Sem avanços definitivos para o término do conflito, foco do mercado recai sobre dados fiscais e indicadores de emprego
Após a recente Superquarta, os investidores continuam atentos à situação da guerra no Oriente Médio. O tema foi amplamente abordado nas declarações dos bancos centrais na última quinta-feira (29). Apesar das afirmações de Donald Trump, ex-presidente dos Estados Unidos, que as negociações com o Irã seguem em curso por meio de telefonemas, o clima permanece cauteloso. No cenário doméstico, as atenções estão voltadas para dados fiscais e dados relacionados ao mercado de trabalho, enquanto internacionalmente, as decisões do Banco da Inglaterra e do Banco Central Europeu ganham relevância.
Conflito no Oriente Médio continua sem resolução
Donald Trump, após retomar um discurso mais duro contra o Irã, declarando que “acabou o tempo de ser bonzinho”, suavizou o tom informando que as negociações ocorrem por telefone. Em entrevista à imprensa no Salão Oval no dia 29, o ex-presidente mencionou que houve “avanços significativos” nas conversações, mas ressaltou que o acordo depende da garantia de que o país não desenvolverá armas nucleares.
Trump também enfatizou que o bloqueio americano aos portos iranianos é uma medida “brilhante” e “infalível”, pressionando o Irã a admitir a derrota, afirmando que o país deve simplesmente declarar que desistiu.
No entanto, a ausência de progressos mais claros mantém o mercado em estado de alerta. Na manhã desta sexta-feira, por volta das 7h05, o preço do petróleo apresentou uma leve baixa, embora permanecesse em níveis elevados: o Brent, referência mundial, estava cotado a US$ 116,02 por barril, com queda de 1,65%, enquanto o WTI, referência dos EUA, registrava ligeira retração de 0,34%, negociado a US$ 106,50.
Influência do conflito nas decisões dos bancos centrais
A guerra no Oriente Médio tem impacto direto nas políticas monetárias globais, dado seu potencial de estimular a alta da inflação internacional. O Federal Reserve (Fed) manteve a taxa de juros inalterada na última quinta-feira, destacando que a economia americana segue crescendo de forma “sólida”, contudo com inflação ainda elevada, reflexo, entre outros fatores, dos recentes aumentos nos preços globais da energia. O comunicado também mencionou o aumento das incertezas no cenário internacional, citando explicitamente o andamento do conflito no Oriente Médio como um fator de preocupação.
Trump criticou a decisão do Fed e o presidente Jerome Powell, alegando em redes sociais que Powell permanece no banco central por falta de outras oportunidades profissionais. Em paralelo, Powell surpreendeu o mercado ao anunciar que permanecerá como diretor do Fed após o término de seu mandato como presidente, em 15 de maio, sem definir por quanto tempo.
Além do Fed e do Banco Central brasileiro, que também anunciaram a manutenção dos juros recentemente, hoje serão divulgadas decisões monetárias importantes. O Banco Central Europeu (BCE) divulgará sua decisão às 9h15 (horário de Brasília), com expectativa de manter a taxa em 2%. Logo após, a presidente Christine Lagarde concederá coletiva para comentar o tema.
Antes disso, às 8h, o Banco da Inglaterra anunciará sua decisão, com a taxa atual em 3,75% ao ano e expectativa de manutenção.
Destaques nos dados econômicos do dia
Para além das tensões internacionais, o mercado acompanha a divulgação de dados econômicos relevantes. Às 9h, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicará o resultado oficial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), que projeta a taxa de desemprego do Brasil no trimestre encerrado em março próximo de 6%, conforme mediana obtida em 24 estimativas reunidas pelo Valor Data junto a diversas instituições. As previsões variam entre 5,7% e 6,2%.
Também às 8h30, o Banco Central divulgará a Nota à Imprensa referente à Política Fiscal de março, com destaque para o resultado primário consolidado do setor público, que abrange governo federal, estaduais, municipais e estatais (excluídas Petrobras e Eletrobras). Em fevereiro de 2026, o setor público consolidado apresentou déficit primário de R$ 16,4 bilhões, uma melhora em relação aos R$ 19 bilhões negativos do mesmo mês do ano anterior.



