Maior fábrica de ônibus elétricos do Brasil, na Via Anchieta, terá capacidade ampliada
Eletra planeja alcançar produção anual de 3.000 veículos e lançar novos modelos
Na Via Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP), é comum observar ônibus elétricos circulando, embora muitos ainda não estejam em operação com passageiros, pois acabaram de sair da unidade produtora. A Eletra, principal fabricante nacional de ônibus elétricos, possui sua sede nesse local, que será ampliado em breve para atender à crescente demanda.
Atualmente, a planta da Eletra tem capacidade para produzir até 1.800 veículos ao ano. A partir de junho, essa capacidade será expandida para 2.500 unidades, por meio da utilização de novas áreas dentro do mesmo edifício.
Além disso, a Eletra já adquiriu um terreno adjacente à sua fábrica, onde construirá uma nova instalação, elevando a produção anual para 3.000 chassis. Para atender ao aumento dos pedidos, a empresa pretende implementar um terceiro turno de trabalho.
Segundo Milena Romano, CEO da Eletra, “a alta procura tornou o atual espaço insuficiente”. A demanda por ônibus articulados, que são maiores que os comuns, contribui significativamente para a necessidade de expansão.
Frota elétrica líder no Brasil
A Eletra detém a maior frota de ônibus elétricos em operação no país, contando com 978 veículos de um total de 1.728 coletivos elétricos registrados conforme dados da plataforma E-Bus Radar. Outros fabricantes presentes no mercado incluem BYD, com 330 ônibus, Mercedes-Benz (272), CRRC (46), Higer (35), Marcopolo (28), Volvo (24) e Powertronics (26).
Um dos diferenciais da Eletra é o elevado índice de nacionalização de seus componentes, que chega a 93%. Essa característica facilita a obtenção de financiamentos junto ao BNDES, que exige uma porcentagem mínima de peças brasileiras nos veículos adquiridos.
A empresa destaca ainda que seus ônibus são mais resistentes do que modelos estrangeiros, especialmente para enfrentar as condições adversas das vias brasileiras, que costumam apresentar irregularidades como buracos e valetas. “Enquanto na Europa e na Ásia as ruas são como tapetes, no Brasil a realidade é bem diferente”, comenta Milena Romano.
A concorrência com fabricantes chineses é bastante acirrada, sobretudo por estratégias agressivas de entrada no mercado. No entanto, a Eletra aposta em sua expertise, know-how de operação e na capacidade de personalizar cada veículo conforme as necessidades dos clientes como pontos fortes.
Outro benefício oferecido pela Eletra é a garantia de 15 anos para os motores, que são produzidos pela WEG. Seus ônibus estão disponíveis em 13 configurações distintas, variando em tamanho, design e número de portas.
As unidades são entregues à Eletra pelas encarroçadoras já montadas com carroceria e bancos, mas sem motor, bateria ou parte elétrica, que são instalados pela própria empresa na fábrica de São Bernardo do Campo. A partir de junho, a Eletra também iniciará a fabricação dos chassis, o que tornará o processo de produção mais ágil.
Demanda crescente no mercado brasileiro
O maior mercado para ônibus elétricos é a cidade de São Paulo, que possui a maior frota do país e determinou que todos os novos coletivos adquiridos devem ser movidos por energia limpa.
Além de São Paulo, a Eletra já forneceu veículos para 17 municípios em 10 estados, entre eles São José dos Campos (SP), Porto Alegre e Belém, e mantém negociações avançadas com cidades como Recife e Belo Horizonte.
A Eletra integra um grupo com mais de cem anos de atuação no setor de transportes do ABC Paulista, que começou no segmento de ônibus e hoje também está presente em sistemas de bilhetagem eletrônica, operação do corredor ABD, e em companhias de transporte intermunicipal, como a Next Mobilidade.
Dentre os planos futuros da fabricante, está o desenvolvimento dos chamados e-trol, que são trólebus equipados com bateria. Esses ônibus podem circular parte do percurso conectados aos fios aéreos, mas também se deslocam livremente sem a necessidade de conexão constante, utilizando a bateria para recarregar durante o trajeto e reduzir custos operacionais.
Outro projeto envolve a criação de ônibus escolares elétricos com baterias que possam abastecer escolas com energia elétrica durante algumas horas, uma solução pensada para regiões remotas que sofrem com frequentes faltas de energia.



