Desemprego no Brasil atinge 6,1% em março, maior índice desde maio de 2025
População desocupada soma 6,6 milhões, com alta de quase 20% no trimestre, representando 1,1 milhão a mais procurando emprego
A taxa de desemprego no Brasil aumentou para 6,1% no trimestre encerrado em março de 2026, conforme dados divulgados pelo IBGE na quinta-feira, 20, através da Pnad Contínua.
Esse percentual representa uma alta de 1 ponto percentual na comparação com o trimestre anterior, embora ainda esteja 0,9 ponto percentual abaixo do registrado um ano antes. Essa é a mais elevada taxa de desemprego desde o período encerrado em maio de 2025.
Apesar dessa elevação recente, o índice permanece como o menor para trimestres terminados em março desde o início da série histórica em 2012.
O número de pessoas desempregadas totalizou 6,6 milhões, o que representa um aumento de 19,6% no último trimestre — o equivalente a mais 1,1 milhão de brasileiros em busca de trabalho. Entretanto, em relação ao mesmo período de 2025, houve uma redução de 13% nesse contingente, com menos 987 mil pessoas desocupadas.
O total de trabalhadores ocupados foi de 102 milhões, indicando uma queda de 1% na comparação trimestral, o que equivale a 1 milhão a menos empregados. Em relação ao ano anterior, houve crescimento de 1,5%, correspondendo a 1,5 milhão a mais de pessoas ocupadas.
Motivos para a alta do desemprego em março
Nenhum dos dez setores analisados registrou expansão de empregos na comparação trimestral. Entre os segmentos que tiveram perdas, destacam-se comércio (-1,5%, ou 287 mil empregos a menos), administração pública (-2,3%, com 439 mil postos eliminados) e serviços domésticos (-2,6%, o equivalente a 148 mil empregos a menos).
Esses três setores, juntos, foram responsáveis pela perda de mais de 870 mil vagas no trimestre. Segundo o IBGE, esse comportamento está associado a fatores sazonais, como o encerramento dos contratos temporários e a diminuição habitual da atividade comercial após o final do ano.
Na comparação anual, dois setores registraram crescimento: informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, com aumento de 3,2%; e administração pública, que avançou 4,8%. Apenas o segmento de serviços domésticos teve queda nessa base temporal.
Informalidade diminui e rendimento atinge níveis recordes
A taxa de informalidade caiu para 37,3% da população ocupada, representando 38,1 milhões de trabalhadores, mostrando melhora tanto na comparação trimestral como anual.
O número de empregados no setor privado com carteira assinada ficou estável no trimestre, somando 39,2 milhões, e cresceu 1,3% no ano. Já o total de trabalhadores sem carteira assinada totalizou 13,3 milhões, com redução de 2,1% no trimestre.
Os trabalhadores por conta própria mantiveram-se em 26 milhões, estáveis no último trimestre e com alta de 2,4% no ano.
A massa de rendimento real habitual alcançou novo recorde, chegando a R$ 374,8 bilhões, permanecendo estável no trimestre e com aumento de 7,1% em comparação a 2025.
O rendimento médio real também atingiu patamar histórico, em R$ 3.722, refletindo uma alta de 1,6% no trimestre e de 5,5% no ano, já considerando a inflação.
O IBGE aponta que essa melhora na renda está ligada a transformações no perfil do mercado de trabalho, com a diminuição da informalidade e menor representatividade de ocupações com remuneração baixa.



