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Como Usar IA Para Lotar Seu Restaurante De Forma Prática

Como Usar IA Para Lotar Seu Restaurante De Forma Prática

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Como utilizar IA para preencher seu restaurante: orientações práticas da maior feira do setor mundial

Na NRA Show, a maior feira global voltada ao setor de restaurantes, especialistas compartilharam estratégias para que estabelecimentos consigam destacar-se nas buscas realizadas por inteligência artificial, além de utilizar feedbacks de clientes para potencializar o marketing.

Durante o evento realizado em Chicago, EUA, um dos debates mais movimentados não abordou inovações como robótica na cozinha ou entregas ultrarrápidas, mas sim como garantir que um restaurante seja recomendado por sistemas de IA, como o ChatGPT, quando questionado sobre locais para jantar.

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O panorama das pesquisas online está evoluindo rapidamente. O consumidor, ao invés de buscar por termos genéricos como “hamburgueria perto de mim” no Google, passa a fazer perguntas específicas para assistentes virtuais, como: “Onde jantar em Chicago próximo à NRA Show, com opções sem glúten e mesa para seis pessoas?”.

Estabelecimentos que não estiverem preparados para esses novos critérios correm o risco de desaparecer das indicações fornecidas por essas tecnologias.

Esse cenário motivou David “Rev” Ciancio, proprietário da Handcraft Burgers & Brew em Nova York, e Kenneth Scharlatt, fundador da consultoria Savage Orchid Hospitality, a organizarem o painel chamado “The AI Playbook”, com o objetivo de ensinar operadores a aplicar IA como uma ferramenta efetiva de marketing.

Ciancio declarou que, quando a IA compreende a marca, seus objetivos e o papel do proprietário, ela deixa de ser apenas uma ferramenta para tornar-se uma parceira estratégica. Segundo ele, é essencial realizar um processo de onboarding da IA similar ao que se faz com novos colaboradores.

O conteúdo deste painel serviu como um guia prático para restaurantes aprenderem a se posicionar corretamente nas buscas feitas por inteligência artificial, e a seguir detalhamos os passos indicados.

1. Capacite a IA como parceira estratégica

Passos a seguir:

  • Abra seu modelo de linguagem preferido — como ChatGPT, Gemini, Claude ou outros — e questione: “O que você já sabe sobre meu restaurante?”
  • Alimente a IA com informações da página “Sobre”, missão, posicionamento e história da marca
  • Peça que ela compare os dados fornecidos pela empresa com o que está na internet
  • Explique qual é o seu papel dentro do negócio
  • Indague o que ainda é preciso saber para que ela ofereça respostas mais precisas

Conforme destaca Ciancio, muitos integrantes do setor recorrem à IA pedindo ideias genéricas de posts e acabam frustrados com a qualidade dos resultados. O erro geralmente não está na tecnologia, mas na falta de um contexto adequado.

Ele compara esse processo ao treinamento de um novo funcionário: quanto mais informações relevantes a IA receber no início, melhores serão suas respostas.

Como exemplo, Ciancio utilizou sua própria hamburgueria. Após alimentar o sistema com detalhes da marca, criou um agente personalizado capaz de reconhecer imediatamente quem é ele, qual a missão do restaurante e o que precisa, sem reiniciar do zero a cada interação.

Outro destaque do painel foi um recurso para quem trabalha com conversas longas nos modelos de IA: solicitar que a ferramenta comprima o diálogo anterior e gere um resumo para reaproveitar o contexto em novas conversas.

Dica prática: Em plataformas como Gemini, ChatGPT ou Claude, é possível criar bots customizados para manter o contexto e evitar recomeçar o treinamento repetidamente.

2. Destaque-se em buscas locais contextuais

Passos a seguir:

  • Pergunte à IA o que ela sabe sobre seu estabelecimento
  • Solicite as 10 principais perguntas que potenciais clientes fariam ao procurar um negócio como o seu
  • Crie uma página com respostas para essas dúvidas frequentes (FAQ)
  • Mantenha atualizados perfis em Google, Yelp, TripAdvisor, Apple Maps e outros diretórios relevantes
  • Responda avaliações e comentários dos clientes

Embora haja especulações de que o Google estaria perdendo importância devido ao uso crescente de IA para decisões sobre onde comer, os dados mostrados indicam que as pesquisas tradicionais continuam crescendo. O que mudou é o comportamento do usuário, que agora faz buscas mais completas e personalizadas por meio de IA.

No Google, alguém pode pesquisar simplesmente por “hamburgueria no centro”. Já nos sistemas de IA, a pergunta será algo como: “Estou em Chicago para a NRA Show e busco um restaurante com churrasco americano, reserva para as 19h30 e opções sem glúten”.

Esse tipo de resposta depende de informações organizadas e facilmente acessíveis. Diferentemente dos humanos, modelos generativos não “leem” um cardápio literalmente, mas buscam padrões estruturados, perguntas frequentes e respostas objetivas.

Ciancio enfatiza que chatbots de IA preferem informações organizadas em FAQs, algo que poucos estabelecimentos estão preparados para oferecer.

Dica prática: Além dos dados básicos como horário e endereço, responda especificamente a perguntas como:

  • Existem opções vegetarianas?
  • O que diferencia o restaurante?
  • Atendem grupos?
  • Funcionam com reservas?

Esses detalhes são frequentemente utilizados para gerar recomendações mais adequadas via IA.

3. Utilize avaliações de clientes como fonte estratégica

Passos a seguir:

  • Exporte comentários e avaliações do Google e Yelp
  • Carregue esses dados na IA para análise
  • Peça para identificar padrões recorrentes
  • Compare o tom e linguagem dos clientes com os da marca
  • Identifique discrepâncias entre o posicionamento da empresa e a percepção real dos consumidores

A valoração estratégica dos feedbacks online ainda é pouco explorada, apesar de seu enorme potencial para aprimorar o negócio. Muitos restaurantes limitam-se a verificar apenas os comentários negativos e seguem adiante.

Com IA, uma análise que poderia levar semanas manualmente é feita em minutos.

Na hamburgueria de Ciancio, por exemplo, o processo identificou um grupo específico chamado por ele de “intelectuais da gastronomia”, clientes que valorizam detalhes técnicos no preparo, como temperatura do queijo e reação de Maillard em métodos específicos.

Ciancio contou que percebeu não produzir conteúdo direcionado para esse público exigente.

Dica prática: Solicite que a IA agrupe avaliações por temas, emoções e perfis de consumidores, criando uma base para estratégias posteriores.

4. Crie avatares e perfis de clientes

Passos a seguir:

  • Utilize as avaliações para segmentar clientes segundo comportamento e motivações
  • Desenvolva entre cinco e oito perfis principais
  • Identifique os gatilhos decisórios e preferências de cada segmento
  • Use esses perfis para orientar estratégias de conteúdo, programas de fidelidade e escolhas de cardápio

O marketing convencional tenta falar com todas as pessoas simultaneamente, o que gera conteúdos genéricos que não se conectam profundamente com ninguém.

A estratégia dos avatares busca o oposto: focar nos perfis base que sustentam o negócio e produzir comunicação direcionada para eles.

Na Handcraft Burgers, perfis criados foram, por exemplo, o “Purista”, fascinado por técnica culinária; “O Pai Viajante”, impondo praticidade; “O Cliente Solo”, interessado em agilidade; e “O Forasteiro”, que aprecia itens menos usuais do cardápio. Para cada grupo, a IA recomendou diferentes tipos de conteúdo.

Ciancio prevê que dois ou três desses grupos representarão cerca de 80% da receita. Conhecê-los permite reorganizar a estratégia para melhor atender esses clientes.

Dica prática: Após definir os perfis, peça recomendações à IA para ajustar campanhas em redes sociais, e-mails promocionais e programas de fidelidade adequados a cada avatar.

5. Alinhe a marca à percepção do cliente

Passos a seguir:

  • Compare o conteúdo institucional da marca com as avaliações dos clientes
  • Peça para a IA identificar divergências entre esses dois pontos de vista
  • Solicite frameworks de conteúdo para minimizar essas diferenças
  • Reestruture FAQs e a página “Sobre” com base nos insights obtidos

Esta etapa funciona como um teste de realidade para a empresa.

Após análise das avaliações, construção dos perfis e identificação de padrões, surge a questão fundamental: o restaurante é visto da maneira como acredita ser?

Na maioria dos casos, a resposta é negativa, o que gera consequências como campanhas ineficazes, baixa taxa de retorno dos clientes e interações pouco produtivas nas redes sociais.

Scharlatt lembra que, se a mensagem que a marca tenta transmitir não é a mesma que os clientes percebem ou desejam ouvir, algum aspecto está falhando. A IA ajuda justamente a revelar essas falhas.

Ciancio exemplifica com sua experiência: a economia exagerada das redes sociais ao priorizar humor e fotos bonitas acabou ofuscando a mensagem principal sobre a qualidade real da comida, que é muito valorizada pelos clientes.

Dica prática: Evite pedir apenas postagens pontuais e solicite à IA frameworks de conteúdo reutilizáveis para manter o reforço contínuo dos atributos genuínos valorizados pelo público.

A repórter viajou a convite da Galunion.

Fonte

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