Alta do petróleo aponta risco oculto que pode impactar o Fed
O conflito entre Israel e Irã elevou o preço do petróleo acima dos US$ 100 por barril, reacendendo preocupações globais com a inflação. Apesar desse choque, os índices Nasdaq e S&P 500 continuaram atingindo recordes históricos, fenômeno que tem provocado divergências entre analistas de mercado e especialistas em relações internacionais.
Enquanto parte dos investidores acredita que a crise será resolvida em breve, com queda nos preços do petróleo, profissionais que acompanham a geopolítica ressaltam que a situação permanece delicada. O Irã, após o confronto, parece ter identificado novas estratégias de pressão semelhantes às movimentações da China em resposta às tarifas implementadas pelo ex-presidente americano Donald Trump.
Este tema foi debatido no programa Expert Talks, da XP, com os comentários de Fernando Ferreira, estrategista-chefe, e Caio Megale, economista-chefe da XP, ao lado de Gustavo Campanha, gestor de ações globais da WHG, e Fernando Fenolio, economista-chefe da mesma gestora.
Desempenho e estratégia do fundo global
Gustavo Campanha relatou que o principal fundo da WHG, focado em ações internacionais, completou cinco anos com um retorno acumulado próximo de 210%, gerenciando um patrimônio de R$ 8 bilhões. Sua estratégia envolve comprar e vender ações globalmente, ajustando o volume do investimento conforme as condições do mercado. Neste ano, o fundo registra alta de 22%, acumulando 45% em 2025.
Impactos da guerra nas projeções econômicas
Segundo Fernando Fenolio, a chance de uma escalada militar foi considerável no começo de abril, mas diminuiu após um recuo do ex-presidente Trump. O economista avalia que não haverá uma retomada de conflito armado, prevendo uma situação de impasse prolongado, similar a um cessar-fogo sem data para terminar.
Entretanto, o impacto econômico residual já é perceptível. Os preços físicos do petróleo na Ásia ultrapassaram US$ 140 por barril, afetando empresas que, por sua vez, adotam medidas para conter custos. Exemplos incluem a alemã Lufthansa, que cancelou 20 mil voos entre junho e outubro, e a brasileira Gol, que reduziu algumas rotas para economizar combustível.
Fenolio destaca três principais obstáculos para um acordo definitivo: a situação do estreito de Ormuz, considerado vital para o comércio de petróleo; o destino do programa iraniano de enriquecimento de urânio; e questões envolvendo Israel e Líbano. Ele também mencionou que houve uma oferta de US$ 20 bilhões – feita por Trump – para adquirir o estoque de urânio do Irã, que, no entanto, foi rejeitada.
A percepção geral é que conflitos tendem a estimular a inflação, e os efeitos nos preços ainda devem se intensificar nos próximos meses. O combustível de aviação, por exemplo, já subiu entre 30% e 100%, enquanto o diesel no Brasil apresenta uma defasagem próxima a 50%, segundo dados do economista da WHG.
O risco reside na possibilidade de essas pressões acumuladas desencadearem reações econômicas não lineares em nível global no segundo semestre do ano.



