Ibovespa B3 encerra a semana com queda de 3,7% influenciado por tensões geopolíticas e cenário eleitoral; dólar atinge R$ 5,06
A cautela dominou o mercado acionário brasileiro nesta sexta-feira (15), fazendo com que o Ibovespa B3 recuasse 0,61%, fechando aos 177.283,83 pontos. Ao longo da semana, o índice acumulou uma queda significativa de 3,71%, refletindo o impacto das incertezas internas e externas.
No âmbito internacional, mesmo após encontros diplomáticos entre os líderes da China e dos Estados Unidos na Ásia e palavras otimistas, as preocupações com o conflito no Oriente Médio ressurgiram com força. A situação delicada, especialmente com o Estreito de Ormuz ainda interditado, contribui para um aumento no risco de inflação global. Essa instabilidade elevou o preço do petróleo, que voltou a se aproximar dos US$ 110 por barril, pressionando os mercados.
Internamente, o mercado acompanha de perto o ambiente político, principalmente com as eleições presidenciais previstas para outubro. O foco se volta para notícias envolvendo o pré-candidato Flávio Bolsonaro e sua relação com Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, instituição que foi liquidada pelo Banco Central, fomentando a prudência dos investidores.
Desempenho do Ibovespa
Ao longo do pregão, o Ibovespa se moveu entre a máxima intradiária de 178.340,52 pontos e a mínima de 175.417,25 pontos. O volume financeiro negociado na B3 foi expressivo, somando R$ 31,7 bilhões.
Entre as ações que apresentaram maiores ganhos no dia destacaram-se:
- BEEF3: valorização de 7,58%, fechando a R$ 4,40
- BRAV3: alta de 2,75%, cotada a R$ 18,69
- PRIO3: incremento de 2,24%, terminando em R$ 68,80
- PETR3: avanço de 2,17%, valendo R$ 50,45
- NATU3: subida de 1,53%, com preço de R$ 9,94
Por outro lado, as maiores quedas foram observadas nas ações:
- USIM5-7: retração de 7,79%, cotada a R$ 9,12
- HAPV3: baixa de 6,11%, encerrando a R$ 12,45
- CSAN3: queda de 5,16%, por R$ 4,41
- CSNA3: diminuição de 3,75%, valendo R$ 6,42
- DIRR3: perda de 3,57%, a R$ 12,98
Comportamento do dólar
O dólar comercial voltou a se valorizar frente ao real, ultrapassando a marca dos R$ 5. No fechamento, a moeda americana subiu 1,63%, atingindo R$ 5,06, refletindo a aversão ao risco diante dos desdobramentos internacionais e internos.
Bolsas de Nova York
Os mercados norte-americanos também sentiram o impacto da escalada do conflito no Oriente Médio, registrando perdas durante o dia e fechamento misto na semana. O Dow Jones recuou 1,07%, o S&P 500 caiu 1,24% e o Nasdaq teve baixa de 1,54% no pregão desta sexta.
Na soma semanal, o Dow Jones apresentou queda de 0,17%, o S&P teve leve alta de 0,12% e o Nasdaq caiu 0,8%.
Fatores que influenciaram o mercado
De acordo com Paula Zogbi, estrategista-chefe do Nomad, o movimento atual reflete uma forte aversão ao risco, num cenário marcado pela reprecificação agressiva dos ativos globais frente à persistente pressão inflacionária e às tensões geopolíticas. Ela destaca que as acusações entre Teerã e Washington indicam pouca disposição para um consenso na guerra, prolongando a instabilidade na região.
O conflito, que mantém o preço do petróleo Brent acima de US$ 108, reforça o choque de oferta, alimentando as pressões inflacionárias globais. Dessa forma, o mercado passa a trabalhar com a possibilidade de juros mais elevados por um período mais extenso.
Contexto macroeconômico nacional
No Brasil, o setor de serviços teve uma queda de 1,2% em março de 2026 em comparação ao mês anterior, depois de um período de estabilidade em fevereiro. Esse recuo afetou todas as cinco atividades analisadas, com o segmento de transportes sofrendo uma diminuição de 1,7%, contribuindo para um cenário mais desafiador para a economia nacional.



