Vice-presidente da EMS destaca preparação de anos para lançamento de caneta emagrecedora
Com a expiração da patente da semaglutida no Brasil, prevista para o dia 20 de março de 2026, a EMS se posiciona para iniciar uma nova fase em sua trajetória. A empresa pretende produzir localmente um medicamento que disputará mercado com produtos como Ozempic e Mounjaro, ampliando o acesso a terapias modernas e tecnologicamente avançadas.
Marcus Sanchez, vice-presidente da EMS, comenta que a companhia investiu por mais de dez anos em ciência, inovação e infraestrutura para estar pronta para esse momento. Ele enfatiza que a EMS possui atualmente uma capacidade instalada de produção nacional e firme compromisso com qualidade, rigor científico e responsabilidade regulatória, visando oferecer tratamentos seguros e acessíveis.
Um dos principais investimentos foi a construção de uma planta industrial no município de Hortolândia, em São Paulo, orçada em mais de R$ 1,2 bilhão. Essa unidade tem capacidade inicial para fabricar até 20 milhões de canetas por ano, com possibilidade de expansão futura.
Segundo Sanchez, a EMS é atualmente a única farmacêutica do país que produz peptídeos, incluindo a semaglutida, medicamento utilizado no tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade. O executivo destaca que essa conquista representa um avanço não só para a empresa, mas para toda a indústria farmacêutica brasileira, fortalecendo a cadeia produtiva nacional e ampliando a capacidade tecnológica do Brasil para competir globalmente em tratamentos complexos.
Início da produção condicionada à aprovação da Anvisa
Apesar da preparação da estrutura produtiva, a EMS ainda depende da autorização regulatória da Anvisa para iniciar a fabricação e distribuição de seu medicamento à base de semaglutida. Por enquanto, a empresa não divulga previsão de lançamento nem o valor do produto.
Marcus Sanchez ressalta que, embora o preço ainda não esteja definido, a companhia pretende entrar no mercado com uma proposta competitiva, sempre prezando pela segurança e qualidade do tratamento.
Mercado estratégico e cenário global
A atuação da EMS se dá em um momento de crescimento acelerado do setor de medicamentos baseados em GLP-1, classe que inclui a semaglutida e que vem ganhando destaque mundialmente, principalmente no combate à obesidade.
Com a produção nacional, a EMS busca reduzir a dependência de importações e colocar o Brasil em um novo patamar tecnológico, onde inovação e acessibilidade caminham juntas. Para a empresa, o término da proteção da patente abre uma oportunidade para ampliar o acesso da população a tratamentos importantes, mantendo, entretanto, a valorização da inovação por meio da proteção adequada das patentes durante o período vigente.
Experiência anterior com liraglutida prepara caminho
A EMS já está presente no segmento de medicamentos baseados em GLP-1 por meio do lançamento da liraglutida no Brasil, com produtos como LIRUX e OLIRE em 2025. Segundo Joaquim Alves, diretor da Unidade de Prescrição Médica da empresa, essa experiência prévia foi essencial para preparar a companhia para o novo desafio.
Para Alves, a produção nacional desses medicamentos é fundamental para ampliar o acesso a tratamentos modernos e fortalecer a indústria farmacêutica do país, contribuindo para a evolução do cuidado em saúde.
Semaglutida não é considerada um genérico
Embora a patente da semaglutida esteja expirando, os medicamentos que a utilizam não são classificados como genéricos devido à complexidade dos processos industriais. A produção demanda tecnologia avançada e rigorosas comprovações de qualidade, segurança e eficácia.
Iran Gonçalves Júnior, diretor médico da EMS, explica que a empresa utiliza tecnologia inovadora baseada em síntese química em fase sólida, processo altamente controlado que assegura a produção de moléculas com alta pureza.
Fortalecimento da indústria farmacêutica nacional
A EMS acredita que a produção local de medicamentos complexos representa um salto para a autonomia tecnológica do Brasil e ampliação do acesso a tratamentos inovadores para a população.
Além disso, a empresa investe em iniciativas de conscientização sobre a obesidade por meio de campanhas como “O Peso Invisível”, que visam ampliar o debate sobre a doença para além do estigma e da questão estética.
Com presença em mais de 60 países e cerca de 7.300 colaboradores, a EMS dispõe de unidades de produção em Hortolândia e Jaguariúna (SP), Brasília (DF), Anápolis (GO), São Jerônimo (RS) e Manaus (AM), onde opera com a Novamed, fábrica de medicamentos sólidos. No cenário internacional, mantém operações na Sérvia (Galenika), na Itália (Monteresearch) e nos EUA (Vero Biotech e Brace Pharma).



