Políticos conservadores lideram intenções de voto no 1º turno das eleições presidenciais do Peru
Nas pesquisas eleitorais mais recentes do Peru, os candidatos Rafael López-Aliaga e Keiko Fujimori, ambos alinhados à direita, aparecem na frente nas intenções de voto para o primeiro turno, que ocorrerá em 12 de abril.
Assim como em eleições anteriores recentes na América do Sul, como no Equador, Bolívia, Chile, Argentina e Costa Rica, os postulantes com propostas conservadoras e de direita estão posicionados como os favoritos na corrida presidencial peruana. Embora os principais candidatos à direita tenham maior apoio, a elevada parcela de eleitores indecisos mantém um cenário de incerteza.
Caso nenhum candidato obtenha mais da metade dos votos, está prevista a realização do segundo turno em 7 de junho.
Uma análise do JP Morgan divulgada nesta semana revelou que, somando os principais grupos, os candidatos de direita acumulam aproximadamente 29% das intenções de voto no primeiro turno, enquanto os representantes da esquerda totalizam cerca de 7%, com independentes alcançando quase 6%. Esse panorama aponta para um primeiro turno dominado pela direita, porém fragmentado, com possibilidade de decisão apenas no segundo turno. Além disso, a porcentagem de eleitores que ainda não decidiram ou que pretendem votar nulo ou em branco varia entre 40% e 44%, superando a preferência por qualquer candidato individualmente.
O cenário político interno do Peru permanece instável e complexo, com tensões entre o presidente (eleito ou seu sucessor), o Congresso e o Poder Judiciário. Nos últimos nove anos, o país já teve nove presidentes. Em fevereiro de 2026, José María Balcázar assumiu como presidente interino, sucedendo José Jerí, que havia sido escolhido em outubro do ano anterior, após o afastamento de Dina Boluarte – ela própria vice-presidente durante a gestão de Pedro Castillo, deposto por impeachment.
Apesar do histórico de instabilidade no comando do país, a disputa presidencial conta com a participação de 35 candidatos (inicialmente eram 36, porém Napoleón Becerra, do Partido dos Trabalhadores e Empreendedores, faleceu em um acidente no dia 15 de março). Devido ao grande número de candidatos, o órgão responsável pela eleição, o Jurado Nacional de Elecciones (JNE), promoveu três debates, divididos entre grupos de 11 e 12 candidatos.
As intenções de voto concentram-se em políticos conservadores ou defensores de uma política econômica pró-mercado. Contudo, o alto índice de indecisos torna qualquer previsão incerta. Na eleição de 2021, por exemplo, o candidato de esquerda Pedro Castillo surpreendeu ao liderar o primeiro turno e vencer Keiko Fujimori por uma margem estreita no segundo turno.
Além da presidência, as eleições também renovarão os 130 assentos da Câmara e os 60 do Senado. Espera-se que o novo Congresso tenha uma composição mais equilibrada entre partidos como Fuerza Popular, Renovación Popular e Alianza para el Progreso, o que pode resultar em menor pressão para processos rápidos de impeachment contra o próximo chefe de Estado.
Principais candidatos presidenciais no Peru
Rafael López-Aliaga
Empresário com atuação nos setores de infraestrutura, transporte e serviços, López-Aliaga tem liderado as pesquisas desde o ano anterior, com aproximadamente 11% a 12% das intenções de voto. Antes de ingressar na política, já defendia a redução do tamanho do Estado e austeridade fiscal para fortalecer a economia do Peru e atrair investimentos estrangeiros.
Nas eleições de 2021, adotou uma plataforma focada no fortalecimento da ordem interna e combate à corrupção, chegando a se autodenominar o “Bolsonaro peruano”. Apesar de ter ficado em seguida na preferência, não avançou ao segundo turno, mas a campanha impulsionou sua trajetória política, culminando na eleição como prefeito de Lima em 2022.
Autodeclarado “cristão social” e membro da Opus Dei, López-Aliaga é conhecido por criticar o que chama de “marxismo cultural” nas instituições educacionais, é contra o aborto em todas as circunstâncias e opõe-se ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. Tem ligações com o ex-presidente americano Donald Trump e, em dezembro, organizou um tributo ao ativista de direita Charlie Kirk, assassinado no ano passado.
Keiko Fujimori
Filha do ex-ditador Alberto Fujimori, Keiko é uma figura política proeminente no Peru nas últimas décadas, frequentemente liderando nas pesquisas, quando ultrapassa López-Aliaga em determinados levantamentos, com 9% a 11% das intenções.
Keiko ganhou destaque sobretudo nos últimos anos da presidência de seu pai, atuando como primeira-dama após o divórcio de sua mãe com Alberto Fujimori, que posteriormente fez acusações contra o ex-marido. Ela consolidou sua liderança no partido Aliança pelo Futuro e assumiu a defesa do legado de seu pai, que foi condenado a 52 anos de prisão por corrupção e crimes contra a humanidade.
Fundou o partido Fuerza Popular, que hoje domina o Congresso peruano. Embora rotulada por opositores como populista de direita, Keiko disputou a presidência em 2011, 2016 e 2021, sendo derrotada sempre no segundo turno por margens estreitas. Suas candidaturas sofreram impacto negativo devido a investigações na Operação Lava-Jato, envolvendo doações ilegais da construtora Odebrecht e do grupo financeiro Credicorp, tendo sido presa por três ocasiões.
Em sua campanha para 2026, Keiko enfatiza a “Ordem”, abrangendo não só a segurança pública, mas também a modernização do sistema judiciário, disciplina fiscal, desregulamentação e combate à corrupção.
Carlos Álvarez
Ex-ator e apresentador de televisão, Carlos Álvarez aparece em terceiro nas pesquisas em algumas ocasiões e possui chances reais de chegar ao segundo turno. Sua campanha é pautada em propostas duras para segurança pública, incluindo prisão perpétua para crimes graves e pena de morte em casos excepcionais, mesmo que isso implique renunciar à Convenção Americana de Direitos Humanos.
Apresentado como um candidato “não político” e populista, Álvarez critica duramente os adversários e se compromete com políticas voltadas à infância, saúde e educação. Seu apoio é mais forte nas regiões rurais do país.
Alfonso López Chau
Economista e representante da centro-esquerda no pleito, López Chau alcança de 4% a 6% das intenções de voto, fatia ainda insuficiente para ir ao segundo turno. Em seus discursos, promete “limpar a casa” e melhorar o acesso dos mais pobres ao ensino superior, evitando conflitos com o setor empresarial.
Em evento no ano anterior, convocado por líderes empresariais, defendeu um diálogo nacional para retomar o caminho do desenvolvimento. Defensor de uma economia de mercado social e nacional, ele apoia parcerias público-privadas para infraestrutura e tecnologia.
Também precisou esclarecer questionamentos sobre prisões sofridas na década de 1970, atribuídas à sua militância contra governos autoritários na época.
Wolfgang Grozo
General reformado e ex-diretor de Inteligência da Força Aérea Peruana, Grozo é um candidato recente nas eleições. Com forte presença nas redes sociais, seu discurso foca em segurança pública, propondo o uso de inteligência e tecnologia para combater o crime, além de defender prisão perpétua para corrupção.
No campo econômico, ele valoriza o empreendedorismo e propõe isentar por dois anos do imposto de renda pequenos empresários que formalizarem seus negócios.



