B3 registra volumes históricos no primeiro trimestre de 2026
A B3 S.A. (B3SA3) divulgou seus resultados financeiros referentes ao primeiro trimestre de 2026, destacando um faturamento recorde de R$ 3,2 bilhões. Esse valor representa um aumento de 20,5% comparado ao mesmo período de 2025 e um crescimento de 8,5% frente ao quarto trimestre de 2025.
O desempenho superior foi impulsionado especialmente pelo segmento pró-cíclico, composto por Derivativos e Renda Variável, que apresentou crescimento de 23,7%, refletindo a força do modelo de negócios da B3 e o potencial favorável do mercado brasileiro em meio às expectativas de queda das taxas de juros, fluxo estrangeiro e alta volatilidade. Paralelamente, as receitas recorrentes tiveram um aumento de 17,2%, mantendo a trajetória positiva dos períodos anteriores.
André Veiga Milanez, diretor-executivo Financeiro, Administrativo e de Relações com Investidores da B3, enfatizou que o modelo ambidestro da companhia foi essencial para maximizar as oportunidades tanto em receitas pró-cíclicas quanto em recorrentes, culminando na maior receita trimestral da história da empresa e comprovando a consistência da estratégia adotada.
Despesas e lucros
As despesas somaram R$ 918,7 milhões, apresentando crescimento de 10,9% ante o primeiro trimestre de 2025 e mantendo-se estáveis quando comparadas ao quarto trimestre de 2025. Contudo, ao desconsiderar os custos diretamente ligados à receita—os quais foram impactados pela alteração no modelo de cobrança do Sistema Nacional de Gravames (SNG), que gerencia limitações financeiras em veículos usados como garantia de crédito—e gastos ocasionais ligados a provisões para disputas judiciais relacionadas ao preço das ações da B3, as despesas cresceram 5,4%. Esse controle demonstra disciplina na gestão dos recursos, mesmo com o prosseguimento de iniciativas e reforço dos produtos.
O lucro líquido recorrente alcançou R$ 1,5 bilhão, uma elevação de 33,1% em comparação ao primeiro trimestre de 2025 e aumento de 2,6% frente ao último trimestre de 2025. O lucro por ação recorrente chegou a R$ 0,30, superior em 38,6% ao período do ano anterior, beneficiado ainda pela execução do programa de recompra de ações nos últimos doze meses. Já os juros sobre capital próprio distribuídos aos acionistas somaram R$ 372,5 milhões no trimestre.
Inovações e expansão de infraestrutura
Dentro da agenda de inovação, a B3 lançou Contratos de Eventos Financeiros para Ibovespa, Dólar e Bitcoin, que oferecem payout fixo e perda máxima conhecida ao início da operação, simplificando a exposição a cenários futuros desses ativos com transparência e risco limitado. Além disso, em abril, foi implementada a primeira etapa da ampliação do horário de negociação dos contratos futuros de Bitcoin, Ethereum, Solana e Ouro, habilitando negociações entre 09h e 20h.
A companhia também investiu na expansão da infraestrutura de co-location, adicionando novos racks de alta densidade para atender à crescente demanda por maior desempenho, conectividade e acesso eficiente aos sistemas de negociação.
Resultados por segmento
Mercados
O segmento alcançou receita de R$ 2,1 bilhões, crescimento de 20,8% sobre o primeiro trimestre de 2025 e avanço de 11,3% comparado ao trimestre anterior.
No mercado de Derivativos, o volume médio diário negociado chegou a 13,2 milhões de contratos, representando uma alta de 16,4% sobre o primeiro trimestre do ano anterior e de 23,5% em relação ao último trimestre de 2025. Os produtos de juros em reais se destacaram com evolução de 47,4%, resultado da maior volatilidade provocada por eventos geopolíticos. As opções relativas ao Copom tiveram média diária de 834,9 mil contratos, o que representa um aumento de 354,6% em comparação ao mesmo trimestre de 2025, gerando receitas próximas a R$ 25,1 milhões no período.
Já no segmento de Renda Variável, o volume financeiro médio diário negociado à vista atingiu R$ 34,8 bilhões, crescimento de 46,0% e 32,9% comparado ao primeiro e ao quarto trimestres de 2025, respectivamente. Esse desempenho foi impulsionado principalmente pelo investimento estrangeiro, que totalizou R$ 53,8 bilhões no trimestre, mais que o dobro do registrado em todo o ano de 2025, representando quase 60% do volume negociado no período. O volume médio diário de ETFs, BDRs e Fundos Listados obteve alta de 57,5%, somando R$ 5,4 bilhões, equivalendo a 15,5% do volume total negociado.
No segmento de Renda Fixa e Crédito, houve crescimento de 9,1% nas emissões e de 18,5% no estoque médio em relação ao primeiro trimestre de 2025, num contexto ainda favorável para o setor. As emissões de captação bancária subiram 11,1%, puxadas por um aumento de 6,7% nos CDBs emitidos. O estoque médio desses instrumentos registrou crescimento de 18,9%, enquanto as debêntures avançaram 16,8%, confirmando a robustez do mercado corporativo de dívida. Outras modalidades como LCIs, CPRs e LCAs também exibiram subidas expressivas de 24,2%, 21,2% e 11,1%, respectivamente. O estoque médio do Tesouro Direto cresceu 45,5%, encerrando o trimestre com 3,4 milhões de investidores, um aumento de 12,7% frente ao ano anterior.
Soluções para Mercado de Capitais
Este segmento somou receita de R$ 201,7 milhões, crescimento de 28,5% na comparação anual e 4,0% em relação ao último trimestre de 2025.
A receita proveniente de Dados para Mercado de Capitais totalizou R$ 96,5 milhões, 18,8% superior ao primeiro trimestre de 2025, puxada pelo desempenho de produtos analíticos e outros fatores. A receita da Depositária para Mercado à Vista alcançou R$ 70,1 milhões, com alta de 48,6%, devido ao saldo médio 27,1% maior e outros impactos; o número médio de investidores cresceu 5,6% no período. Já as receitas de Listagem e Soluções para Emissores chegaram a R$ 35,1 milhões, crescimento de 23,2% ao ano, alimentado principalmente pela maior quantidade de ofertas públicas, com seis following-ons realizados.
Soluções Analíticas de Dados (Trillia)
Este setor registrou receita de R$ 317,5 milhões, um acréscimo de 22,9% na comparação anual e leve avanço de 0,7% em relação ao quarto trimestre de 2025.
No segmento de veículos e imobiliário, o número de veículos comercializados no Brasil cresceu 17,6% no trimestre, com financiamentos aumentando 12,8%. A receita dessa área totalizou R$ 177,6 milhões, crescimento de 37,7%, impulsionada pelo maior volume de financiamentos e pela adoção do novo modelo de cobrança unificado do Sistema Nacional de Gravames (SNG) via B3.
A receita das plataformas e dados analíticos registrou R$ 139,9 milhões, aumento de 8,1%, resultado dos desempenhos positivos nas verticais de Crédito e Prevenção a Perdas.
Tecnologia e Plataformas
Esse segmento faturou R$ 527,6 milhões, alta de 14,8% sobre o primeiro trimestre de 2025 e incremento de 3,9% em relação ao trimestre anterior.
A média de clientes utilizando mensalmente os sistemas de Balcão cresceu 4,8%, reflexo do progresso da indústria de fundos no país. A receita de Tecnologia atingiu R$ 342,2 milhões, aumento de 11,3%, influenciada pelo maior número de clientes no segmento Balcão e correções anuais de preço ajustadas pela inflação na linha de utilização mensal.
O relatório completo com os resultados operacionais do primeiro trimestre de 2026 está disponível na seção de Relações com Investidores da B3.



