‘O Brasil é o país da Festa Junina’, afirma CMO da General Mills, proprietária da Yoki
Apesar de a aprovação da compra pela 3 Corações ainda estar pendente no Cade, a empresa continua operando normalmente e planeja ampliar fábrica e lançar novos produtos sazonais para a Copa do Mundo
O Brasil é globalmente reconhecido por seu Carnaval e paixão pelo futebol, porém, para a General Mills Brasil, dona das marcas Yoki e Kitano, outra tradição nacional tem se destacado e movimentado milhões de consumidores: a Festa Junina.
Conforme estudo da JLeiva Cultura & Esporte, feito com 19,5 mil pessoas nas 26 capitais brasileiras e no Distrito Federal, 78% dos entrevistados que participam de eventos populares estiveram em festas juninas no último ano. Em contraste, apenas 48% participaram do Carnaval, que não lidera em nenhuma capital.
Fabiola Menezes de Paula, vice-presidente de Marketing da General Mills Brasil, compartilha: “O Brasil é o país da Festa Junina. Essa é uma celebração nacional e inclusiva que une pessoas de todas as idades e se estende por quase um mês inteiro.”
Para a companhia, esta época é o principal momento do calendário comercial, abrangendo categorias tradicionais como pipoca, canjica, amendoim e outros ingredientes típicos dessas festividades.
Este ano, um fator adicional deve estimular as vendas: a coincidência entre as festas juninas e a Copa do Mundo.
“Há oito anos não assistíamos à união dessas duas paixões nacionais, e isso deve gerar um impacto muito positivo para a empresa”, destaca Fabiola Menezes.
Pipoca dobra consumo; canjica chega a triplicar
Durante o período junino, o consumo de pipoca pode dobrar, enquanto a demanda por canjica chega a ser três vezes maior que nos meses fora da temporada, segundo a executiva.
Embora a aquisição da operação brasileira pela 3 Corações ainda aguarde aprovação do Cade, e por isso a empresa prefira não detalhar expectativas de crescimento, Fabiola afirma que as projeções para a temporada são positivas.
Além dos pratos típicos, a General Mills planeja aproveitar o aumento das reuniões familiares e de amigos para a Copa do Mundo, impulsionando o consumo de snacks.
“Com mais pessoas reunidas para assistir aos jogos, categorias como pipoca, amendoim e salgadinhos ganham relevância,” explica a vice-presidente, que também ressalta a inovação em sabores, incluindo até mesmo amendoim verde e amarelo, remetendo ao Brasil.
“Queremos que nossos produtos façam parte da celebração familiar e até sirvam para decorar a casa na torcida,” complementa.
Inteligência artificial acelera pesquisas com consumidores
Embora a General Mills valorize tradições centenárias, a empresa tem adotado a inteligência artificial para otimizar processos internos, como pesquisas de mercado.
De acordo com Fabiola, a companhia consegue iniciar um estudo na sexta-feira e, ao chegar na segunda-feira, já conta com entrevistas, vídeos editados e relatórios completos.
“A IA realiza as entrevistas durante o fim de semana, e na segunda-feira temos todo o material para tomar decisões rápidas,” detalha.
No entanto, a tecnologia ainda não substituiu o uso de pessoas nas campanhas publicitárias. A atual campanha da Yoki para o São João é estrelada pela cantora Simone Mendes e não utiliza imagens geradas por inteligência artificial.
“O consumidor busca ver alimentos reais e pessoas reais, pois isso gera uma conexão mais genuína,” reforça.
Expansão e operação no Brasil
A General Mills finalizou seu ano fiscal em maio com avanços significativos em receita, rentabilidade e participação de mercado, apesar dos dados ainda aguardarem divulgação global. Mais de 80% das categorias acompanhadas pela empresa lograram crescimento na participação nacional.
Sua principal fábrica está localizada em Pouso Alegre (MG), enquanto a unidade de Campo Novo do Parecis (MT) é responsável pela produção do milho para pipoca. As operações brasileiras geraram aproximadamente US$ 350 milhões em vendas líquidas no ano fiscal de 2025, enquanto globalmente a empresa alcançou US$ 19 bilhões.
“Estamos avaliando a possibilidade de novas ampliações na planta mineira ainda este ano,” revela Fabiola.
Enquanto a aprovação da compra pela 3 Corações está em análise pelo Cade, o negócio segue atuando normalmente.
Fabiola destaca que, embora as marcas estejam presentes em outros países via exportações, como Estados Unidos e Portugal, elas mantêm a essência brasileira.
“Atendemos o ‘mercado da saudade’, formado por brasileiros que moram no exterior e sentem falta de produtos como farofa, batata palha e bolo de fubá. Porém, nossa produção continua no Brasil para o mercado brasileiro,” conclui a executiva.



