Caso Flávio Bolsonaro diminui chances de derrota de Lula, avalia CEO da AZ Quest
Walter Maciel, CEO da gestora AZ Quest, que administra cerca de R$ 30 bilhões, estava convicto de que as eleições de 2026 poderiam marcar uma alternância no governo. Contudo, a revelação de áudios envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), no qual ele solicita dinheiro ao empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, para financiar um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, causou um impacto negativo no cenário político. Segundo Maciel, esse episódio contribuiu para reduzir as possibilidades de derrota do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Essas conversas foram publicadas no dia 13 de maio, confirmadas posteriormente pelo Estadão, gerando volatilidade nos mercados financeiros brasileiros: o dólar ultrapassou R$ 5 pela primeira vez desde abril e o índice Ibovespa recuou 1,8% no mesmo dia.
Antes da divulgação dos áudios, uma pesquisa realizada pela Genial/Quaest indicava que Lula e Flávio Bolsonaro estavam tecnicamente empatados para um eventual segundo turno nas eleições de outubro, com 42% e 41% das intenções de voto, respectivamente.
Walter Maciel destaca que Lula enfrenta um alto índice de rejeição, e que a principal ala do mercado financeiro, conhecida como Faria Lima, não apoia mais o presidente com o mesmo entusiasmo da eleição anterior.
Nas eleições passadas, Lula conquistou a confiança de investidores significativos ao se estabelecer como principal adversário do então presidente Jair Bolsonaro. Todavia, a condução do seu terceiro mandato causou desapontamento nesse segmento, especialmente devido às medidas econômicas da equipe liderada pelo ex-ministro Fernando Haddad, que priorizou o aumento da arrecadação, como a taxação de fundos exclusivos, a elevação do IOF e a criação de um imposto mínimo sobre lucros e dividendos para contribuintes de alta renda.
Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central e sócio da Gávea Investimentos, que apoiou Lula no segundo turno, declarou ter esperado uma postura econômica mais firme do governo. Similarmente, Luiz Stuhlberger, da gestora Fundo Verde, admitiu que se arrependeu de confiar no compromisso fiscal do PT.
Se Lula perder a eleição de 2026, Walter Maciel prevê reação positiva dos mercados. Ele acredita que a oposição poderá demonstrar compromisso com o ajuste fiscal e implementar reformas estruturais logo no início da gestão, o que impulsionaria uma queda expressiva na curva dos juros futuros, repercutindo na reprecificação do risco Brasil, mesmo com incertezas geopolíticas.
“Caso o próximo presidente apresente um plano fiscal consistente, o Brasil poderá alcançar um forte crescimento imediato”, afirma Maciel. Ele também ressalta que o setor varejista será o principal beneficiado nesse contexto.
A visão da AZ Quest sobre a carteira de ações
Mesmo antes do surgimento dos áudios, Flávio Bolsonaro já não era o candidato preferido da AZ Quest para representar a direita nas próximas eleições presidenciais. A gestora demonstra preferência por um nome mais alinhado ao centro-direita, que possa transmitir maior estabilidade econômica ao mercado.
Diante disso, a gestora mantém uma posição cautelosamente otimista em relação à Bolsa brasileira, influenciada pela combinação dos fatores internos e externos que afetam o apetite por risco dos investidores. Internacionalmente, a nova agenda política e econômica liderada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, enfraqueceu a percepção do dólar como porto seguro, alterando parte dos fluxos de capital, que migraram em direção a mercados emergentes, entre eles o Brasil.
Até 2026, os investidores estrangeiros injetaram R$ 55,1 bilhões na Bolsa brasileira, um volume significativo superior aos R$ 26,8 bilhões registrados no ano anterior. Apesar disso, o período eleitoral e os conflitos no Oriente Médio trouxeram riscos difíceis de serem mensurados para a economia local.
A estratégia predominante da gestora tem focado em ações de empresas com maior exposição ao ambiente doméstico, visto que essas companhias tendem a se beneficiar do ciclo de queda da taxa básica de juros iniciado em março deste ano pelo Banco Central.
Um setor que demonstra maior potencial é o de construção civil. No segmento varejista, a principal aposta da AZ Quest é a Vivara (VIVA3), que deve apresentar crescimento, especialmente pela marca Life, especializada em prata e semijoias.
Nos últimos 12 meses, período marcado por recordes consecutivos do Ibovespa, o patrimônio líquido da carteira de ações da AZ Quest cresceu 34%. A tese de investimento da gestora privilegia empresas de capitalização baixa e média, conhecidas como small caps e middle caps, que representam aproximadamente um terço dos R$ 2,6 bilhões direcionados em renda variável.



