Vale (VALE3): Expectativas para a prévia do 1T26 apontam produção consistente e metais básicos em destaque, apesar da pressão nos custos
A Vale (VALE3) divulgará, após o fechamento do mercado desta quinta-feira (16), os dados preliminares operacionais referentes ao primeiro trimestre de 2026. As perspectivas indicam um período com volumes e preços sólidos, embora o aumento dos custos seja um fator de pressão.
Relatórios de instituições financeiras como Citi e Santander indicam uma produção de minério de ferro na faixa de 68 a 69 milhões de toneladas, mantendo-se praticamente estável em relação ao mesmo período do ano anterior, mesmo levando em conta o tradicional impacto do período chuvoso no Brasil.
A equipe do Citi, liderada por Alexander Hacking, aponta para uma operação e embarques resistentes, com preços realizados próximos a US$ 96 por tonelada. Segundo eles, “projetamos produção e embarques entre 68 e 69 milhões de toneladas, com preços próximos de US$ 96/t, o que sugere um trimestre operacionalmente forte, mesmo frente à sazonalidade típica da época”.
Já o Santander, com o time coordenado por Yuri Pereira, estima embarques de 67,6 milhões de toneladas, representando um aumento anual de 2%, impulsionados pelo avanço na produção de ativos como Capanema e Vargem Grande. Esse crescimento, porém, é parcialmente balanceado por interrupções e efeitos sazonais.
Embora a operação apresente estabilidade, a principal área de atenção está nos custos. O Citi destaca que a companhia deve enfrentar uma pressão expressiva nos custos de um trimestre para outro, impulsionada por variações cambiais, aumento do combustível e outros fatores. “Os custos devem subir no comparativo trimestral, com impacto do câmbio em cerca de US$ 1,5 por tonelada, custos operacionais em US$ 1 por tonelada e os combustíveis, incluindo uma exposição significativa ao bunker fuel no curto prazo”, explicam os analistas.
De forma alinhada, o Santander projeta elevação no custo caixa (C1) para US$ 23,7 por tonelada, contra US$ 21,3 por tonelada no quarto trimestre de 2025. “O aumento reflete maiores despesas de produção, efeito cambial e maior volume de compras de terceiros, reduzindo a rentabilidade na comparação trimestral”, adicionam os especialistas.
Metais básicos ganham destaque no desempenho da Vale
Um dos pontos mais relevantes do período deve ser o desempenho da divisão de metais para a transição energética (ETM), especialmente cobre e níquel. O Citi destaca que os resultados desta área deverão ser robustos, graças aos preços mais altos e à produção consistente.
“Estimamos um trimestre particularmente forte para metais básicos, com ênfase no cobre, alavancado por preços elevados e produção estável, assim como uma contribuição significativa dos subprodutos”, afirmam.
O Santander prevê produção de cobre em 96,8 mil toneladas, correspondendo a um crescimento anual de 6%, e de níquel em 48,6 mil toneladas, um aumento de 11%, mesmo com uma queda sequencial causada pela sazonalidade. “Embora seja esperado um recuo no trimestre, o resultado anual reforça a evolução estrutural da área”, destacam os analistas.
Além disso, o Santander projeta uma alta expressiva na contribuição da divisão para o resultado, com Ebitda estimado em US$ 1,33 bilhão, crescimento de 140% em relação ao ano anterior, correspondendo a aproximadamente 33% do Ebitda consolidado da Vale. “A área de metais para a transição energética continua adquirindo relevância estrutural, apresentando margens elevadas e crescimento forte no ano, impulsionado por preços e volumes mais favoráveis”, concluem.
Visão consolidada e recomendações dos analistas
No total, a expectativa é de que a Vale apresente um trimestre sólido em geração de caixa. O Citi prevê um Ebitda na casa de US$ 4,0 bilhões. “Mesmo com pressão nos custos, a combinação de volume resistente e preços ainda elevados deve garantir um nível consistente de Ebitda”, afirmam.
O Santander trabalha com uma previsão semelhante, estimando US$ 4,08 bilhões, resultado 27% superior ao mesmo período do ano anterior.
Para o Citi, a Vale se mostra relativamente protegida em seu segmento. “A empresa está relativamente isolada em comparação com outras mineradoras, devido à ênfase na geração de caixa e menor exposição a projetos greenfield. Ademais, o minério de ferro tende a ser menos vulnerável às oscilações de risco do que os metais básicos e preciosos, reforçando sua estabilidade”, expõem.
Na avaliação dessa instituição, a recomendação para as ações da Vale permanece como compra, fundamentada na forte geração de fluxo de caixa livre e disciplina na gestão de capital. Já o Santander mantém uma visão positiva, classificando a ação como outperform, com preço-alvo de US$ 15,50 para os ADRs, destacando a melhora estrutural na divisão de metais para transição energética como um importante fator de valorização.



