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Guerra No Oriente Médio Impacta Preços De Tênis No Brasil

Guerra No Oriente Médio Impacta Preços De Tênis No Brasil

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Conflito no Oriente Médio já provoca aumento nos preços de tênis no Brasil, afirma CEO da Vulcabras, proprietária da Olympikus

Alta do petróleo pressiona custos e força reajustes em produtos

A escalada das tensões no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos e Irã, já impacta o custo dos tênis comercializados no Brasil, conforme avaliação do CEO da Vulcabras, empresa responsável pela marca Olympikus e que detém a operação das marcas Mizuno e Under Armour no país. Segundo Pedro Bartelle, o conflito provocou alta nas cotações do petróleo, o que elevou os custos das matérias-primas essenciais para a produção de calçados esportivos.

“Essa guerra e a instabilidade do preço do petróleo têm pesado muito nos nossos custos, especialmente nos materiais das solas”, declarou Bartelle em entrevista ao podcast De Frente com CEO, promovido pela EXAME.

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Apesar de cerca de 80% dos insumos serem adquiridos no mercado interno, muitos deles estão atrelados à cotação internacional do petróleo. Assim, espumas utilizadas nas entressolas dos tênis, derivadas do petróleo, já chegaram com preços mais altos às fábricas, influenciando diretamente os custos de produção.

Adaptação diante dos desafios

O aumento dos custos levou a companhia a revisar seus planos para o ano. “Embora não tenha sido possível reajustar o preço de todos os produtos, muitos itens da nova coleção já sofreram aumentos, e essa tendência deve se manter se o cenário atual não se normalizar”, apontou o executivo.

Além da guerra, a Vulcabras acompanha outros elementos que podem afetar seu desempenho, como fatores macroeconômicos—inflação, o calendário eleitoral e eventos globais como a Copa do Mundo. Para enfrentar o ambiente mais turbulento, a empresa optou por ajustar suas coleções, renegociar custos e focar em produtos que ofereçam melhor custo-benefício.

Essa preocupação com a margem de lucro está em linha com a recente transformação da Vulcabras, que saiu de uma situação de endividamento bilionário para alcançar um faturamento recorde em 2025.

Reestruturação e aposta no esporte de alto desempenho

Quando Pedro Bartelle assumiu a liderança da Vulcabras, em 2015, a companhia ainda enfrentava um momento difícil, com dívida de R$ 1,1 bilhão e perdas acumuladas, além do desafio de recuperar a competitividade frente à competição dos produtos asiáticos.

A estratégia adotada foi concentrar investimento no segmento esportivo. Só nos últimos cinco anos, a Vulcabras aplicou mais de R$ 1 bilhão em expansão da capacidade produtiva, modernização das suas plantas e inovações tecnológicas. Com 24 mil colaboradores e unidades fabris na Bahia e Ceará, a empresa possui hoje um dos maiores centros de pesquisa e desenvolvimento de calçados esportivos da América Latina, localizado em Parobé, no Rio Grande do Sul.

Uma aposta importante foi o mercado de corrida, identificado pela empresa como em expansão no Brasil há cerca de seis anos. O objetivo foi desenvolver um tênis brasileiro capaz de competir com marcas globais. Para isso, a empresa envolveu atletas, especialistas em biomecânica e corredores profissionais e amadores no desenvolvimento da linha Corre.

Esse projeto revolucionou a estratégia da marca, que passou a competir no segmento de alta performance, conquistando vitórias em provas importantes. Pelo terceiro ano consecutivo, a Olympikus é a marca mais utilizada por corredores brasileiros na plataforma Strava.

“Queríamos demonstrar que uma marca nacional poderia criar produtos competitivos internacionalmente e se apresentar como líder no Brasil”, explicou Bartelle.

A linha Corre segue crescendo e prepara já o lançamento da sexta geração prevista para o próximo ano, ampliando a diversidade de produtos com foco em amortecimento e placas de propulsão para atender corredores de alto rendimento.

Foco no crescimento sustentável e internacionalização

A abordagem adotada impulsionou os resultados da Vulcabras, que registrou faturamento de R$ 4,1 bilhões no último ano, acumulando 23 trimestres consecutivos de crescimento. No primeiro trimestre de 2026, mesmo com custos mais altos, a companhia ampliou as margens bruta e EBITDA.

Bartelle enfatiza que o crescimento da empresa é contínuo, mas o foco permanece em manter solidez financeira e entregar resultados consistentes, evitando crescer a qualquer preço.

Além de lançar novos produtos, a empresa tem investido na ampliação dos canais próprios, com o comércio eletrônico já representando mais de 15% das vendas diretas ao consumidor. Ainda neste ano, estão previstas as inaugurações de duas novas lojas monomarca da Under Armour.

A internacionalização da Olympikus começa a ganhar impulso. Em 2026, a marca iniciou operações na Espanha com a linha Corre, em um projeto piloto que poderá abrir caminho para a entrada em outros mercados.

A Vulcabras conta hoje com uma estrutura robusta nacional, distribuída entre 24 mil funcionários, duas fábricas no Nordeste (Bahia e Ceará), um centro de distribuição em Extrema (MG) e o maior centro de pesquisa e desenvolvimento de calçados esportivos da América Latina, localizado em Parobé (RS), onde o design e montagem dos tênis combinam expertise humana e tecnologia avançada. Além disso, a companhia comercializa seus produtos em mais de 15 mil pontos de venda espalhados pelo país.

Se poucos anos atrás o foco era superar uma dívida bilionária, atualmente o grande desafio, segundo Bartelle, é atravessar um período global de incertezas, mantendo agilidade e crescimento dentro da empresa.

“Estamos testando outros mercados aos poucos, mas o Brasil continua sendo o principal mercado da Vulcabras”, conclui o CEO.

Entrevista completa

Confira a entrevista de Pedro Bartelle, CEO da Vulcabras, no podcast De Frente com CEO, gravada no Rio Grande do Sul:

Entrevista com Pedro Bartelle, CEO da VulcabrasFonte

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