Visa, Stripe e BNY formam aliança para lançar stablecoin lastreada em dólar
Visa, Stripe e Bank of New York Mellon (BNY) estão entre dezenas de instituições financeiras que uniram forças para criar uma stablecoin com lastro em dólar, na tentativa de ampliar o uso de dinheiro digital. Essa iniciativa, chamada Open Standard, conta com o apoio de mais de 100 empresas do setor financeiro, redes de pagamento, companhias de cripto e bancos, conforme informam publicações relacionadas.
Outros integrantes dessa coalizão incluem nomes como BlackRock, Klarna, Chime Financial, Alphabet e Coinbase.
A Open Standard desenvolverá a própria stablecoin chamada Open USD, cujo lançamento está previsto ainda para este ano, e todos os parceiros planejam integrar a moeda digital em suas plataformas de forma direta.
Zach Abrams, cofundador e diretor-presidente da Bridge, empresa de infraestrutura para stablecoins controlada pela Stripe e que assumirá a presidência temporária do projeto Open Standard, destacou que embora as stablecoins atuais possuam qualidades, elas necessitam ser abertas, de baixo custo, com rápida capacidade de processamento e grande acessibilidade para ganharem uso em larga escala pelas empresas.
As stablecoins têm crescido em popularidade, especialmente nos EUA, incentivadas por apoios regulatórios recentes, como aqueles defendidos pelo ex-presidente Donald Trump. Esses ativos digitais são lastreados principalmente em dólares e garantidos por reservas financeiras de curto prazo, como títulos do Tesouro e caixa, o que restringe sua volatilidade.
Além de funcionarem como instrumento para operações internacionais, as stablecoins facilitam a troca entre moedas digitais e tradicionais, oferecendo proteção contra oscilações cambiais em moedas menos estáveis.
Entre as empresas participantes da Open Standard, muitas já utilizam ou emitiram stablecoins próprias. A Klarna lançou sua stablecoin em novembro; a Mastercard adquiriu recentemente a startup BVNK, especializada em infraestrutura para stablecoins; e a Stripe, avaliada em US$ 159 bilhões, sempre apostou nessa tecnologia.
Apesar da ampla movimentação, o mercado atual desse setor ainda é dominado por um grupo reduzido de emissores. Hoje, USDT da Tether Holdings e USDC da Circle respondem pela maior parte do volume negociado. A PYUSD, da PayPal, lançada em 2023, ainda figura como concorrente menor. Nenhuma dessas três empresas integra a nova aliança Open Standard.
Carolyn Weinberg, diretora de produtos e inovação do BNY, ressaltou que uma stablecoin com governança neutra e modelo econômico compartilhado pode promover um avanço significativo no crescimento dos ativos digitais.
De maneira geral, emissores de stablecoins geram receita através dos rendimentos provenientes das reservas que respaldam os tokens. No caso da Open Standard, os lucros advindos das reservas do Open USD serão distribuídos entre os parceiros, descontando-se apenas uma taxa administrativa para cobrir custos operacionais.
Jorn Lambert, diretor de produtos da Mastercard, enfatizou que tecnologias revolucionárias, como a internet e redes móveis, prosperaram por se tornarem infraestruturas compartilhadas que qualquer empresa poderia utilizar para inovar. Com a popularização das stablecoins como meio global para movimentação de capital, ele acredita que a infraestrutura que as sustenta deve ser igualmente aberta, interoperável e amplamente acessível.




