Transfero aposta em rede de orquestração para integrar pagamentos globais e blockchains
A fintech Transfero, especializada em ativos digitais, está passando por uma transformação estratégica. Após consolidar sua reputação como fornecedora de infraestrutura para o universo cripto, a empresa agora avança para se posicionar como uma orquestradora de múltiplas blockchains e redes de pagamento por meio do lançamento da Transfero Payment Network (TPN).
Essa nova plataforma foi desenvolvida para conectar diversas infraestruturas, como Pix, Swift, Circle Payments Network, t0 Network, Ripple e Fireblocks Network, abrangendo também stablecoins, instituições bancárias locais e internacionais, além de provedores de liquidez.

A Transfero, que é emissora da stablecoin BRZ – que é vinculada ao real brasileiro para a América Latina – atua como um Banking as a Service (BaaS) no segmento cripto, oferecendo um portfólio diversificado que inclui emissão, câmbio (FX), custódia, compliance e soluções para entrada e saída de fundos (on e off-ramp).
O desenvolvimento da TPN tem como objetivo resolver um problema tradicional do mercado cripto: a fragmentação dos sistemas.
Por exemplo, a stablecoin BRZ da Transfero opera atualmente em 16 blockchains distintas. Essa dispersão, que antes era um desafio operacional, foi transformada em base para a criação de um novo produto.
“Me incomodava o fato de ter que fragmentar meu projeto em 16 tecnologias diferentes, algo incomum”, comenta Claudio Just, sócio-fundador e CEO da Transfero desde julho do ano passado. Ele substituiu Marlyson Silva, outro sócio-fundador que hoje atua como presidente do grupo Transfero. “Com a TPN, passamos a coordenar todas essas redes existentes de forma integrada.”
Atualmente, quatro redes já estão operacionais: Circle Payments Network (CPN) da Circle, t0 Network da Tether, além das redes da Ripple e Swift. A meta é incluir mais três redes até o final deste ano, totalizando sete redes integradas.
A plataforma inicialmente será lançada para realizar transferências internacionais com origem ou destino no Brasil, com planos de expansão para outros mercados. “Começamos com fluxo Brasil para o exterior e vice-versa, mas pretendemos estender para as estruturas na Europa, Estados Unidos, Ásia e além”, detalha o CEO.
Construída com algoritmos inteligentes, a TPN avalia em tempo real variáveis como custo, velocidade, liquidez e disponibilidade das redes para definir a rota mais eficiente para as transações financeiras.
Segundo Claudio Just, o sistema permite que as redes concorram dentro da TPN, oferecendo as melhores condições em termos de preço, rapidez na liquidação e opções de pagamento.
No cenário atual, fragmentado, as transferências internacionais respondem por cerca de 30% da receita da Transfero, que somou US$ 12 milhões em 2025. A expectativa é que, com o novo produto, a receita originada em pagamentos cresça em torno de 200% no médio e longo prazo.
“O crescimento será impulsionado pelas regiões que atuamos. A Ásia, por exemplo, é um mercado bilionário onde a Transfero tem demonstrado aumento de faturamento graças à operação de infraestrutura e a TPN é parte fundamental disso”, acrescenta o CEO.
Quanto à potencial redução nos custos das transações para clientes, Just explica que, como ainda estão em fase de testes para integração de novas redes, é cedo para apresentar números conclusivos.
“A velocidade já é significativamente maior; o custo pode ser menor dependendo da operação, mas a principal vantagem é a eficiência do controle ponta a ponta”, afirma.
“Cada operação de câmbio ou envio de stablecoins depende de um liquidante e de infraestrutura, mas nem todas as camadas são totalmente compatíveis. O que buscamos entregar com a TPN é a integração de todas essas camadas em uma única solução”, detalha.



