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Por Que Small Caps Não Aproveitaram O Rali Da Bolsa

Por Que Small Caps Não Aproveitaram O Rali Da Bolsa

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Por que as ações de small caps ficaram de fora do recente avanço na bolsa?

No final de maio, foi publicada uma reportagem detalhada explicando os motivos pelos quais as ações de menor capitalização, conhecidas como small caps, não acompanharam o crescimento recente do mercado acionário brasileiro. Essa valorização se deu sobretudo pela entrada de recursos vindos de investidores estrangeiros, que tendem a preferir papéis mais líquidos, geralmente de empresas maiores, em vez das small caps.

Na minha dissertação de mestrado, avaliei o desempenho das ações do índice Ibovespa entre 1996 e 2016, com a intenção de aplicar ao mercado brasileiro um estudo realizado por Fama e French em 1992. Em sua pesquisa, esses autores mostraram que, no médio prazo, as carteiras compostas por empresas menores costumam superar aquelas formadas por companhias maiores.

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No entanto, minhas análises indicaram algo diferente: “a carteira formada por ações de empresas menores apresentou rentabilidade média similar à das grandes durante as duas décadas estudadas, portanto, não espelhou os achados de Fama e French”. Isso significa que aqui as small caps não entregaram retornos superiores às ações de grandes empresas.

Esse cenário foi ainda mais desfavorável no período do governo Dilma Rousseff, quando a carteira com ativos de menor porte rendeu menos do que a carteira de ações de maior capitalização. Fatores como a elevada incerteza macroeconômica, marcada pela inflação anual média mais alta entre os períodos analisados, o crescimento do PIB médio de apenas 1,3% ao ano e significativa desvalorização cambial, podem ter prejudicado negócios menores e, consequentemente, afetado o desempenho das small caps.

Empresas maiores geralmente possuem maior solidez financeira e capacidade para suportar tempos difíceis, o que explica seu melhor comportamento nesse período. Isso se assemelha ao quadro atual. Conforme apontado na reportagem, enquanto o Ibovespa subiu 9,1%, o índice de small caps da B3 (SMLL) teve queda de 0,6%. Sem dúvida, a instabilidade fiscal junto a juros elevados prejudicaram os papéis de menor capitalização.

Três meses atrás, comentei na rede social LinkedIn que o recente crescimento do mercado tinha mais caráter técnico — baseado no volume financeiro — do que fundamentos sustentáveis. Na ocasião, ressaltei: “sem uma mudança na mentalidade econômica, com redução do tamanho do Estado, diminuição da carga tributária e controle da dívida pública, o mercado acionário brasileiro continuará sendo um investimento de nicho”. Desde o pico, o Ibovespa caiu cerca de 15%, e desta vez até as maiores ações foram afetadas pelo ambiente econômico local adverso.

André Rocha é bacharel pela UFRJ, mestre em economia pela FGV/EPGE, advogado e analista certificado pela Apimec.

Você pode acompanhar André Rocha nas redes sociais: X (ex-Twitter), Instagram e Linkedin.

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