O segredo de engenharia por trás da SpaceX: um clube universitário de carros de corrida
Ao comemorar a abertura de capital da SpaceX com colegas, Bill Riley, um dos principais executivos de engenharia da empresa, já planejava sua próxima viagem ao Brooklyn, Michigan. Ele irá atuar como juiz principal de design em uma corrida promovida pelo Michigan International Speedway, organizada por uma entidade sem fins lucrativos. A competição reúne estudantes universitários que conduzem carros no estilo Fórmula 1, os quais eles mesmos projetam e constroem ao longo de vários meses, sem a participação de pilotos profissionais em alta velocidade.
A conexão de Riley com essa competição remonta à sua participação na equipe Formula SAE da Universidade de Cornell, no final dos anos 1990. Ele não é o único executivo da SpaceX com essa trajetória: Mark Juncosa e Mike Nicolls também aprimoraram suas habilidades na construção de carros de corrida estudantis em Cornell, no início dos anos 2000.
“Foguetes e carros de corrida não são tão distintos assim”, comentou Riley, atualmente com 49 anos, em entrevista à revista da universidade da Ivy League.
Essa relação da SpaceX com Cornell é muito significativa e evidencia o compromisso da companhia em recrutara profissionais que tenham experiência prática, não apenas um currículo acadêmico excelente. De fato, recrutadores da SpaceX mencionam que os candidatos que se destacam geralmente trazem experiência em projetos extracurriculares ou iniciativas pessoais de engenharia. Elon Musk já mencionou que vitórias em competições como a Formula SAE são indícios de habilidades excepcionais no campo da engenharia.
A SpaceX não forneceu comentários a respeito.
John Callister, atual mentor da equipe de Cornell e ex-engenheiro da General Motors, relatou que o clube busca incentivar o raciocínio independente. “Não oferecemos cursos sobre tudo que é necessário aprender”, explicou.
Essa abordagem está alinhada com a experiência de Juncosa, de 44 anos, um nativo do sul da Califórnia renomado na SpaceX por resolver desafios técnicos complexos. Apesar de sua graduação em economia em Cornell, ele se empenhou em desenvolver habilidades práticas de engenharia por conta própria, segundo Timothy Reissman, ex-colega no clube de corrida que hoje é professor associado da Universidade de Dayton.
“Ele era o cara que investia tempo para aprimorar algo ou adquirir conhecimento”, afirmou Reissman.
A reputação da equipe de Cornell dentro da SpaceX se popularizou, em especial por esse trio de executivos. Charlotte Kiang, ex-funcionária que cursou mestrado em engenharia na instituição, comentou que os participantes da equipe chegaram a formar um grupo social próprio entre estagiários, refletindo um certo mistério e destaque na empresa.
Reissman ainda compartilhou uma história contada por Juncosa sobre um soldador contratado pela SpaceX que duvidava da possibilidade de automatizar a soldagem de placas finas de alumínio. Juncosa, conhecedor da soldagem desde os tempos da equipe de Cornell, entrou para ajudar a solucionar o problema, ilustrando sua versatilidade técnica.
Michael Jones, ex-colega de Nicolls e Juncosa na equipe, descreveu Nicolls como alguém discreto, porém com habilidades únicas, especialmente no desenvolvimento eletrônico da unidade de controle do motor. Nicolls, hoje com 45 anos e vice-presidente sênior da SpaceX, dedicou vários anos ao projeto de internet via satélite da empresa, o Starlink.
Jones ressaltou que a ausência desse trio alteraria significativamente a SpaceX. “Se eles saíssem e fossem para outro lugar, o que teria acontecido? Creio que houve uma combinação rara de pessoas que chegaram no momento certo e estabeleceram o padrão”, finalizou.
Contato do autor: Micah Maidenberg em micah.maidenberg@wsj.com



