou o setor no centro da narrativa, com o presidente Lula endossando publicamente a importância do agro, resgatando seu papel carismático do primeiro governo.

Apesar dessa tentativa de reaproximação, analistas do setor consideram que já é tarde para Lula conquistar o apoio dos ruralistas na disputa por um quarto mandato. O candidato ideal para o setor seria Tarcísio de Freitas, mas, mesmo com ele fora da disputa, não há dúvida de que o campo vai apoiar qualquer opção da oposição ao PT.

Fonte

Anúncio
Anúncio
Anúncio
Anúncio
Rolar para cima