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Linguiça De Peixe: Inovação Foodtech Da Bioeconomia Amazônica

Linguiça De Peixe: Inovação Foodtech Da Bioeconomia Amazônica

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Linguiça de peixe e geleia de gengibre: a foodtech que nasceu em uma sala de aula no Amapá

Empresa busca levar ao varejo alimentos feitos com pescado da Amazônia e ingredientes típicos da região, como tucupi e cupuaçu

A bioeconomia da Amazônia esteve presente de diversas formas no Bioeconomy Amazon Summit (BAS) 2026, realizado em Belém, com iniciativas que englobam reflorestamento, startups tecnológicas sustentáveis e negócios baseados na biodiversidade local. Em meio a esses projetos, um produto chamou atenção: a linguiça feita a partir de pescado amazônico.

Este alimento é fruto da Amapesc, uma foodtech criada por professoras e estudantes do Instituto Federal do Amapá (IFAP). O objetivo da empresa é comercializar no varejo produtos elaborados com peixe amazônico e ingredientes regionais, como o tucupi e o cupuaçu.

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Embora ainda em fase inicial, a startup já levantou R$ 50 mil para a aquisição de equipamentos e para montar sua estrutura produtiva. A previsão é iniciar as operações ainda em 2026, após a conclusão dos trâmites sanitários e regulatórios necessários para a venda dos produtos.

“Nossa startup começou dentro da academia”, explicou a professora Élida Viana durante o evento em Belém. “Desenvolvíamos os produtos no instituto e, quando fazíamos degustações, as pessoas já queriam comprar.”

A origem da startup está em pesquisas sobre produtos derivados de pescado amazônico dentro do curso de tecnologia em alimentos no IFAP. Atualmente, o grupo conta com seis integrantes, entre professores, alunos e ex-alunos ligados à instituição.

Origem da ideia

A proposta da Amapesc é transformar ingredientes típicos da região Norte em produtos mais práticos e adequados ao consumo urbano. De acordo com Élida, foi identificado que o consumo de pescado sofre limitações ligadas ao preparo e ao tempo disponível das pessoas.

“Na região Norte há o maior consumo de peixe do país, mas muita gente relata a dificuldade de preparar e a falta de tempo para cozinhar”, disse a professora.

A solução encontrada foi adaptar o peixe para formatos populares no varejo, como linguiças, bolinhos e defumados. A linguiça de peixe, por exemplo, fica pronta em cerca de 20 minutos e pode ser preparada na air fryer ou assada, da mesma forma que as linguiças tradicionais.

Além dos produtos à base de peixe, a startup desenvolveu acompanhamentos inspirados em ingredientes amazônicos, destacando-se um molho agridoce feito com tucupi e cupuaçu, uma geleia de gengibre e outra de abacaxi cultivado no Amapá.

De alunas a sócias

Entre as sócias da Amapesc está Jiullie Monteiro, ex-aluna da professora Élida e atualmente parceira no negócio.

“Tenho muito orgulho de ter sido professora delas e agora compartilhar a sociedade”, afirmou Élida.

O embrião da startup ganhou força após anos de pesquisa com peixes amazônicos e o desenvolvimento desses alimentos diferenciados. Inicialmente, quando as equipes apresentavam os produtos, notavam várias pessoas interessadas em adquirir o que experimentavam.

Por enquanto, a produção ocorre de forma artesanal, mas a empresa está estruturando sua própria planta no Amapá para a distribuição em larga escala no varejo.

“Estamos providenciando equipamentos e organizando o espaço físico para ampliar a produção”, comentou Jiullie.

Origem dos insumos

A Amapesc também pretende ser um negócio de impacto social, tendo em vista sua conexão com a cadeia produtiva local da bioeconomia amazônica.

Segundo as fundadoras, a matéria-prima é proveniente principalmente de cooperativas de pesca e agricultores familiares do Norte do país.

“Mantemos uma forte parceria com cooperativas de pescadores e agricultores familiares”, destacou Jiullie.

“Queremos que nosso consumidor receba um produto que valorize tanto a responsabilidade social quanto ambiental.”

Inicialmente, a venda será direcionada a supermercados e lojas especializadas em pescados no Amapá, com planos de expansão para outras regiões no futuro.

Próximas etapas

Ainda em estágio inicial, a startup prevê uma capacidade inicial de produção em torno de 200 quilos por dia, o que equivale a aproximadamente três toneladas por mês.

Já existem conversas com potenciais compradores interessados em volumes maiores, embora ainda não tenham sido formalizados contratos.

“Estamos ainda engatinhando, mas há empresas interessadas em comprar toneladas semanalmente”, relatou Élida.

No momento, os produtos circulam principalmente em feiras, apresentações e degustações.

O crescimento do ecossistema de bioeconomia no Amapá

A Amapesc integra um movimento crescente de negócios ligados à bioeconomia no Amapá, um estado que vem apostando em valorizar sua biodiversidade através de produtos diferenciados.

Um exemplo similar é a Acmella Beauty, startup fundada pela farmacêutica Mayara Pinheiro que cria cosméticos à base de jambu, planta típica da Amazônia conhecida pelo efeito de formigamento na pele. A empresa produz óleos, máscaras faciais, xampus e hidratantes naturais, e ganhou destaque ao participar do programa Inova Amazônia, do Sebrae.

Outro empreendimento da região é a Amazonly, que atua com bioativos amazônicos para os setores de cosméticos, fármacos e bem-estar, trabalhando com óleos e extratos de ingredientes como buriti, copaíba e murumuru, além de apostar na rastreabilidade e sustentabilidade da cadeia produtiva.

Esse ecossistema tem sido fomentado por programas de aceleração e inovação voltados para a Amazônia. Conforme dados do Programa Prioritário de Bioeconomia (PPBio), iniciativas apoiadas já desenvolveram mais de 220 produtos e serviços ligados à floresta na Amazônia Legal, incluindo o Amapá.

Sobre o BAS 2026

Realizado nesta semana em Belém, o Bioeconomy Amazon Summit está em sua terceira edição, consolidado como um dos maiores eventos dedicados à bioeconomia e aos negócios regenerativos na Amazônia.

O evento ocorre no Parque da Bioeconomia (Porto Futuro 2) e no Armazém 3 da Estação das Docas, reunindo startups, investidores, lideranças comunitárias, pesquisadores e representantes dos setores público e privado para debater soluções sustentáveis para a floresta e o clima.

O BAS é promovido pelo BAS Convergence Hub em parceria com o Jornada Amazônia, com co-realização da Fundação Amazônia Sustentável e do projeto Sustenta e Inova, coordenado pelo Sebrae Pará, em colaboração com CIRAD, EMBRAPA e IPAM, além de contar com financiamento da União Europeia.

Esta edição tem patrocínios do Governo do Pará, Fundo Vale, Amabio e Instituto Itaúsa, com apoio de diversas instituições e empresas.

Fonte

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