Empresa prevê vender 20 milhões de pacotes de figurinhas e faturar R$ 140 milhões com a Copa
Rede mineira espera crescimento superior a 10% nas vendas durante o evento
O Brasil vive um movimento intenso a cada quatro anos com a chegada da Copa do Mundo, e isso impacta diretamente o comércio, especialmente bancas e livrarias. Antes mesmo do torneio começar, os fãs já entram no clima da coleção de figurinhas, abrindo pacotes, trocando duplicatas e buscando completar seus álbuns com imagens dos times favoritos.
Para o Mundial de 2026, o álbum oficial da Panini será lançado com um total de 980 figurinhas, distribuidas em 112 páginas, envolvendo as 48 seleções classificadas, o que representa cerca de 300 cromos a mais em relação à edição anterior. A venda dos pacotes começou no dia 1º de maio.
A Livraria Leitura, a maior rede do Brasil com 133 lojas, sediada em Belo Horizonte, está entre os principais revendedores da Panini e projeta comercializar aproximadamente 20 milhões de pacotes ao longo da temporada da Copa. Considerando o preço de R$ 7 por pacote, a expectativa é alcançar um faturamento na casa dos R$ 140 milhões, valor que se destaca como uma receita adicional importante para o calendário da empresa.
Como o período de comercialização é limitado – começando em 1º de maio e com a Copa acontecendo entre 11 de junho e 19 de julho em México, Estados Unidos e Canadá –, a rede tem a missão de transformar o fluxo de clientes em alto volume de vendas rapidamente, aproveitando a oportunidade para aumentar as receitas em um ano marcado pela expansão contínua.
“A Copa representa um incremento significativo, acima de 10% no nosso faturamento”, destaca Marcus Teles, CEO da Livraria Leitura, que também planeja inaugurar pelo menos mais 10 unidades em 2026 para ampliar a capilaridade e aproveitar a maior demanda durante e após o evento, quando a troca de figurinhas continua nos meses seguintes.
Impacto no faturamento e estratégias da rede
No varejo, o negócio de figurinhas baseia-se em margens menores, mas compensadas por um volume elevado de vendas. A Leitura, sem considerar novas unidades, espera crescimento entre 8% e 9% em suas lojas, índice que sobe para mais de 10% apenas com as vendas associadas à Copa, incluindo álbuns e pacotes. Apesar das margens menores no segmento de figurinhas em comparação a livros e papelaria, o CEO ressalta que o produto é uma parte central do negócio da empresa.
O sucesso está na repetição das visitas dos colecionadores, que retornam diversas vezes para adquirir mais pacotes, realizar trocas de figurinhas repetidas e completar seus álbuns. Esse movimento promove um tráfego constante nas lojas, que já atuam o ano todo com produtos colecionáveis, como mangás e cards, explorando ainda mais o potencial dessa vertical.
Livrarias como espaços de encontro durante o Mundial
Além das vendas, a Copa transforma as livrarias em locais de interação e socialização. Os clientes frequentam as lojas para trocar figurinhas e interagir com outros colecionadores, o que resulta também na compra de outros produtos. Essa dinâmica é semelhante ao que a Leitura observa em categorias como jogos de tabuleiro e mangás, que geram engajamento e fomentam vendas cruzadas.
Consequentemente, as figurinhas não só geram receita direta, como também estimulam vendas indiretas, especialmente em categorias relacionadas a papelaria e produtos infantis, que costumam ter maior movimento nessa época do ano.
Histórico da Livraria Leitura
A Leitura iniciou suas atividades em 1967, quando os primos Emídio e Lúcio Teles abriram um sebo na Galeria Ouvidor, localizada no centro de Belo Horizonte. O nome original da operação era “Lê”, inspirado nas iniciais dos fundadores. Na década de 1980, Marcus Teles, irmão de Emídio, ingressou no negócio e hoje lidera a maior rede de livrarias do país.
Um marco da expansão ocorreu em 1998, com a inauguração da primeira megastore no BH Shopping. Em 2000, a rede iniciou sua expansão para fora de Minas Gerais, abrindo loja em Brasília. No ano de 2025, a Leitura apresentou crescimento aproximado de 15%, encerrando o ano com 133 unidades em funcionamento.
Um diferencial da rede é seu modelo de sócio-gerente, similar ao adotado por marcas da restauração como Outback e Coco Bambu. Nesse sistema, quem assume a gestão de uma loja torna-se sócio da unidade e cuida diretamente de sua operação. Atualmente, 70% das lojas funcionam nesse formato, o que permite maior proximidade com o cliente e adaptação das ofertas conforme o perfil de cada local.
Segundo Marcus Teles, “quando o dono da loja acompanha de perto, ele entende as demandas do público. Por exemplo, numa loja próxima a uma faculdade, é natural que sejam ofertados mais livros didáticos, o que impulsiona as vendas”.



