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Banco Central Vai Reduzir Selic Com Cortes Calibrados

Banco Central Vai Reduzir Selic Com Cortes Calibrados

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Banco Central seguirá reduzindo a Selic, afirma Itaú BBA

O Banco Central (BC) voltou a cortar a taxa Selic, adotando um ritmo mais moderado na última decisão em 18 de março, mas já sinalizou que o ciclo de queda dos juros deve continuar. Essa avaliação é do superintendente de pesquisa econômica do Itaú BBA, Fernando Gonçalves, que comentou o cenário em entrevista ao InvestNews.

Segundo Gonçalves, o BC reconhece a importância do conflito no Oriente Médio, que tem impactos expressivos e pode se prolongar, especialmente pressões sobre o preço do petróleo. Ainda assim, o BC demonstra a intenção de seguir reduzindo a Selic, mesmo que de forma calibrada e cautelosa.

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O termo “calibração”, mencionado três vezes no comunicado oficial, foi destacado por Gonçalves como o principal indicador do tom adotado pelo BC: os cortes vão ocorrer, porém com atenção ao ritmo e à magnitude das reduções.

Impacto da Guerra no Oriente Médio na decisão do Banco Central

O Banco Central não poderia ignorar o choque gerado pela guerra recente na região do Oriente Médio, que já dura 18 dias. O conflito provoca incertezas significativas e tem potencial de impacto prolongado, principalmente pela pressão para alta nos preços do petróleo, que têm efeito direto na economia e na inflação brasileira.

Por isso, o BC fez questão de alertar para esse cenário inesperado e de risco ao considerar manter sua política monetária alinhada com essa conjuntura.

Perspectivas e ritmo do ciclo de cortes dos juros

Para o especialista do Itaú BBA, a projeção de juros para o fim do ano está em 12,25% ao ano, enquanto o mercado tende a precificar um pouco acima de 13%. O BC não se comprometeu com o tamanho exato do corte, mas deixou claro o interesse em dar continuidade ao processo com ajustamentos cuidadosos.

Isso indica que não haverá um ciclo de redução mais agressivo. As taxas deverão permanecer elevadas dentro do padrão brasileiro, provavelmente ainda com dois dígitos, mantendo um viés contracionista, ou seja, freando a economia para controlar a inflação.

Na visão de Gonçalves, o ciclo em andamento será diferente dos ajustes habituais, prevendo cortes graduais sem grandes alterações em cada reunião.

Possibilidade de interrupção do ciclo

O Banco Central não deverá interromper o ciclo de queda da Selic a menos que o cenário econômico externo apresente pioras severas. O termo “processo de calibração” sugere continuidade, com a autoridade monetária mantendo a flexibilidade, porém sinalizando que os cortes vão persistir.

Apesar do Federal Reserve (Fed) dos EUA manter os juros estáveis devido à alta incerteza, o BC brasileiro identificou que já está havendo transmissão dos efeitos da política monetária para a atividade econômica local, que desacelera, abrindo espaço para a diminuição dos juros.

Próxima reunião do Copom e magnitude dos cortes

Para os encontros de 28 e 29 de abril, a expectativa é de corte de 0,25 ponto percentual, já que o BC estabeleceu padrões elevados para justificar a redução. Um corte de 0,50 ponto ainda parece difícil diante do cenário externo incerto, embora não esteja completamente descartado caso haja algum alívio.

A tendência é de cortes graduais, com possibilidade de aceleração se o panorama internacional melhorar.

Projeções para a inflação

A previsão do Banco Central para a inflação no horizonte relevante está em 3,3%, ligeiramente acima dos 3,2% anteriores e abaixo do que o mercado esperava (entre 3,4% e 3,5%), considerando os efeitos do choque do petróleo.

Essa moderação na revisão indica a premissa de que o aumento do petróleo não será persistente. O comunicado reforça que a calibração dos juros continuará sendo ajustada na medida em que os novos dados forem surgindo.

Influência da política monetária americana sobre a Selic

A manutenção dos juros pelo Fed poderia reduzir o diferencial de juros com o Brasil, pressionando o real para baixo e potencialmente elevando a inflação devido ao custo maior de produtos importados. Contudo, dado o elevado patamar dos juros brasileiros (14,75% contra pouco acima de 3% nos EUA), pequenos ajustes na taxa americana não devem impactar significativamente o câmbio ou as decisões do BC.

Até o momento, o real se mantém estável perto de R$ 5,25, mesmo diante da guerra, enquanto várias outras moedas sofreram desvalorizações, beneficiando o Brasil com fluxos de investimentos estrangeiros.

Pressões da inflação: câmbio e petróleo

O câmbio e o preço do petróleo são fatores interligados de impacto na inflação doméstica. O petróleo alto contribui para a melhora da balança comercial, pois o país é exportador, o que ajuda a sustentar a valorização do real.

Por sua vez, o petróleo influencia diretamente os custos de energia, que é insumo essencial para diversos setores da economia, podendo ter um efeito mais amplo que o câmbio, que atinge apenas parte da produção ligada ao comércio exterior.

Impacto de outras commodities na inflação

Fertilizantes também exercem papel importante nas projeções inflacionárias. Embora o Brasil tenha superávit na balança de petróleo, apresenta déficit significativo em fertilizantes, cujos preços podem subir caso os bloqueios, como o do Estreito de Ormuz pelo Irã, se prolonguem.

Isso, por sua vez, poderia elevar os custos dos alimentos no próximo ano, afetando as decisões sobre a política monetária já neste momento, uma vez que o horizonte relevante da inflação monitorada pelo BC alcança o terceiro trimestre de 2027.

O acompanhamento contínuo do cenário será fundamental para avaliar os próximos passos do Banco Central.

Fonte

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