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Estreito De Bab El-Mandeb: Ameaça Do Irã À Economia Global

Estreito De Bab El-Mandeb: Ameaça Do Irã À Economia Global

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O outro estreito estratégico para a economia global que o Irã ameaça bloquear

Além do Estreito de Ormuz, o Estreito de Bab el-Mandeb também é um ponto de grande relevância no Oriente Médio e fundamental para o mercado energético mundial. Localizado entre o Iêmen, Djibuti e Eritreia, no Mar Vermelho, esse estreito controla o tráfego marítimo rumo ao Canal de Suez e responde por cerca de 12% do petróleo comercializado por via marítima no planeta.

Recentemente, essa rota ganhou ainda mais destaque como uma alternativa para o escoamento do petróleo do Oriente Médio, diante do bloqueio no Estreito de Ormuz. Em 26 de março, a agência semioficial iraniana Tasnim, vinculada à Guarda Revolucionária, informou que os houthis — movimento armado iemenita apoiado pelo Irã — estão preparados para assumir o controle do estreito, integrando o que denominam “forças de resistência”.

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Em 28 de março, os houthis realizaram um ataque de mísseis contra Israel pela primeira vez desde o começo da guerra, visando, segundo eles, “alvos militares israelenses sensíveis”. Israel confirmou a interceptação de um míssil lançado do Iêmen.

Estreito de Bab el-Mandeb como foco estratégico

O Estreito de Bab el-Mandeb, situado entre Iêmen, Djibuti e Eritreia, é um corredor marítimo crítico para a passagem de navios rumo ao Canal de Suez, conectando o Mar Vermelho ao Golfo de Aden e ao Oceano Índico. Essa rota é vital para o transporte de aproximadamente 4,5 milhões de barris de petróleo diários e também para o tráfego de gás natural liquefeito, segundo dados da Administração de Informação sobre Energia dos EUA.

Diante do fechamento do Estreito de Ormuz, Bab el-Mandeb se tornou ainda mais importante. A Arábia Saudita, por exemplo, passou a escoar grande parte de seu petróleo pelo porto de Yanbu, que depende desse estreito para o transporte marítimo. Além disso, também uma parcela relevante do petróleo russo exportado para a Ásia cruza por essa via.

As ameaças dos houthis e o contexto militar

O grupo houthi já demonstrou anteriormente capacidade de bloquear essa passagem através de ataques com mísseis, drones e ações contra embarcações comerciais, principalmente em retaliação à guerra em Gaza. Em 2023, eles atacaram mais de 100 navios comerciais, provocando impacto no comércio global e obrigando companhias a desviarem suas rotas para contornar a região.

Com o atual agravamento do conflito envolvendo EUA, Israel e Irã, os houthis reforçam sua disposição de fechar o Estreito de Bab el-Mandeb. Segundo fonte militar iraniana citada pela agência Tasnim, o grupo de Ansar Allah do Iêmen está “totalmente preparado” para atuar no estreito, caso necessário, para “punir o inimigo”. Outro líder houthi afirmou anonimamente que o grupo está “militarmente pronto” para atacar o estreito em apoio a Teerã, ressaltando que a decisão sobre o momento da ação cabe a sua liderança.

Em resposta a essas ameaças, os Estados Unidos emitiram alerta sobre a possibilidade de ataques dos houthis contra embarcações comerciais e outros ativos dos EUA na região do Estreito de Bab el-Mandeb.

Impactos econômicos e a importância histórica do estreito

O fechamento desse estreito agravaria ainda mais a crise no mercado global de energia, que já sofre com o bloqueio do Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Essa interrupção elevou os preços do petróleo Brent de cerca de US$ 70 para mais de US$ 100 o barril, impactando também uma vasta gama de produtos de consumo e matérias-primas transportadas por via marítima.

Bab el-Mandeb, cujo nome em árabe significa “portão das lágrimas”, é conhecido historicamente pelos perigos enfrentados pelos navegadores, desde tempestades até ataques de piratas e conflitos militares. Durante os anos entre 2008 e 2012, por exemplo, a área foi alvo frequente de pirataria, enquanto nos últimos anos sofreu ataques dos houthis na sequência da invasão israelense à Gaza.

Esse corredor com cerca de 115 km de extensão e 36 km de largura conecta regiões comerciais vitais desde a antiguidade, tendo sido fundamental desde as civilizações egípcias e romanas até a era do Canal de Suez, inaugurado em 1869, que tornou Bab el-Mandeb parte da rota marítima mais curta entre a Europa e a Ásia.

Desafios de segurança na rota

Além dos ataques de grupos armados como os houthis, o tráfego marítimo no Estreito de Bab el-Mandeb também enfrenta desafios com acidentes e pirataria. O encalhe do navio Ever Given em 2021, que bloqueou temporariamente o Canal de Suez, exemplifica como incidentes nessa região podem afetar toda a cadeia de abastecimento global.

Os ataques indiscriminados dos houthis com mísseis e drones causaram a suspensão do tráfego por algumas das maiores companhias marítimas e petrolíferas do mundo, até a cessação dos confrontos em outubro de 2025 com o cessar-fogo mediado pelos EUA entre Israel e Hamas, embora o grupo não tenha anunciado oficialmente uma suspensão nesses ataques.

Com o aumento da tensão e o conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã, o retorno das ameaças a esse ponto-chave no comércio internacional torna a situação ainda mais delicada, colocando em risco a estabilidade no fornecimento global de energia.

Fonte

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