De apelido ‘abacaxi’ na adolescência a faturamento de R$ 18 milhões com cuidados para pele
Lucas Penteado transforma experiência pessoal em negócio de sucesso no setor de skincare
Lucas Penteado carregava um desafio desde os 14 anos: o rosto com muitas espinhas resultava em apelidos pejorativos, como “abacaxi”, entre colegas na escola de Santos. Durante o período de 2012 a 2014, quando sofreu bullying, ele acabou se afastando da escola e, após completar 18 anos, fez o supletivo. Mais tarde, essa vivência pessoal o inspirou a criar um empreendimento focado em skincare.
Hoje com 27 anos, Lucas é o fundador da Piny, uma marca especializada em produtos para peles oleosas e com tendência a acne, desenvolvida em Campinas (SP) e lançada oficialmente em março de 2021. A empresa prevê um faturamento de R$ 18 milhões em 2026, dobrando o resultado do ano anterior, que foi próximo a R$ 9 milhões, e almeja atingir R$ 70 milhões até 2028.
Atualmente, a Piny vende em torno de 20 mil unidades de seus produtos mensalmente e possui uma base anual de mais de 240 mil clientes. A empresa informa que mais de 44 mil consumidores já relataram melhorias no tratamento da acne utilizando seus produtos.
Origem do nome da marca e ressignificação do apelido
O nome Piny é uma adaptação de “pineapple”, palavra em inglês para abacaxi, simbolizando uma forma de transformar o apelido recebido na adolescência em algo positivo. O slogan da companhia, “pele de abacaxi nunca mais”, também deriva dessa história pessoal.
Antes de fundar a marca, Lucas experimentou diferentes tratamentos para acne, que, embora reduzissem as espinhas, frequentemente provocavam irritação, vermelhidão ou descamação na pele, o que impactava negativamente sua rotina em Santos, cidade praiana onde costumava praticar esportes e atividades ao ar livre.
A virada aconteceu quando uma tia dermatologista trouxe dos Estados Unidos uma fórmula em bisnaga, que Lucas passou a utilizar por conta própria e constatou significativa melhora em sua pele. Motivado, ele continuou usando o produto por anos.
Início da trajetória empreendedora
No período da pandemia, enquanto estudava Administração no Mackenzie e buscava uma oportunidade de estágio sem sucesso, Lucas decidiu investir na fórmula que vinha usando para desenvolver sua própria empresa. Com um aporte inicial de R$ 45 mil, direcionado à compra de estoque, embalagens e criação de uma loja online, ele lançou a Piny. No primeiro ano, o faturamento alcançou aproximadamente R$ 700 mil.
“Comecei a Piny entre 20 e 21 anos, na primeira semana da pandemia”, conta Lucas. “Eu mesmo fazia marketing, cuidava das parcerias com influenciadores e gerenciava o tráfego pago.”
Estratégias para escalar o negócio
No começo, a operação era artesanal, com Lucas e um primo embalando os produtos de forma manual. Quando a receita mensal chegou em torno de R$ 500 mil há dois anos, ele buscou auxílio dos fundadores da empresa Hidratei para estruturar melhor o negócio.
O crescimento da Piny esteve ligado principalmente ao canal digital, com o uso de influenciadores, tráfego pago e lançamentos constantes. Atualmente, o portfólio da marca inclui produtos como máscaras, boosters, pós e adesivos hidrocoloides em formato de estrela, estes últimos disponíveis também em pontos físicos.
A equipe direta da Piny é composta por cinco colaboradores atuando no formato PJ, além de 20 a 25 parceiros ligados a logística e outros serviços.
A previsão de faturar R$ 18 milhões em 2026 se baseia na média mensal de receita atual, que gira em torno de R$ 1,5 milhão, considerando que ainda não inclui os aumentos pontuais de vendas em datas promocionais como Black Friday.
Expansão para o varejo físico
A marca está entrando no comércio tradicional, já disponível na Drogaria Iguatemi e em negociações para integrar a Drogaria São Paulo. Além disso, planeja instalar um quiosque fixo no Iguatemi Faria Lima e realizar pop-ups em shoppings como Eldorado, Morumbi e Ibirapuera.
A estratégia prevê lançar produtos exclusivos para o varejo físico com o objetivo de atrair clientes da plataforma digital para as lojas. Os adesivos em formato estrela são um exemplo desse esforço.
Lucas explica que é um desafio levar os consumidores do ambiente online para o físico, por isso a marca prepara linhas de produtos distintas para cada canal.
Além de ampliar a oferta, a Piny estuda a entrada no mercado de franquias, buscando consolidar-se como uma marca de maior expressão no segmento de skincare.
Inovação tecnológica para atendimento personalizado
A Piny desenvolveu uma ferramenta própria de análise de pele baseada em inteligência artificial, focada em problemas relacionados à acne. Através dessa plataforma, o cliente pode enviar uma fotografia do rosto para avaliação da oleosidade, identificação do tipo de acne e recomendações personalizadas para sua rotina de cuidados.
A intenção é criar um ecossistema completo para quem tem pele oleosa e acneica, oferecendo mais do que um tratamento pontual, mas um cuidado diário contínuo.
“A proposta da Piny é oferecer um sistema completo para pessoas com pele oleosa. Quem tem esse tipo de pele, como eu, precisa manter cuidado diário, algo tão fundamental quanto escovar os dentes”, afirma Lucas Penteado.



